Você que se prepara para o ENEM, deve dominar a habilidade de identificar mudanças e permanências nos acontecimentos históricos.
Essa postagem trata das reformas religiosas (protestante e católica - esta também chamada de contrarreforma) e, ao realizarmos o olhar em perspectiva, podemos comparar a situação da igreja católica nos idos do século 16 e a situação de alguns grupos religiosos que praticam venda de objetos sacralizados no século 21.
O raciocínio histórico não deve julgar o período das reformas e o que aconteceu nele com os juízos de valor deste século sob o perigo de cometer anacronismo (usar a forma de pensar de uma época para analisar / julgar outra).
Aplicando a habilidade para as reformas, uma forma seria essa:
1. semelhanças: a venda de objetos sacralizados com a promessa de que trarão benefícios, curarão doenças, protegerão de algum mal; a população menos abastada é quem participava mais efetivamente dessa relação de troca;
2. diferenças: no século 16, os grupos que foram organizados a partir das reformas não tinham possibilidades maiores de influenciar a vida política pelas vias institucionais e, no século 21, há (no caso do Brasil), inclusive, uma bancada religiosa no Congresso nacional que é decisiva em muitas questões.
A canção "Orai e Vigiai", na voz de Falcão, nos fornece uma série de elementos que podemos identificar como semelhanças e diferenças entre os dois momentos no tempo.
Um dos períodos mais importantes na história da república brasileira diz respeito aos anos que vão do fim da Era Vargas, 1946, até o momento do golpe civil-militar de 1964.
Marcado pela efervescência cultural, política, cidadã mesmo, muito se pensou, naquele momento, em um projeto para o país.
Do nacionalismo trabalhista de Vargas, passando pelo desenvolvimentismo desnacionalizador de JK e as possíveis possibilidades de reformas de base de João Goulart, a ordem daqueles dias era problematizar, questionar mesmo.
E um dos questionamentos passava pela posição que o país ocupava em relação ao desenvolvimento. Historicamente produtor de matérias primas agrícolas para atender ao interesse das chamadas metrópoles e subserviente culturalmente, buscava-se autonomia, uma "cultura brasileira" (com todos os problemas dessa definição).
Fonte desse período, a Canção do Subdesenvolvido, faz uma viagem pelas várias fases de exploração do Brasil - com direito a um gênero musical para cada período.
O refrão cola na mente:
"Somos um país subdesenvolvido, subdesenvolvido, subdesenvolvido, subdesenvolvido..."
Canção do Subdesenvolvido Carlos Lyra
O Brasil é uma terra de amores Alcatifada de flores Onde a brisa fala amores Em lindas tardes de abril Correi pras bandas do sul Debaixo de um céu de anil Encontrareis um gigante deitado
Santa Cruz...hoje o Brasil Mas um dia o gigante despertou Deixou de ser gigante adormecido E dele um anão se levantou Era um país subdesenvolvido Subdesenvolvido, subdesenvolvido, etc. (refrão)
E passado o período colonial O país passou a ser um bom quintal E depois de dar as contas a Portugal Instaurou-se o latifúndio nacional, ai! Subdesenvolvido, subdesenvolvido (refrão)
Então o bravo povo brasileiro Em perigos e guerras esforçado Mas que prometia a força humana Plantou couve, colheu banana.. Bravo esforço do povo brasileiro Mas não vi o capital lá do estrangeiro Subdesenvolvido, subdesenvolvido... etc. (refrão)
As nações do mundo para cá mandaram Os seus capitais tão "desinteressados" As nações, coitadas, queriam ajudar E aquela "Ilha Velha" não roubou ninguém
País de pouca terra, só nos fez um bem Um "big" bem, un "big" bem, bom, bem, bom Nos deu luz, ah! Tirou ouro, oh! Nos deu trem, ahhh! Mas levou o nosso tesouro Subdesenvolvido, subdesenvolvido... etc. (refrão)
Mas data houve que se acabaram Os tempos duros e sofridos Pois um dia aqui chegaram os capitais dos.. Paises amigos País amigo desenvolvido País amigo, país amigo
Amigo do subdesenvolvido País amigo, país amigo E nossos amigos americanos Com muita fé, com muita fé Nos deram dinheiro e nós plantamos Só café!
É uma terra em que plantando tudo dá Pode se plantar tudo que quiser Mas eles resolveram que nós iríamos plantar SÓ CAFÉ! SÓ CAFÉ!
Bento que bento é o frade - frade! Na boca do forno - forno!
Tirai um bolo - bolo! Fareis tudo que seu mestre mandar? Faremos todos, faremos todos...
Começaram a nos vender e nos comprar Comprar borracha - vender pneu Comprar madeira - vender navio Pra nossa vela - vender pavio Só mandaram o que sobrou de lá Matéria plástica, Que entusiástica Que coisa elástica, Que coisa drástica Rock-balada, filme de mocinho Ar refrigerado e chiclet de bola E coca-cola...!
Subdesenvolvido, subdesenvolvido... etc. (refrão)
O povo brasileiro tem personalidade Não se impressiona com facilidade Embora pense como americano Embora dance como americano Embora cante como americano Lá, lá, la, la, la, la Êh, êh, meu boi Êh, roçado bão O meior do meu sertão, thu, thu, thu Comeram o boi...
O povo brasileiro embora pense, dance e cante como americano Não come como americano Não bebe como americano Vive menos, sofre mais Isso é muito importante Muito mais do que importante Pois difere os brasileiros dos demais Personalidade, personalidade Personalidade sem igual Porém... subdesenvolvida, subdesenvolvida E essa é que é a vida nacional
A prova de Ciências Humanas e suas tecnologias trouxe uma
abordagem interdisciplinar interessante.
Das 45 questões, 19 poderiam ser resolvidas com
conhecimentos de Sociologia, o que considero importante por valorizar mais as
aulas dessa disciplina.
A citação de obras de pensadores clássicos, mais uma vez,
levou @ estudante a se aproximar da Filosofia. Maquiavel (comemorando 500 anos
de publicação d’O príncipe) esteve presente, Montesquieu, Kant, Descartes, Marx
e, interessante surpresa, Bentham.
A questão 37 (rosa) merece destaque por abordar a questão da
terra no Brasil a partir de duas visões de representantes de grupos que estão
em lados distintos: o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra e os
representantes do agronegócio. Mais uma vez o ENEM traz o elemento
problematizador da realidade social, uma vez que, ao expor dois
posicionamentos, leva @ estudante a superar as visões dicotômicas e muitas
vezes equivocadas acerca da questão da terra no Brasil e se ater ao
entendimento mais profundo, histórico, sociológico e mesmo filosófico da
questão.
As questões abordaram temáticas contemporâneas, como
movimentos sociais, especificamente os movimentos feminista e LGBTT - e sua
relação com a cidadania. As questões de gênero também estiveram presentes, o
que mostra um olhar sobre a situação social brasileira que corresponde ao
objetivo do ENEM.
Algumas questões suscitaram maior atenção dx fera, como por
exemplo a questão tratando da Morte na idade média e como a vida contemporânea
se relaciona com o fim da vida.
O conteúdo acerca da história cultural dos povos africanos
foi contemplado e uma questão merece ressalva positiva: a que aborda a memória
acerca do continente. Nela foram usadas referências a filmes que tem como ambiente África ou personagens
oriundos desse continente. Essa questão reivindicava que @ estudante
identificasse a representação equivocada que muitas produções veiculam como a
de que não há modernidade ou sequer humanos, caso da produção Rei Leão. Ponto para
o INEP.
Ainda em relação a
história cultural dos povos africanos e sua relação com o Brasil, a questão 42
(rosa), coloca no enunciado que o candomblé é de origem africana. O candomblé
não é de origem africana, mas de matriz cultural africana: não existe candomblé
em África. A diversidade cultural dos africanos trazidos para o Brasil e a
necessidade de cultuar suas divindades levou ao que foi definido como
sincretismo religioso e a criação dessa religião. Mas a questão trouxe a
relação África – Brasil no âmbito cultural, o que é muito positivo.
O uso de imagens nas questões também esteve presente no ENEM
2013, com charges e reprodução de fotografias além de infográficos. Para a área
de História, tivemos as questões (rosa) 19 e 33. A primeira tratando da aquisição
do direito de voto pelas mulheres e como foi a recepção nos lares brasileiros e
a segunda com as representações em pintura e fotografia dos ex-imperadores do
Brasil, D. Pedro I e D. Pedro II, respectivamente.
A república brasileira marcou presença em várias questões,
sendo uma que chama a atenção por, talvez, a possibilidade de gerar
dificuldades por exigir a lembrança de datas específicas para resolvê-la: a
número 28, acerca do bipartidarismo estabelecido pelo presidente Castelo
Branco, após o golpe civil-militar.
A prova, de maneira geral, traçou um caminho entre o médio e
o difícil. Requerendo d@s estudantes atenção para a leitura, a comparação de
pontos de vista e a leitura e análise de imagens.
Agora é só esperar a divulgação do gabarito oficial e as
provas da 2ª fase da UFPE e a prova da UPE.