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ARTIGOS

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

AMOR, SEXO E HETERONORMATIVIDADE

Sexo não define Amor. Aquela coisa que tanta gente sente e não sabe explicar. Escreveram certa vez que quando se ama, não se consegue responder o motivo de se amar. Quando se consegue responder, não é Amor.

O processo de socialização, contínuo, ininterrupto, direciona sentimentos, desejos, quereres. E é nesse processo que se normatiza o Amor.

O sexo não deveria definir quem se deve amar. O sexo, entretanto, é usado para controlar o que se deve sentir e por quem se deve sentir, produzindo corpos dóceis (aparentemente). É a socialização a serviço da heteronormatividade.

O controle sobre os corpos deve ser problematizado em favor de uma existência mais rica e menos adoecida.

Se permita

Sinta FORA DA CAIXA

terça-feira, 26 de agosto de 2014

DEPUTADAS/OS - O QUE DEVEM FAZER


É fundamental saber exatamente o que cada cargo que está sendo disputado nesta eleição deve fazer.

Citando os iluministas: "ousai saber!"

Pense FORA DA CAIXA

IDEIA CANTADA - CANALHA, de Walter Franco

Uma das marcas da sociedade consumista na qual estamos inseridas/os é a velocidade com que as mudanças acontecem. Essa velocidade, no entanto, impossibilita o melhor aproveitamento da própria vida.

Rapidamente se deve aprender algo. Rapidamente se deve conhecer pessoas e com elas se relacionar (inclusive sexualmente, principalmente sexualmente) sob pena de não estar "aproveitando a vida".

Nessa situação, todas as dores devem ser evitadas e a todo custo. Essas dores vão desde aquelas que são necessárias para aprender algo (focalizar atenção numa leitura, a dor oriunda do treinamento físico para atingir excelência em algum esporte, arte marcial, dança) até a dor da morte e do luto que ela traz - ou deveria trazer.

Entretanto, não somos apenas o que fisicamente buscamos evitar. A frustração, a angústia, o medo, a insegurança que, enganosamente não queremos sentir, não some, não desaparece. Apenas espera a brecha para se apropriar do espaço que lhe foi negado.

O cantor e compositor Walter Franco em sua canção CANALHA, nos brinda com essa reflexão acerca da dor inevitável, da dor canalha.



ESCUTA CANALHA DE WALTER FRANCO AQUI









Pense FORA DA CAIXA

A FALÁCIA DO HOMEM MODERNO E SEM PRECONCEITOS


Muitas vezes não se percebe a contradição entre práticas e teorias. Não é fácil viver da maneira que se pensa ou se procura pensar. É fundamental uma análise cuidadosa acerca das práticas cotidianas para se evitar o popular "faça o que eu digo mas eu não faço o que falo".

Quando tratamos das violências contra as mulheres, o sexismo é uma constante. Sexismo é a forma de violência contra mulheres (principalmente) caracterizada por tratar as mulheres como "naturalmente" inferiores, quando, na verdade, essa suposta inferioridade é construída e reproduzida social e ideologicamente.

Exemplo: quando um homem está em um automóvel e é fechado por outro o que se vê é a série de xingamentos (barbeiro! cego! e outros de baixo calão). O xingamento é direcionado ao praticante da "barbeiragem" e não para todos os homens.

Se temos uma mulher responsável pela "barbeiragem" o que se escuta é: "tá vendo?! só podia ser mulher", "mulher no volante, é isso que dá!" Ou seja, é o gênero feminino inteiro que é adjetivado como péssimo motorista e não aquela mulher específica.

Outro exemplo cotidiano: quando homens se afirmam modernos, liberais, que não têm preconceitos contra mulheres que assumem desejos e práticas sexuais mas, quando questionados se namorariam/casariam com mulheres "liberais", desconversam ou, inclusive negam tal possibilidade.

Pessoas que lerem essa postagem podem pensar: " e quem vai querer ficar com uma pessoa rodada?" E é exatamente nesse raciocínio que se encontra o sexismo. Identificá-lo em si e entender como funciona são os primeiros passos. Os seguintes, combatê-lo em si e no cotidiano.

Pense E AJA FORA DA CAIXA.

A DOMINAÇÃO HETERONORMATIVA


A heteronormatividade caracteriza-se pela reprodução e legitimação de maneiras de sentir, pensar e agir heterossexuais.

Refere-se a valorização do casamento heterossexual, da família monogâmica estabelecida como clássica (esquema mãe, pai, filhas/os), dos ideais de amor romântico como as únicas que devem ser vividas.

Qualquer forma de relacionamento que não seja entre homem e mulher, que não esteja assentado em casamento monogâmico é julgado como desviante, divergente e errado, por extensão gerando agressividade por não estar "de acordo" com a suposta maioria.

Um exemplo dessa heteronormatividade é quando se valoriza a vida sexual supostamente agitada de homens, relacionando positivamente essa prática com animais como garanhões, tigrões e, quando se trata de mulheres, a relação é negativa e com animais como galinha, piranha.

O desejo sexual existe em todos os gêneros, a valorização positiva do desejo sexual masculino é parte do controle e regulação da sexualidade e deve ser problematizada e combatida.

TODAS/OS DESEJAM E ISSO É BOM E NÃO APENAS OS HOMENS E HETEROSSEXUAIS.

Pense FORA DA CAIXA.

NÃO CULPE A VÍTIMA


Geralmente quando se tem notícia de estupro, a pergunta que é feita é: como ela estava vestida? Ou ainda: ela não deu bola para o cara e depois "quis frescar", não?

Em nenhuma das situações o crime é culpa da vítima.

Se mantivermos esse raciocínio perverso, então o roubo de celular será culpa de quem trabalhou e pagou por ele, deixando de lado a culpa do Estado pelas desigualdades sociais, pela falta de segurança nas ruas.

Os crimes de pedofilia serão culpa das crianças, que por serem crianças e sensuais - aos olhos e desejos dos pedófilos - atraem para si tal mal.

O/as idosos/as maltratados/as também serão culpados/as, afinal, se envelheceram têm mais é que serem judiados/as por não servirem mais "pra nada".

A naturalização desse raciocínio deve ser combatida.

Pense FORA DA CAIXA

sexta-feira, 6 de junho de 2014

TABELA RESUMO COM AS REBELIÕES DA HISTÓRIA DO BRASIL

A história do Brasil é marcada por vários movimentos contestatórios e entender suas motivações é importante para compreender muitas das ações e reações da população brasileira contemporânea. Abaixo você pode baixar uma tabela com as rebeliões consideradas mais importantes.

BAIXE.

LEIA.

ENTENDA.

PROBLEMATIZE.

COMPARTILHE.

Pense FORA DA CAIXA.




quarta-feira, 28 de maio de 2014

MANIFESTO COMUNISTA EM QUADRINHOS

No link abaixo você pode baixar o MANIFESTO DO PARTIDO COMUNISTA em quadrinhos.

Baixe.
Leia.
Entenda.
Compartilhe.

MANIFESTO DO PARTIDO COMUNISTA EM QUADRINHOS AQUI



segunda-feira, 19 de maio de 2014

PROVAS UPE 2000 - 2012

No link abaixo você pode acessar e realizar download das provas de História da Universidade de Pernambuco (UPE).

Bons estudos.

Pense FORA DA CAIXA.





PROVAS UFPE 2005 - 2011

No link abaixo você pode acessar e realizar download das provas de 2a. fase da Universidade Federal de Pernambuco.

Bons estudos.

Pense FORA DA CAIXA.

PROVAS UFPE 2005 - 2011 AQUI


FICHAS MONSTRO

Olá, estudante, 

Uma das formas eficientes de fixar conhecimentos é realizando exercícios. Pensando assim, estou disponibilizando as FICHAS MONSTRO: seleção de questões de vestibulares de várias universidades do país.

No link a seguir você poder realizar o download de todas as FICHAS MONSTRO publicadas.

Bons estudos e lembre:


1. Você sabe muito, mas NÃO SABE TUDO

2. Você não sabe tudo, MAS SABE MUITA COISA

3. COMPARTILHE, contribua com a Revolução, que só começa quando partilhamos

4. NUNCA, NUNCA NUNCA tenha vergonha de perguntar

5. NUNCA, NUNCA, NUNCA suponha que as pessoas tenham obrigação de saber o que você já sabe - os dedos das mãos não são iguais

6. Discorde, Discorde hoje, Discorde amanhã, DISCORDE SEMPRE! Só a oposição de ideias pode gerar novas ideias

Pense FORA DA CAIXA.

FICHAS MONSTRO AQUI!




quinta-feira, 15 de maio de 2014

"VOU ALI ROUBAR A INSINUANTE": CONSIDERAÇÕES SOBRE A GREVE EM RECIFE


Após a deflagração de greve da polícia militar, seguiram-se cenas de saques, violências e reações que lembraram os mais clássicos filmes de distopias, de mundos em decadência, de perigo para tudo e todos. Nesse momento é invocado tal qual um pokémon, o pensador Thomas Hobbes e sua ideia de estado de natureza e a clássica e muito repetida frase: o homem é o lobo do homem.

ORDEM! ORDEM! ORDEM! Grita-se aos quatro ventos feicebuquianos (das janelas de lares “amedrontados”, que é bem fora de moda, mas ainda em voga, também) para garantir a segurança e ... a propriedade.

Sai de casa para vender aulas e fui testemunha do que estava acontecendo em vários lugares – considerando que tive que arrodear a cidade para chegar em casa devido ao fato de muitas pessoas, ao mesmo tempo, terem a mesma ideia que eu: em casa é mais seguro.

A partir do que vi, penso ser interessante considerar alguns pontos:

1. A RESPONSABILIDADE (culpa, não... é simplório demais) PELOS SAQUES NÃO É DA PM. Não foram os PM’s que saquearam, foram algumas (muitas, não todas) pessoas que, sem o aparelho repressor do Estado (olha, Althusser sendo invocado também) agiram e saquearam lojas, supermercados e afins;

2. O ESTADO (o governador o representa) TEM MAIOR PARCELA DE RESPONSABILIDADE PELO QUE ACONTECE. A insatisfação com as péssimas condições de trabalho não é algo novo. Em outros momentos elas estavam presentes. Pense comigo: correr atrás de bandido com coletes que mal aparam água de chuva, quem dirá bala, pode ser considerado “trabalho seguro”? reivindicar que se reforme o hospital dos militares é exigir demais? O policial leva um tiro cumprindo sua função de proteger e não tem hospital para garantir a vida dele – quando ele a arrisca por outras pessoas?

Nenhuma situação como essa surge do nada ou é fruto do suposto clima anti copa apenas. Ela vem sendo gestada continuamente, bala a bala, no dia a dia.

3.NEM TODO PM COMETE CRIMES. É lugar comum afirmar que “na polícia só tem criminoso”. Vamos aproveitar o medo para ampliar a percepção: se todo PM fosse criminoso, teríamos mais crimes acontecendo. Afirmar isso é dizer que toda uma categoria é criminosa quando, se fosse verdade, teríamos uma situação como a de hoje todos os dias. Na verdade, talvez nem estivéssemos organizados como estamos. A barbárie seria maior e a suposta “civilização” não se desenvolveria.

Mais um pouco sobre esse ponto: é a mesma linha de raciocínio do adágio maldoso e muito repetido: mulher no volante, perigo constante – quando é um homem que faz uma barbeiragem, é aquele homem e não todos. Uma mulher, todas as mulheres, a categoria mulher é (todas), nesse raciocínio, que não sabe dirigir.

Afirmar que a polícia não faz falta pois o bairro em que se vive não conta com a ação devida de garantir a segurança com certeza não é a forma de resolver a questão. Desmilitarizar a PM talvez seja (mas isso é assunto para outra postagem). 

4. NEM TODO SAQUE FOI DE “SUPERFLUOS”. Muitas imagens foram veiculadas mostrando lojas de eletrodomésticos, artigos de informática, sapatos sendo roubadas. Mas, deve-se considerar que pessoas passando necessidades alimentares também saquearam para garantir a despensa cheia, considerando a escassez (falta) desses artigos cotidianamente.

Nesse ponto chego a um aspecto que trato com minhas turmas quando, discutindo sobre combate ao crime, afirmam que “bandido bom é bandido morto”. MENOS O QUE ROUBA LEITE. O QUE ROUBA PRA SE ALIMENTAR, NÃO. O que nos leva para a próxima consideração:

5. TODO O ROUBO DEVE SER INVSTIGADO E PUNIDO. Não estou afirmando que deve-se deixar de lado a subtração do bem alheio, seja qual for, mas, bem que seria produtivo fazer uma reflexão acerca da situação geral, que pode ser encaminhada a partir do seguinte ponto:

6. EXIBIMOS PARA A MAIOR PARTE DA POPULAÇÃO PRODUTOS QUE ELA NÃO PODERÁ ADQUIRIR E DEPOIS, QUANDO PODEM OBTÊ-LOS, QUEREMOS QUE NÃO FAÇAM? Estamos no campo do desejo, desejo que é quase incontrolável. Pense na seguinte situação: leve uma criança para uma loja de doces (ou brinquedos), tudo colorido, tudo dizendo: “me pegue, me leve para você” e diga para a criança: “você não pode, mas queira, deseje, um dia, quem sabe, poderás ter!” O desejo quer saciar-se e é uma forma de analisar o que acontece: mesmo ilicitamente, algumas pessoas (não todas, lembrem), vão em busca daquilo que o tempo inteiro a propaganda afirma que vai fazê-la “ser gente”, existir.

É parte de uma estrutura social pautada no consumo do que na maior parte não se precisa. Antes, tinha-se uma sociedade de produtores, quem trabalhava era explorado e excluído por ser trabalhador mas, o que se tem hoje, é uma sociedade de consumidores, marcada pela exclusão de quem não pode consumir tal ou qual produto de determinadas marcas.

7. SE VOCÊ PENSOU: “QUERIA VER SE FOSSE A TELEVISÃO DELE, O QUE IA DIZER”, PARE! PARE! PARE! Esse é o tipo de argumento marcado pela emoção que é exatamente o que atrapalha  qualquer tomada de decisões. Temos que lidar com a situação que se configura perante nós e pensar no “e se”, nesse caso, não vai resolver. Quando uma coletividade toma decisões a partir de emoções, sem reflexões, temos a fabricação de linchamentos e arrependimentos posteriores; há dificuldades de se manter a serenidade, há! Mas decisões imponderadas geram danos maiores que o esforço para “esfriar a cabeça”;
 

Sobre a greve da polícia e as repercussões, tanto da deflagração quanto do fim, elas devem ser compreendidas como parte de um contexto que tem forte sustentação no modo de produção capitalista e seu discurso naturalizador da desigualdade que não é natural e sim social. A violência simbólica que os outros “99%”  sofrem vai sendo represada e reprimida por membros desses mesmos “99%”, que, quando decidem também querer seu paraíso, fazem tremer praticamente todo o sistema.

PARA PENSAR MAIS SOBRE:

terça-feira, 6 de maio de 2014

O FACEBOOK É MEU E POSTO O QUE EU QUISER: LINCHAMENTOS, JUSTIÇA E VINGANÇA

Recentemente os noticiários mostraram vários atos de “justiça” praticados por pessoas em diversos locais do país. Muitos deles ocorreram sem que os “justiceiros” tenham provas de que os acusados são realmente culpados. Para surpresa de muitas pessoas, não eram culpados. O que fazer depois de prova da inocência de alguém quando esse alguém já deixou de viver, na verdade “foi deixado”, ASSASSINADO é o termo mais condizente com o que aconteceu?

Mais recentemente ainda, ganharam os noticiários do país e do mundo o caso do torcedor que morreu após ter sido atingido por uma bacia sanitária na saída de um estádio em Pernambuco. Caso de violência que causou indignação e desistência de muita gente de ir assistir aos jogos torcendo pelo time do coração.

Ambas as situações envolvem morte,  surpresa e novidade, que são alguns dos critérios utilizados para selecionar o que é ou não noticiado e que os jornalistas chamam de valor-notícia. O ponto é que, a partir dessas veiculações, cresce o que anda sendo chamado de “efeito Sheherazade”, ou seja, práticas de justiçamento com justificativas que o “cidadão de bem” (com todas as dificuldades existentes para definir o que seria precisamente) está se defendendo.

Em relação a isso, considero importante observar alguns pontos:

1. JUSTIÇA NÃO É VINGANÇA. Há diferenças importantes entre uma e outra. Para compreendê-la melhor é importante tratar de um dos conceitos de Estado: o conjunto de instituições jurídicas, políticas, econômicas e sociais que funcionam com o objetivo de garantir/buscar a harmonia social.

O Estado deve deter o monopólio da violência, ou seja, só a ele é permitido agir violentamente inclusivve tirando a vida de alguém, se tem como objetivo garantir a proteção individual ou coletiva.

Pense na seguinte situação: se está na nossa Carta Constitucional que a propriedade é inviolável e somos roubados, o Estado deve garantir que o responsável seja encontrado e levado a julgamento. Se eu descubro quem me roubou e entro na casa dessa pessoa e retomo o que era meu, isso não é justiça, é crime, pois nossa Constituição estabelece que a propriedade é inviolável (como está descrito acima). Acompanhe: mesmo sendo ladrão, aquela é a casa dele, sua residência, logo SUA PROPRIEDADE e a propriedade é o quê? INVIOLÁVEL, logo, invasão sem mandato é crime e não justiça.

ATENÇÃO: não estamos discutindo aqui a eficiência do Estado na garantia desse direito, logo, se você pensou: “mas o Estado não faz nada!” você está saindo do foco da discussão desta postagem.

Considere também que não é fazendo o papel do Estado que serão mudadas as condições de vida, segurança etc. Deve-se agir de acordo com a "cidadania ativa", definida pelo falecido sociólogo Betinho: não apenas cobrar, mas também propor e agir.

2. LINCHAR NÃO É EQUIVALENTE A ROUBAR. Uma das discussões mais antigas na área do Direito é como estabelecer a equivalência da punição com o crime cometido.

Mais uma vez, ABRA SEU CORAÇÃO E PENSE NA SEGUINTE SITUAÇÃO: se uma pessoa rouba outra e leva o aparelho celular e, posteriormente é pega e levada a julgamento, como estabelecer a punição que seja equivalente ao dano gerado contra o indivíduo que teve seu bem roubado? Um aparelho novo? O valor equivalente ao dinheiro que não foi ganho pelo dono do aparelho enquanto ele esteve separado de seu bem?

Mas, ampliemos: se a pessoa criminosa tiver matado alguém, a problemática é: se tratamos de punição equivalente, uma vida pela outra, como pode ser equivalente tirar uma vida de quem matou mais de um ser humano? É, se você para para pensar nisso, verá que, como afirma o velho deitado: “o buraco é mais embaixo”. É nesse ponto que cabe a pergunta: faz-se justiça ou vingança?

E assim chega-se até outra pergunta: quando se prova que o “justiçado”, o ser que foi linchado e morto, não era culpado, o que se faz? Pede-se desculpas? Ou, o mais tenso, afirma-se que “puniram a pessoa errada” (então assassinar está correto mesmo sem provas?)?

3. NÃO, NÃO É DEFESA DE CRIMINOSOS O QUE ESTOU FAZENDO: o objetivo desse texto é levar reflexão para quem lê. Não estou defendendo criminosos, estou defendendo a humanidade que cabe a cada ser humano.

Argumentos como “bandido bom é bandido morto” são falaciosos e demonstrativos de falta de pensamento crítico e mais ainda: quando partem de pessoas que, teoricamente, deveriam “pensar mais” que as outras, são demonstrações que caminhamos para uma situação parecida com a descrita  por Hobbes:

(...) não há sociedade; e o que é pior que tudo, um medo contínuo e perigo de morte violenta. E a vida do homem é solitária, miserável, sórdida, brutal e curta.

O motivo: geralmente quando se fala que “bandido bom é bandido morto”, o criminoso modelo não é o mais abastado, o filho do empresário milionário e sim o chamado “ladrão besta” (referência feita a música da dupla de emboladores Caju e Castanha).

Quando se afirma que direitos humanos só devem ser para humanos, desconsidera-se o processo histórico que levou ao nível de “civilização” que atingimos.

DIREITOS HUMANOS NÃO EXISTEM PARA PROTEGER BANDIDOS, MAS PARA PROTEGER A SUPOSTA CIVILIZAÇÃO DE UM ESTADO DE BÁRBARIE.

Se “bandido bom é bandido morto” então, do criminoso de “colarinho branco” ao que roubou um saco de leite, todos devem ser punidos por igual.

Então, mais uma vez, pense comigo: se roubo (fiquemos no mais simples, por enquanto) caracteriza-se pela extração de algo de propriedade alheia, então, o saco de leite e o dinheiro público estão na mesma categoria. Se a fome é elemento que legitima o roubo, a discussão deve ser ampliada e com coragem para, inclusive, mudar de opinião (no melhor estilo Raulseixista).

4. PROFESSORXS E JORNALISTAS AGENDAM SETORES DA SOCIEDADE. Outro ponto que é importante considerar diz respeito a liberdade de expressão. Existem estudos na área de comunicação que tratam de algo chamado agendamento e diz respeito a medida em que a mídia "agenda" a sociedade para debater ou tratar de determinadas temáticas.

Exemplo: em novela recente foi abordado o tráfico de pessoas e, pouco depois do início de tal folhetim, foram denunciados casos de tráfico humano em vários jornais do país. A novela "agendou" a sociedade na medida que chamou a atenção para algo que acontece e não é muito divulgado.

Ainda há discussões sobre agendamento sendo feitas, mas, entendendo essa ideia, pode-se estendê-la como instrumento de análise do “caso Sheherazade": sendo formadora de opinião (me resigno a não tratar da polêmica se ela efetivamente é ou não) ao expor seu pensamento de maneira a legitimar a "justiça" com as próprias mãos, ela agendou a sociedade e legitimou ações como essas.


É a mesma linha de raciocínio para professorxs. Quando afirmamos que “bandido bom é bandido morto” ou fazemos comentários racistas, sexistas, homofóbicos seja em sala de aula, seja em redes sociais, estamos “agendando” nossas turmas no sentido da intolerância e do crime. Isso ocorre porque somos vistxs como autoridades que “sabem do que falam”, ou seja, temos discurso competente.


Afirmar que “o facebook é meu e posto o que eu quero” tem muito sentido, mas quando se lida com público e com público “em formação” (o nosso em sala de aulas), o facebook é menos nosso do que imaginamos pois viramos referenciais para, às vezes, centenas de pessoas.

Quando abordamos esses assuntos, “agendamos” nossas turmas que pensarão a partir do ponto de vista que expusermos. Eis o ponto de inflexão que deve ser levado em consideração por profissionais de comunicação e de magistério.


O ponto é que não parece existir muita vontade de problematizar o que é exposto pela mídia e qualquer tentativa de regulação do que é veiculado é tratado como censura, quando não é. É, sim, a busca por responsabilização acerca do que se expõe.

Responsabilização que também cabe a nós, professorxs. Devemos ter cuidado com o que expomos, problematizar constantemente para não nos tornarmos, sem notar, incentivadores de violências.

Pense FORA DA CAIXA.

terça-feira, 29 de abril de 2014

ALGUMAS CONSIDERAÇÕES ACERCA DA CAMPANHA SOMOS TODOS MACACOS

O ato do jogador Daniel Alves, ao ter lançada contra ele uma banana durante partida de futebol, gerou reações bem dicotômicas e repercussões maiores ainda do que, talvez, ele esperasse. O jogador Neymar, que até algumas semanas não se afirmava afrodescendente com uma equipe de publicitários, iniciou uma campanha na qual ele, com uma banana, afirma que “somos todos macacos”. Ganhou a rede.

Em tempos de comunicação global, essa atitude repercutiu em escala de dez e as redes sociais foram inundadas por imagens que vão de políticos a artistas, singelamente se afirmando macacos e deglutindo a polissêmica fruta. O apresentador Luciano Huck, mais rápido do que veloz, aderiu a campanha e lançou, em apoio a esta, camisas com a frase afirmativa e a imagem de uma banana que, não consegui até agora entender, é preta.

De início tive vontade de reagir contra a campanha, mas me segurei pois muito da minha reação estaria ligada ao passado de depreciações que sofri ao ser comparado com nossos parentes próximos, os macacos. E não eram comparações positivas como a que essa campanha supostamente parece promover. Depois de muito observar as reações, decidi escrever algumas considerações que não se querem fechadas, mas que fazem parte de minhas reflexões sobre o acontecido e partem de autores que estudei e, claro, de minha experiência de vida afrodescendente.

1. NÃO SOMOS MACACOS. Essa Darwin já afirmara há algumas muitas décadas e já naquela época não se quis ser macaco inclusive porque se afirmava pejorativamente semelhança com negrxs africanxs. Essa afirmação pós jogo de futebol parece boa, mas precisa ser problematizada, o que nos leva até a próxima consideração:

2. NEGRXS E MACACXS SÃO ESTIGMAS. Para ampliar a reflexão, definamos o que é estigma: é a relação que se estabelece entre determinado atributo e estereótipos. Estigma, de maneira bem simplificada, é uma marca que tem sentido específico para quem a carrega e para quem a vê. No caso específico do Brasil, ter a pele escura, o nariz largo, os lábios carnudos, o cabelo carapinha são estigmas, são marcas que são vistas por maior parte da sociedade como algo depreciativo.

Essa afirmação se comprova em várias situações do cotidiano:

a) quem tem pele escura tem mais chances de ser revistado em “baculejos” policiais;

b) quem tem cabelo carapinha/pixaim é pejorativamente taxado de “pessoa de cabelo ruim”;

c) quem tem nariz largo é definido como “nariz de negro” ou “venta de porrote”;

Em suma, estes são exemplos de como o que se mostra atributo da população afrodescendente é adjetivado como coisa ruim, depreciativa.

Referir-se a alguém afrodescendente como “macaco” é prova histórica desse racismo que constituiu a sociedade brasileira e ainda está presente ainda que as ideias de Darwin já tenha provado que não somos macacos.

3. POR QUE A CAMPANHA PODE SE MOSTRAR MAIS NEGATIVA QUE POSITIVA PARA A POPULAÇÃO AFRODESCENDENTE: considerando o que foi afirmado acima acerca de estigma e relação atributo físico – estereótipo, pense na seguinte situação:

Vemos fotos correndo soltas nas redes sociais de pessoas com a fruta polissêmica, a banana, certo? Pois bem, vemos muitas pessoas de pele clara com a fruta e afirmando que são macacos e, muito provavelmente, pensamos: “caramba, que campanha legal”, “racismo é uma m*****!” (algumas pessoas reagirão contra a campanha, como realmente aconteceu).

Agora pense na seguinte situação: vemos a imagem de uma pessoa de pele escura com uma banana e o que vem a mente? Não fique acanhadx se você pensou: “doido, é um macaco!”, “parece mesmo um macaco!” É esse o ponto que quero atingir: no imaginário da imensa maioria (pra ser redundante mesmo), ainda se mantém a imagem dx negrx como macacx e a campanha, ainda que bem intencionada (reservo-me o direito de ser crente), de imediato vai ativar o estigma secularmente reafirmado acerca da população afrodescendente. Ainda que se afirme que será feita, assim, a desconstrução, sabe-se que mudanças no imaginário de um povo não acontecem de uma hora para outra e muito menos nesse mundo da “modernidade líquida” (para usar o termo do polonês pop).

A sociedade estabelece, historicamente, os atributos que considera naturais a determinados grupos, ou seja, naturaliza desigualdades, estereótipos. Talvez você afirme que é exagero, então vejamos outra situação:

Aparecem fotos de pessoas de pele clara com os cabelos pintados das mais diversas cores. O que geralmente se pensa é: “olha, pessoas descoladas!”, “olha, que estilosas!”. Agora pense nas mesmas fotos, cabelos coloridos, peles escuras... possíveis reações: “vixi! Só podia ser negrx!” “só faz isso para chamar atenção, é negrx!”. Antes que você afirme que mais exagero ainda, lembre que recentemente o jornal Diário de Pernambuco fez reportagem sobre jovens de periferia que pintavam o cabelo e, por coincidência social, eram jovens negrxs. Muitos comentários depreciativos foram feitos.

Essa é a linha de raciocínio que torna problemática a campanha de afirmação primata: os resultados serão (se existirem) pouco contundentes na luta contra o racismo.

4. A CAMPANHA PODE ESVAZIAR O RACISMO AO MOSTRAR O RISÍVEL DE TAIS ATITUDES: a partir da atitude do jogador e da reação em cadeia pelos cantos do país, pode-se conseguir aquilo que era um dos objetivos iniciais da comédia: levar a reflexão a partir do escárnio, da “tiração de onda”. Seria algo do tipo, mostrar o quão estúpida é a prática racista através de ações “mais estúpidas” ainda.

ATENÇÃO: não me oponho à luta contra o racismo, mas como professor de história/sociologia tenho o dever com minha profissão de pensar sobre o que o mundo me oferece, de DISCORDAR de tudo que for naturalizado e aja contra a dignidade humana.


Mais uma vez: essas considerações não foram escritas para serem eternas e nem inquestionáveis. Mas são fruto de minha reflexão e experiência de ser humano, negro em um país composto por pessoas que sempre conhecem racistas, mas nunca são racistas – pois racista é sempre @ outr@. 

Pense FORA DA CAIXA

Leia mais:




sábado, 26 de abril de 2014

SOBRE HOMOFOBIA

Sobre HOMOFOBIA:

O termo “homofobia” designa, assim, dois aspectos diferentes da mesma realidade: 

1. a dimensão pessoal, de natureza afetiva, que se manifesta pela rejeição dos homossexuais; 

2. e a dimensão cultural, de natureza cognitiva, em que o objeto da rejeição não é o homossexual enquanto indivíduo, mas a homossexualidade como fenômeno psicológico e social.

Essa distinção permite compreender melhor uma situação bastante disseminada nas sociedades modernas que consiste em tolerar e, até mesmo, em simpatizar com os membros do grupo estigmatizado;

no entanto, considera inaceitável qualquer política de igualdade a seu respeito.

Se permita PENSAR FORA DA CAIXA.
Tenha HISTÓRIA NA CABEÇA.



segunda-feira, 31 de março de 2014

PENSANDO A LEGALIZAÇÃO

A polêmica acerca da legalização / descriminalização da maconha ganha as páginas de jornais e minutos de noticiários. O nosso vizinho sul-americano está em processo de legalização. O país que encabeçou o movimento de guerra contra drogas também está nesse caminho.

No Brasil, mal se debate, parcamente se pensa sobre e é mantido um discurso de falta de condições para implementar qualquer política de legalização/descriminalização. Os argumentos usados, na maioria das vezes não se sustentam quando problematizados de maneira mais atenta.

Nos anos 1990, o grupo Planet Hemp encabeçou uma polêmica ao ser acusado de "apologista do uso de maconha" enquanto se defendia o direito a se expressar.

A falta de informação acerca do assunto e a preguiça de pensar, de problematizar, de, sociologicamente, desnaturalizar o que se profere e estranhar o que que se repete contribuem para que se estigmatize qualquer pessoa que mencione o assunto.

Há muitos usos para a cannabis, inclusive para "viagens ao subconsciente", mas também há objetivos medicinais que poucos conhecem.

Para ampliar o horizonte das reflexões, o curta metragem ILEGAL, aborda um dos usos medicinais da erva tão mal dita e traz com ele a proposta para abrir a mente e repensar.

Este link pode auxiliar na reelaboração de pensamentos:

Trinta razões para ir à Marcha da Maconha

Se após se informar e pensar sobre você ainda for contra, então pelo menos terá argumentos sólidos (espero) para fundamentar sua negativa.

Pense FORA DA CAIXA.


sexta-feira, 28 de março de 2014

GABARITO FICHA MONSTRO EGITO

1.            B
2.            B
3.            C
4.            D
5.            A
6.            C
7.            B
8.            E
9.            C
10.          C
11.          C
12.          D
13.          C
14.          C
15.          28
16.          C
17.          D
18.          A
19.          C
20.          A
21.          VFFVV
22.          15
23.          A
24.          B

25.          D

Pense FORA DA CAIXA


terça-feira, 25 de março de 2014

ENTENDA O MARCO CIVIL DA INTERNET



Internet: rede da cidadania ou das corporações capitalistas?

Para entender o que está tem jogo, pensemos na distinção entre TV aberta e TV a cabo (fechada). Quem tem somente energia elétrica e aparelho de TV usufrui apenas da TV aberta, ao passo que só possui TV a cabo quem paga por esse serviço às grandes empresas provedoras. Os contratos dos serviços de TV a cabo podem ser de vários tipos, com mais ou menos canais, conforme o pacote adquirido. Fazendo uma analogia, a Internet, hoje, em alguma medida, tem o formato de TV Aberta, bastando que o usuário contrate um provedor. O preço do serviço varia conforme a maior ou menor velocidade de conexão contratada, porém, ao navegar, o usuário acessa livremente os conteúdos. No contexto atual, ainda vigora o princípio da neutralidade da rede, segundo o qual “os provedores de serviços de Internet e governos devem tratar todos os dados na Internet do mesmo modo, não discriminando ou cobrando diferencialmente por usuário, conteúdo, site, plataforma, aplicativo, tipo de equipamento conectado e modos de comunicação”. Em outras palavras, todo o tráfego de Internet deve ser tratado igualmente.
(...)


Saiba mais sobre o Marco Civil da Internet

sexta-feira, 21 de março de 2014

GABARITO FICHA MONSTRO FENÍCIOS, HEBREUS E PERSAS

1.            D
2.            B
3.            E
4.            C
5.            11
6.            C
7.            A
8.            C
9.            B
10.          A
11.          A
12.          52
13.          A
14.          D
15.          E
16.          B
17.          C
18.          E
19.          A
20.          C
21.          E
22.          A
23.          A
24.          C

25.          A

Pense FORA DA CAIXA

GABARITO FICHA MONSTRO PRIMEIRO IMPÉRIO


1.            D
2.            D
3.            D
4.            A
5.            D
6.            A
7.            E
8.            C
9.            E
10.          C
11.          FVFVV
12.          B
13.          E
14.          C
15.          D
16.          C
17.          1+2+8+16+32 = 59
18.          B
19.          C
20.          D
21.          C
22.          D
23.          D
24.          D
25.          C

Pense FORA DA CAIXA

terça-feira, 11 de março de 2014

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

ATOR PRESO E "DEMOCRACIA RACIAL" TUPINIQUIM

Vamos lá: o/a brasileiro/a é racista. Eu não sou racista, mas conheço alguém que é. Sempre se conhece alguém e nunca se é racista.

Na minha prática em sala de aula, quando abordo as questões étnicas, sempre tenho que provar que as práticas racistas existem, acontecem e as muitas formas sutis - nem tanto - com as quais elas são colocadas em funcionamento. Algumas podem ser mais entendidas como preconceituosas, discriminatórias que racistas, propriamente ditas.

Enumeremos as mais sutis:

1. CABELO AFRO, ESTILO BLACK POWER É FANTASIA DE CARNAVAL. Pois bem, pense comigo: quando estamos nos dias de reinado de Momo, muitas pessoas usam perucas estilo cabelo black power como fantasia. É praticamente uma mosca branca, difícil de achar, a fantasia com cabelos lisos. Pelo contrário, cabelos lisos são comercializados em uma demonstração de valorização dessa estética que não condiz com o tipo de cabelo da maior parte da população brasileira;

2. O BANDIDO NEGRO SEMPRE SERÁ CONFUNDIDO COM O PRIMEIRO NEGRO QUE PORVENTURA ESTEJA NO LOCAL OU MESMO PASSANDO PERTO. Mais rara ainda é a abordagem para pessoas de pele clara quando ocorre um crime;

3. AS PESSOAS NEGRAS GOSTAM DE ROUPAS COLORIDAS, CHAMATIVAS: se uso roupas coloridas, sem cor, saias curtas, blusas decotadas é porque EU QUERO USAR. Afirmar: “ela/ele se veste desse jeito porque é negr@” recai no que foi escrito acima; colorida ou sem cor, é roupa. NÃO EXISTE ROUPA DE NEGRO E NEM ROUPA DE BRANCO; É TUDO ROUPA. Posso usar roupas que meus ancestrais usaram, posso usar roupas que estadunidenses vendem – ainda que pouco propícias ao clima do local que vivo; o faço pois vivo em sociedade e não porque sou negr@;

4. AS PESSOAS NEGRAS SÃO PRECONCEITUOSAS COM OUTRAS PESSOAS NEGRAS: se há negr@s que fazem comentários racistas, o fazem como fruto da sociedade que foi gerada durante séculos de escravidão e que construiu a negação do ser negr@ associando muita coisa ruim a palavra NEGRO (abra o dicionário nesta e tire suas conclusões), logo, é mais difícil querer ser identificado com coisas ruins, não é?

5. USAR UMA CAMISA COM O TEXTO 100% NEGRO, NÃO É RACISMO: acompanhe o raciocínio: afirmar-se 100 % negr@ é posicionar-se tendo como objetivo tornar positivo algo que foi secularmente taxado de negativo. É mais possível uma pessoa negr@ não ter conseguido emprego, ter sido a única revistada por policiais em um coletivo porque era negra do que porque era branca. Esse mesmo raciocínio pode ser estendido para mulheres e homossexuais

 Este recente acontecimento: Câmeras revelam que prisão de ator da Globo foi confusão da PM prova escancaradamente que há algo de muito podre nessa "democracia racial" e É O RACISMO QUE NÃO É ASSUMIDO, NÃO É DEBATIDO, LOGO, PARECE PROBLEMA DOS/AS NEGROS/AS. É UM PROBLEMAS DE TODOS/AS.


Não venham com discurso de que há uma briga maior: a briga de todos/as excluídos/as. Há, sim, então vamos nos reunir para mudar geral e amplamente, mas AGORA, NESSE INSTANTE, A BANDEIRA QUE LEVANTO É CONTRA O RACISMO, O PRECONCEITO E A DISCRIMINAÇÃO CONTRA A POPULAÇÃO NEGRA DO BRASIL.

Pense FORA DA CAIXA.


domingo, 26 de janeiro de 2014

CONSIDERAÇÕES SOBRE OS ROLEZINHOS - 2

A recente onda de reuniões de jovens, adolescentes, púberes em shoppings de várias cidades do país gerando alvoroço e reações desde as mais passivas até as mais agressivas, chama atenção menos pelas repercussões e mais por representarem uma série de aspectos que diz respeito a um ponto: tratamos muito mal nossas crianças e jovens. Isso mesmo: nossa sociedade e, mais amplamente, nossa civilização trata seus - nossos/as - jovens descuidadamente e mesmo violentamente. Consideremos os seguintes aspectos para reflexão e posterior debate:

1. NÃO SÃO MARGINAIS: quando lemos ou ouvimos a palavra marginais, o pensamento é quase automático na geração da imagem de alguém armada/o com faca ou qualquer objeto perfurocortante ou ainda com uma arma de fogo apontada para cabeça de um cidadão/ã trabalhador/a. São, na maioria, jovens na chamada pré-adolescência e adolescência que decidiram ir ao shopping como programa de final de semana de muita/os nessa mesma faixa etária e pessoas acima dessa faixa também. Se vamos insistir no uso do termo marginal, que o façamos entendendo que se refere a jovens que estão A MARGEM daquilo que é de direito geral: ir e vir, também conhecido como liberdade de locomoção. Consideremos também que se queremos mudar a percepção de algo, devemos mudar a forma com a qual nos referimos a esse algo, afinal, as palavras têm força e ideologia embutidas;

2. NÃO ESTÃO ALI PARA ROUBAR: o medo maior da civilização ocidental, a expropriação da propriedade privada foi logo invocado e trazido a fala de muitas pessoas. Temia-se - teme-se -  o roubo do que se trabalhou muito para ter e a presença dessa parcela da juventude nos shoppings, que são um bom exemplo de templo de oferta de pré propriedades privadas, ativou o alerta vermelho de muitas pessoas que estavam ali para adquirir um bem ou apenas cobiçá-lo.

Alguém, com certeza, afirmará: - mas vi gente sendo assaltada e tem jovem ali que vai para roubar mesmo. Pois bem, façamos o seguinte questionamento: há unanimidade em toda manifestação social? Provavelmente não. Todas as pessoas que participam de movimentos são plenamente conscientes do que estão reivindicando? Penso que não e as recentes manifestações no país dão prova disso, afinal, muitos dos que foram às ruas sequer sabiam a função do senado e da câmara. Generalizações são muito perigosas e no caso do Brasil, geralmente criam e alimentam estereótipos contra grupos menos favorecidos financeiramente.

3. SÃO EXEMPLOS DE LUTA DE CLASSES, SIM: algumas pessoas afirmaram e ainda afirmam que a luta de classes já não existe mais, principalmente após o fim da União Soviética e do suposto fracasso do socialismo aplicado. O conceito ultrapassa a localização geográfica e o tempo no qual foi elaborado. Devemos lembrar que não é a realidade que deve se adequar ao pensamento, mas o pensamento é que deve buscar dar conta da realidade e sabendo que nunca poderá dar conta de tudo pois a vida social é dinâmica e fugidia demais para ser cristalizada.

Temos uma classe social, a dos "assalariados" e seus filhos e filhas que também são alcançadxs pelas propagandas oferecendo a beleza, a sedução, a auto-estima através de tais ou quais produtos. Pense: se te oferecem um produto que dá a entender que te fará mais bela/o, divertida/o, inteligente e você decide adquirir essas supostas qualidades e sabe que é no shopping que elas estão, para onde você vai para obtê-las? Provavelmente não será na feira perto de sua residência - sabendo que as versões desses produtos são de origem duvidosa, "falsiê" como se dizia outrora, a feira não será o local para comprá-los. Você irá para o shopping que te dá a suposta certeza que eles são "originais".

A classe social que frequenta, historicamente, os shoppings como cobiçadora e eventualmente compradora acreditava na suposta exclusividade de acesso, mas a ampliação do poder aquisitivo fez com que aquelas pessoas que antes apenas trabalhavam nesses "templos" também pudessem adquirir os bens com os quais trabalhavam.

Esse é o aspecto da luta de classes que ultrapassa a visão clássica de enfrentamento por questões trabalhistas, salariais. As classes que lutam hoje o fazem por espaços, pelo direito de ir e vir - e permanecer nos locais públicos. No caso dos shoppings, tem-se uma mescla de público e privado e a questão que aparece é: qual o papel do Estado nessa situação? Em que medida a proteção da propriedade privada a ser vendida é função do Estado? Mais ainda: deve o Estado legislar sobre a entrada e permanência dos "rolezeiros" em shoppings?

4. NÃO SÃO UMA GERAÇÃO PERDIDA: para tratar desse ponto, farei uma pergunta: você, aos doze anos gostava de ter doze anos? Provavelmente, não. Há muita gente compartilhando mensagens que trazem essa argumentação. Será difícil, talvez impossível encontrar alguma criança ou jovem que, ao acordar, tenha afirmado com toda alegria: - como sou feliz por ser criança! Como sou feliz por ser adolescente!

Essa é uma construção discursiva posterior. É também um exemplo do choque de gerações, uma vez que a geração estabelecida vê a geração nova como degenerada, "perdida". Exemplo disso é o início de frase clássico: "no meu tempo..." A resposta para essa afirmação é: no seu tempo você era vista/o como irresponsável e afins. E tem-se um outro questionamento: como cobrar de jovens entre dez e vinte e dois anos uma consciência crítica capaz de analisar a situação na qual se encontra? Mesmo as pessoas que são, em teoria, críticas, provavelmente não desenvolveram tal nível de criticidade de uma hora para outra.

Nessa perspectiva insere-se a função da escola, mas essa, sendo aparelho ideológico do Estado (é Althusser, sim e não está ultrapassado pois serve para entendimentos da situação social vigente), dificilmente (e no Brasil parece-me mais ainda) cumprirá um de seus - em teoria - papeis: desenvolver a capacidade de problematizar a realidade e poder agir sobre esta.

Por isso os rolezinhos nas bibliotecas dificilmente acontecerão. Falta algum tanto de vontade política para criação de condições e manutenção destas para formação de seres pensantes e, além da vontade política, há a vontade pessoal de muitas/os professoras/es, mais do que mal pagos, pessoalmente descrentes da efetividade de sua função (não é regra geral, mas muitas/os professoras/es ainda se mantém no ofício por não crerem-se capazes de fazer ou aprender outras coisas ou realizar, por exemplo, o sonho de serem médicas/os etc.).

5. A REAÇÃO AOS ROLEZINHOS É UMA MOSTRA DO QUANTO TRATAMOS MAL NOSSAS CRIANÇAS E JOVENS: muito bem, faço agora uso de uma citação de C. W. Mills acerca da imaginação sociológica:

Quando, numa cidade de cem mil habitantes, somente um homem está desempregado, isso é seu problema pessoal, e, para sua solução examinamos adequadamente o caráter do homem, suas habilidades e suas oportunidades imediatas. Mas quando, numa nação de 50 milhões de empregados, 15 milhões de homens não encontram trabalho, isso é uma questão pública, e não podemos esperar sua solução dentro das escalas de oportunidades abertas às pessoas individualmente. A estrutura mesma das oportunidades entrou em colapso. Tanto a formulação exata do problema como a gama de soluções possíveis exigem que consideremos as instituições econômicas e políticas da sociedade,  não apenas a situação pessoal e o caráter de um punhado de indivíduos."

(MILLS, Charles Wright. A imaginação sociológica. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1965.)

A imaginação sociológica possibilita enxergar além do que a vista alcança, superando o senso comum e buscando as relações, estas fundamentais para a resolução das questões sociais como os rolezinhos, a homofobia, a transfobia, o racismo, o sexismo etc.

Os rolezinhos são uma resposta daquelas classes sociais à estratificação social vigente (lembrando que estratificação social é a forma com a qual a sociedade hierarquiza os grupos a partir do conjunto de fatores - economia, cultura). Essa resposta foi construída historicamente, em um cotidiano segregacionista que se intensificou com o processo de globalização. A falta de políticas de Estado direcionadas para a juventude brasileira amplia as repercussões da miséria produzida pelo sistema capitalista e traz, ainda, uma faca de dois gumes: a partir do momento em que o Estado passa a investir em espaços para o público que forma os rolezinhos, ao mesmo tempo afirma a fronteira que não deve ser ultrapassada por esses grupos. É bom, mas é ruim também. Garante espaços de lazer, mas também aparta de outros espaços que também são de direito de locomoção deles.

O que fazer, então? Esse é o desafio e que todas/os deveriam participar do debate, pois enquanto forem efetivadas soluções paliativas, estas serão pseudorresoluções.

Enquanto o foco dos olhares acerca dos rolezinhos for as perturbações geradas no fim de semana das classes sociais que frequentam os shoppings, enquanto se repetirem afirmações de que essa geração está perdida, formar-se-ão ilhas cercadas de pessoas que saíram da letargia de apenas produtores e se entenderam como consumidores e que reivindicam o direito de também serem "zumbis" consumistas. Um pouco de conhecimento em Geografia pode ajudar a fazer a relação: cedo ou tarde, ilhas são cobertas pela água circundante.

Pense FORA DA CAIXA.

Tenha HISTÓRIA NA CABEÇA.


terça-feira, 14 de janeiro de 2014

SOBRE OS ROLEZINHOS

Quando os pobres apenas trabalhavam e pagavam as contas e protestavam através do rap e compravam roupas nas feiras ou nas lojas nos bairros, não havia problemas.


Com a ampliação do poder de compra da classe identificada por Karl Marx como força de trabalho e ela passou a consumir não apenas para sobreviver mas também para "ostentar" e esse consumo atrelou-se também a diversão de fim-de-semana de passear no shopping, então soou o sinal de alerta:

"QUEM SÃO ESSES QUE QUEREM ROUBAR MEU DIREITO DE CONSUMIR?!"

Mais ainda: "QUEM ELES PENSAM QUE SÃO PARA OUSAREM OCUPAR O ESPAÇO QUE É MEU E DA MINHA FAMÍLIA?!"

PROBLEMATIZANDO:

O capital precisa se expandir para a própria sobrevivência e aqui aparece a contradição: os tradicionalmente excluídos do consumo das marcas criadas para diferenciação social, agora podem consumir também e entenderam que podem usufruir do mundo que o trabalho de seus pais ergueu (e o deles também, considerando que muitos dos que fazem o rolezinho são jovens trabalhadores), querem participar do mundo que antes era apenas assistido nas televisões.

A reação inicial é de repulsa por parte de quem estava apenas a ver "pobres" em programas domingueiros querendo voltar para a terra de onde partiram ou numa suposta democracia "esquenta" de ritmos.

Possibilidades:

1. recrudescer a repulsa, estabelecendo leis contra rolezinhos e agrupamentos de "suspeitos" (lembrando que historicamente os "suspeitos" têm características afrodescendentes) - o que já está acontecendo;

2. iniciar um processo de transformação na própria estrutura excludente do modo de produção capitalista (duvido que essa seja uma possibilidade real)

3. o capital encontrar uma maneira de agregar esses grupos, considerando que são consumidores também. Recém chegados ao mundo dos que podem pagar pela "ostentação", mas, ainda assim, consumidores - considere que há algum tempo a população afrodescendente sequer tinha produtos adequados para seu tipo de cabelo, tipo de pele e afins; pessoas acima do peso também e pessoas com idade avançada, idem. Se passou a gerar renda, haverá uma forma de usufruir disso.


Alguém que lê este texto pode já ter pensado: "mas é muito fácil dizer isso! E aqueles que foram pegos depredando ou ainda tentando mesmo roubar alguém?"

Essa situação não deve ser negada, mas pense da seguinte maneira: qual movimentação não tem aquelxs que destoam do grupo maior? 

Mais do que tratar da aceitação ou não dos rolezinhos, as reações contra o fato maior que é a entrada desses grupos nos shoppings revela a separação criada pelo capital e que ultrapassa a dicotomia força de trabalho X donos dos meios de trabalho, chegando ao ponto de divisão de níveis de consumidor: nível A, consumidor nível B, consumidor nível C e assim por diante.


Entendamos nível da seguinte maneira: nível A pode comprar os artigos mais caros, nível B os artigos intermediários, nível C, se esforçam para comprar os artigos nível B e assim continuando com variações.

Antes de gritar aos quatro ventos que deve-se evitar os rolezinhos, vamos pensar na estrutura maior.

PENSE NISSO ANTES DE POSTAR IMAGENS OU VÍDEOS APLAUDINDO ABUSO DE PODER CONTRA GRUPOS QUE TAMBÉM TÊM O DIREITO DE PASSEAR EM SHOPPINGS E APENAS OLHAR VITRINES, ASSIM COMO MUITAS VEZES MUITAS PESSOAS DE PELE MENOS ESCURA FIZERAM.

PENSE FORA DA CAIXA.

Tenha HISTÓRIA NA CABEÇA.

Para ajudar a PENSAR FORA DA CAIXA: