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ARTIGOS

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quarta-feira, 7 de novembro de 2018

A PORNOGRAFIA COMO FATO SOCIAL ou "OH, YES! OH, YES!"

A imagem acima pode ser lida para além da ideia de sociedade do espetáculo: mostra como os sites de pornografia educam as formas de praticar sexo em nossa sociedade.
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Pornografia pode ser pensada a partir do conceito de fato social, definido por Émile Durkheim como formas coletivas de pensar, de sentir e de agir. Tem a ver com a manutenção da ordem social, com a reprodução de determinadas visões de mundo.
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O pornô, assim pensado, “educaria” quem assiste no q tange a como realizar o ato sexual. Alguém pode reagir dizendo q não. É quando chamo atenção para o fato de q uma forma de aprendizado se dá pelo espelhamento, ou seja, copiando a maneira como algo é feito.
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Pense agora em adolescentes cheios de hormônios e especificamente nos garotos , educados para se mostrarem, podendo tocar nas suas “partes de menino” e a tratarem as meninas (futuras mulheres) como objetos para sua satisfação, tal qual nos pornôs q sempre terminam quando o homem ejacula.
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No caso do homem adulto, esses filmes reafirmam o local de aparente supremacia e dominação q lhes são inculcados. Para as mulheres fica o modelo de gemidos, de posições, de depilação para atender ao desejo do patriarcado, sendo este entendido como um conjunto de ideias q legitima a posição social de superioridade do masculino.
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Há estudos q indicam q pornografia produz mais sensação de prazer q o ato sexual, o q levaria quem assiste a buscar cada vez intensidade, o q deságua em gêneros de pornô q simulam (simulam ou infligem?) estupros - coletivos, inclusive. (Não teriam servido de exemplo/inspiração para o caso do estupro coletivo noticiado no Rio de Janeiro?).
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Ainda segundo pesquisa, o termo mais procurado em sites pornôs no Brasil é “novinha”, seguido de “homem negro” ou “negão”. O q isso parece revelar: pedofilização e objetificação do corpo de pessoas negras.
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Mais do q uma questão de moral, pornografia é questão de saúde pública, de saúde mental.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

POR OUTRO LADO: ASSISTIR AULAS X GARANTIR AULAS – sobre as ocupações

A recente onda de ocupações nas escolas de ensino médio e universidades de todo o país expõe essa oposição e permite identificar que o usufruto dos nossos direitos pode implicar, algumas vezes, que outras pessoas não usufruam dos delas. O caso das ocupações é um deles: temos o direito à educação entrando em conflito com – uou! – o direito à educação. Grupos de estudantes ocupam escolas e as aulas são paradas. Estudantes que querem assistir às aulas questionam e acham ruim não poderem ter o direito de estudar e, mais ainda, se vêm obrigados/as a participar de um movimento que os prejudica.

Por outro lado, o que se está reivindicando é o mesmo direito à educação que os/as ocupantes se organizam para ampliar e mesmo garantir com alguma qualidade, considerando a situação precária de muitas escolas, a falta de professores/as que sejam efetivamente das disciplinas que lecionam (sabe-se que aulas de matemática são ministradas por professoras/es graduadas/os em biologia e outras variações) e contra a retirada da obrigatoriedade de aulas de educação física, artes, filosofia, sociologia (o autor deste texto treme com estas últimas).

Seria algo do tipo: estudantes que querem gozar do direito de assistir às aulas X estudantes que querem garantir a manutenção e ampliação do direito de assistir às aulas e à educação de qualidade. Essa situação de conflito é ampliada quando se classificam em “estudantes alienados/as” (os que são contra as ocupações) e “estudantes engajados/as” (os que ocupam) um grupo que é todo formado por ESTUDANTES.

Não se trata de botar gosto ruim nas ocupações ou de defender que as aulas sigam sem interrupções, mas sim de perceber as contradições, que são muito importantes para serem tratadas de forma simples (simplória) e, nesse sentido, caberiam questionamentos: a quem interessa que indivíduos de um mesmo grupo (os estudantes) briguem entre si?  Será que são alienadas/os quem não concorda em perder aulas e mesmo o ENEM? Ou seriam alienados/as os/as que foram produzidos/as por uma sociedade que passa o tempo inteiro afirmando individualismo em frases como “se eu não fizer por mim, ninguém fará!”?

Será que são baderneiros/as quem ocupa as escolas ou são aqueles/as que cansaram de ser “o futuro da nação” e decidiram assumir o projeto do próprio futuro?

A ocupação de escolas e universidades é violenta, mas pagar mal professoras/es, excluir disciplinas através de uma reforma que não dialoga verdadeiramente com quem será afetada/o não é violência?

Citando Brecht, o Bertolt:

Tantos relatos.
Tantas perguntas.


Mais importante: pense sobre isso.


terça-feira, 8 de novembro de 2016

POR OUTRO LADO: SOBRE ESFORÇO E DIREITOS

De tempos em tempos circula pelas redes sociais fotos de crianças estudando ou se esforçando para estudar mesmo em situação precária, desumana. Geralmente bastante compartilhadas, essas fotos enfatizam o esforço do/a jovem que, em estrutura inóspita, segue adiante em busca de “ser alguém” que só o estudo parece garantir.

Antes de seguir a leitura, um aviso: não se nega a importância e a beleza do esforço, mas se propõe outros olhares e, pode ser, que incomode seja gerado incômodo. Mas, como teria afirmado o filósofo Sócrates: uma vida irrefletida não vale a pena ser vivida. Sigamos, então.




O aspecto que merece maior observação é que o esforço dessas crianças atrai mais atenção do que a falta de condições para o aprendizado adequado, assim, fazendo parecer que não há outras instâncias que têm relação direta com a situação. Aqui a referência é ao Estado, instituição que deve (ou deveria) garantir educação básica de qualidade para todas/os.

Em outras palavras, não se critica o esforço de quem “luta contra todas as adversidades”, mas se deseja chamar atenção para o que causa a adversidade em questão. É a falta de estrutura básica (direitos que deveriam ser universais) que força milhares de jovens no mundo inteiro a ter que vender verduras enquanto estudam, a aproveitar luzes de postes no meio da rua para poder resolver contas e sentar em latas de lixo porque sequer há carteiras nas escolas.


As raras situações em que alguns são bem sucedidos/as não diz, de maneira alguma, que quem não conseguiu não se esforçou, e sim denuncia a falta de condições reais para que todas/os possam “chegar lá”. O perigo do aplauso isolado de um olhar mais conjuntural é deixar subentendido que o esforço individual pode substituir as condições básicas não havendo necessidade de reivindicá-las.