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ARTIGOS

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sexta-feira, 7 de agosto de 2020

A PRECARIZAÇÃO DA VIDA EM "VOCÊ NÃO ESTAVA AQUI"

[ALERTA DE SPOILER]

- Você não é contratado aqui. Você vem “a bordo”. Dizemos que você “embarca”. Não trabalha para nós. Trabalha conosco. Não dirige para nós. Você realiza serviços. Não há contratos de emprego. Não há metas. Você atende aos padrões. Não há salários, e sim honorários. Está claro?

- Sim.

- Claro?

- Sim, sim. Me parece bom. Sim.

- Você não bate ponto. Fica disponível. Você assina conosco e se torna um motorista franqueado. Mestre do seu próprio destino, Ricky. Para separar os perdedores de merda dos guerreiros. Está disposto a isso?

- Sim. Estava esperando por uma oportunidade como essa há… muito tempo.

O diálogo acima é apresentado logo no início do filme “Sorry, we missed you”, do diretor Ken Loach, na versão brasileira, “Você não estava aqui”. Nele acompanhamos a história da família de Rick, trabalhador que realiza entregas na condição de motorista franqueado, um prestador de serviços, alguém que trabalha COM a empresa e não para a empresa.

De início o filme parece tratar do trabalho precarizado, trabalho marcado por excesso de cobranças sobre o “franqueado” e que aparecem como metas a serem atingidas, sendo que essas metas exigem esforços tremendos que vão desde a redução drástica de tempo para almoço até a realização das necessidades fisiológicas em uma garrafinha de plástico.

“Sorry, we missed you”, aborda mais do que isso: ele expõe a precarização da vida. Em outros tempos, o trabalho precarizado estava restrito a um local: a fábrica, a mina e produzia uma vida miserável, mas que, com muito esforço, podia se ter, em um espaço separado, um “oásis” caótico para se afastar. Esse “oásis” não existe mais. Foi ocupado, desertificado pelos capatazes do capital: aplicativos instalados em celulares, máquinas que registram as entregas e bipam loucamente avisando que o “franqueado” passou mais de três minutos sem se mexer.

Rick não trabalha em regime precarizado, apenas. A sua vida toda é precarizada: não consegue acompanhar o filho mais velho que apresenta problemas na escola e que realiza intervenções artísticas em paredes pela cidade. Ele representa a situação de milhares de jovens em idade escolar: a completa falta de perspectiva de vida.

Sua esposa teve que vender o carro para que Rick pudesse dar entrada na van para realizar as entregas e passou a usar o transporte público para exercer seu trabalho de cuidadora, sendo que esse trabalho é similar em seu funcionamento ao que o marido faz: ela recebe pelo tempo que está com a pessoa, no caso, o horário em que ela dá banho, veste, alimenta seus pacientes, o que a obriga a atender várias pessoas no mesmo dia para conseguir manter-se na linha de sobrevivência. Sem veículo próprio, o esforço para dar conta de tudo isso é muito maior.

O mundo da vida foi tomado pelo mundo do sistema, o que isso quer dizer? Que não há mais separação, não há mais barreiras que impeçam a dominação do capital sobre o que fazemos. Essa instância de dominação e violência é imperceptível, os problemas criados por esse regime de trabalho não são percebidos como tais. Naturalizados, são colocados como incompetência de quem trabalha ou preguiça mesmo, o que mostra a perversidade desse sistema, culpando a vítima que, paradoxalmente e contra a própria existência, defende aquilo que a mata. Estamos diante de uma ideologia suicidária.

A exploração do trabalho, do tempo, da vida de quem trabalha atingiu requintes de perfeição. A educação é precária, o que contribui para que se tenha mão-de-obra para tais serviços, uma vez que o horizonte de possibilidades para a maior parte da juventude em idade escolar é praticamente nulo e, se pensarmos em um país como Brasil, é só adicionar o sadismo estrutural das relações trabalhistas.

Essa precarização destrói homens e mulheres, que, brutalizados, tentam sobreviver. Não há educação, não há direitos trabalhistas, não há saúde. Tudo é insegurança. Até mesmo a lei, que em teoria deveria ser a mesma para todo mundo, mais do nunca, privilegia setores bem específicos da sociedade. Seria plausível pensar no estabelecimento de um “estado de natureza hobbesiano”. Tudo o que foi criado e conquistado coletivamente está sendo implodido para atender à utopia liberal.

Diante do imperativo da sobrevivência, qualquer vínculo mínimo é deixado de lado. Contingentes de seres humanos brigando entre si para vender seu tempo, suas forças, suas inteligências para companhias cada vez mais especializadas em cercar, extrair e extinguir essas vidas que só importam na medida em que servem para azeitar a máquina de moer gente do capital.

Quando Rick é roubado é que podemos ver essa máquina em ação: se ele não for trabalhar, a “parceria” está rompida e ele ainda tem que pagar pelos dias não trabalhados e mercadoria roubada, o que, na prática, supera muitas vezes o que é pago pelas entregas em dias de trabalho. Em uma das cenas mais revoltantes do filme, quando Rick está no hospital para receber cuidados médicos após o roubo, ele recebe a ligação do seu chefe (não denominado como tal) para avisá-lo do que pode acontecer se ele não voltar ao trabalho.

“Sorry, we missed you” é a exposição do que está por trás das entregas foguete, das entregas ultra rápidas: vidas violentadas, precarizadas e que não tem nenhuma importância para quem realmente é beneficiado: os donos dessas empresas. Ao final, Rick decide fazer a única coisa que é possível em sua condição: voltar ao trabalho mesmo destruído física e mentalmente, afinal o deus boleto requer sacrifícios que não podem esperar. Para quem assiste fica a lembrança do que está por trás daquela compra mais barata e de entrega mais veloz: sangue, pranto e ranger de dentes. Se você não for parte dos que lucram com trabalhos como o de Rick, então, união e solidariedade nunca foram tão subversivas e necessárias.

TEXTO ORIGINALMENTE PUBLICADO EM PROJETO MÍMESIS

em 16.junho.2020 

 

domingo, 30 de agosto de 2015

ENEM - HISTÓRIA - GUERRA FRIA, CONTESTAÇÕES E REGINALDO ROSSI

O século XX é considerado como o século dos extremos, o século que, mesmo tendo cem anos, parece ter durado menos. Essa perspectiva relaciona-se ao fato de ter sido um período de intensas situações. Entre os acontecimentos que contribuíram para o século XX ter essa alcunha estão as guerras.

Só na primeira metade foram duas que foram registradas como mundiais. A partir da segunda metade (1945) foi iniciada a Guerra Fria, caracterizada pelo conflito principalmente ideológico que produziu algumas guerras dentre as quais destaca-se a guerra do Vietnã. Esta guerra movimentou muitas pessoas, tanto para guerrear quanto para contestar sua realização, sua continuidade.

Nessa contestação, destacaram-se jovens - os hippies - entre outras/os que evidenciaram a negação dos horrores da guerra e também o conflito de gerações.

Em 1967, o cantor Reginaldo Rossi gravou Mexerico dos Quadrados, que expõe questionamentos à ordem vigente que não aceitava as atitudes juvenis, que deixavam os cabelos crescerem, trajavam calças jeans e se recusavam a participar das maquinações de um mundo marcado pela barbárie.

Mostra para nós como a produção cultural sofre influências do contexto histórico, social no qual vive o/a artista.

Música é história.


#penseFORADACAIXA

MEXERICO DOS QUADRADOS

Seria bom que eles deixassem
De falar tanto da nossa geração
Seria bom que eles lembrassem
No tempo deles, quanta confusão

Ninguém tinha cabelo comprido
Mas em compensação eu nem sei por que
Fizeram duas guerras sem nexo
Enquanto que o meu mal é só dançar yê, yê, yê

Se uso a minha calça apertada
Isto não quer dizer que eu seja tantã
Talvez eu esteja com medo
Que me ponham na guerra do vietnã

O mundo será bem melhor
Quando todos eles entenderem que

É bom usar calça apertada
Usar cabelo grande e dançar yê, yê, yê

Usar a calça bem apertada
O cabelo bem grande e dançar yê, yê, yê

sexta-feira, 5 de junho de 2015

ENEM | SOCIOLOGIA - IDEOLOGIA, MARX E ÓCULOS ESCUROS

Sabe óculos? Existe uma grande variedade deles para todas as situações: óculos de sol, óculos para quem tem dificuldade para enxergar o que está longe; óculos para quem tem dificuldade de enxergar o que está perto; óculos para quem tem problemas em enxergar de longe e de perto; óculos escuros, óculos de sol etc.

Assim como os óculos , as ideologias são variadas e atendem aos mais diversos interesses e necessidades. Cada óculos serve a uma determinada finalidade e as ideologias também.

Elas garantem a manutenção da ordem social assim como podem ser os impulsionadoras das mais intensas transformações sociais, políticas, culturais etc.

Saiba mais nessa aula sobre ideologia e se inscreva no nosso canal, curta nossa página feicebuquiana.

https://www.facebook.com/supersupersociologia

#discordiaSEMPRE | #SuperSociologia |


terça-feira, 21 de abril de 2015

ENEM - HISTÓRIA - GOLPE DE 1930, GILBERTO GIL E A LUTA CONTRA A LATA


Entre os conteúdos de História para o ENEM, podemos listar o século XX, a República brasileira são presenças quase que 100% certas.

Entre os conteúdos de República do Brasil, a Era Vargas aparece vez em sempre.

É fundamental lembrar que Vargas assumiu a presidência do país sem ser eleito pelo voto popular. Ele deu um golpe mesmo, uma vez que havia sido derrotado nas eleições pouco antes.

Mas deve-se entender o golpe de Vargas também em um contexto de transformação das forças produtivas que estava em curso no Brasil.

A música de Gilberto Gil, A luta conta a lata ou a falência do café, narra essa situação magistralmente. Nela encontramos o barão do café que resiste, o crescimento do proletariado, a industrialização avançando pelos "quintais do mundo" e a guerra contra a mudança (na ordem política que vem com a mudança econômica).

Escute, entenda, problematize.

pense FORA DA CAIXA

A LUTA CONTRA A LATA ou A FALÊNCIA DO CAFÉ

Alô, mulatas! Alô, alô, mulatas!
O barulho que vocês estão ouvindo é um barulho de latas!
De latas! Eu disse: "Latas! Latas!"

O exército de latas mil do inimigo
Tomou de assalto as prateleiras e os balcões
Em nome das plebéias chaminés plantadas
Em nossos quintais

Palavras proferidas por um velho dono
De terras roxas de uma vasta região
Em nome das grã-finas tradições plantadas
Em seu coração

(Café! Café! Café! Café!)

Chaminés plantadas nos quintais do mundo
As latas tomam conta dos balcões
Navios de café calafetados
Já não passeiam portos por ai

Rasgados velhos sacos de aninhagem
A grã-finagem limpa seus brasões
Protege com seus sacos de aninhagem
Velha linhagem de quatrocentões

Os sacos de aninhagem já não dão
A queima das fazendas também não
As latas tomam conta do balcão
Vivemos dias de rebelião

Enlate o seu café queimado
Enlate o seu café solúvel
Enlate o seu café soçaite
Enlate os restos do barão

A lata luta com mais forças
Adeus, elite do café
Enlate o seu café solúvel
Enquanto dá pé


Super Sociologia




segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

RELAÇÕES ESPAÇO-TEMPO NO ESTUDO DE HISTÓRIA PARA O ENEM

Ao estudar História para o ENEM, deve-se ter em mente a superação de nomes e datas e desenvolver a habilidade de relacionar fatos, situá-los em contextos que são determinados temporal e espacialmente. 



Exemplo: ao tratarmos do tema VIOLÊNCIA CONTRA MULHERES deve-se:

1. IDENTIFICAR O TEMPO - ano de 2015 e no final do século XIX

2. SITUAR OS LOCAIS - pode ser o mesmo local nos períodos de tempo citados ou locais diferentes

3. IDENTIFICAR as semelhanças (se houver) e as diferenças (geralmente há)

4. IDENTIFICAR as mudanças e permanências

5. COMPREENDER os motivos de manutenção e mudança

6. SEMPRE PROBLEMATIZAR o conhecimento adquirido pois os fatos não mudam mas o olhar para eles, sim

Pense FORA DA CAIXA


segunda-feira, 26 de março de 2012

CONTEÚDO ENEM 2020 - CIÊNCIAS HUMANAS E SUAS TECNOLOGIAS

Estudantes, eis o programa referente ao que vocês devem estudar para o ENEM 2020 em Ciências Humanas.

Prepare-se!

• Diversidade cultural, conflitos e vida em sociedade
o Cultura Material e imaterial; patrimônio e diversidade cultural no Brasil.

o A Conquista da América. Conflitos entre europeus e indígenas na América colonial. A escravidão e formas de resistência indígena e africana na América.

o História cultural dos povos africanos. A luta dos negros no Brasil e o negro na formação da sociedade brasileira.

o História dos povos indígenas e a formação sócio-cultural brasileira.

o Movimentos culturais no mundo ocidental e seus impactos na vida política e social.

• Formas de organização social, movimentos sociais, pensamento político e ação do Estado
o Cidadania e democracia na Antiguidade; Estado e direitos do cidadão a partir da Idade  Moderna; democracia direta, indireta e representativa.

o Revoluções sociais e políticas na Europa Moderna. o  Formação territorial brasileira; as regiões brasileiras; políticas de reordenamento  territorial.

o As lutas pela conquista da independência política das colônias da América.

o Grupos sociais em conflito no Brasil imperial e a construção da nação.

o O desenvolvimento do pensamento liberal na sociedade capitalista e seus críticos nos séculos XIX e XX.

o Políticas de colonização, migração, imigração e emigração no Brasil nos séculos XIX e XX.

o  A atuação dos grupos sociais e os grandes processos revolucionários do século XX: Revolução Bolchevique, Revolução Chinesa, Revolução Cubana.

o Geopolítica e conflitos entre os séculos XIX e XX: Imperialismo, a ocupação da Ásia e da África, as Guerras Mundiais e a Guerra Fria.

o Os sistemas totalitários na Europa do século XX: nazi-fascista, franquismo, salazarismo e stalinismo. Ditaduras políticas na América Latina: Estado Novo no Brasil e ditaduras na América.

o  Conflitos político-culturais pós-Guerra Fria, reorganização política internacional e os organismos multilaterais nos séculos XX e XXI.

o  A luta pela conquista de direitos pelos cidadãos: direitos civis, humanos, políticos e sociais. Direitos sociais nas constituições brasileiras. Políticas afirmativas.

o Vida urbana: redes e hierarquia nas cidades, pobreza e segregação espacial.

• Características e transformações das estruturas produtivas
o  Diferentes formas de organização da produção: escravismo antigo, feudalismo, capitalismo, socialismo e suas diferentes experiências.

o  Economia agro-exportadora brasileira: complexo açucareiro; a mineração no período colonial; a economia cafeeira; a borracha na Amazônia.

o  Revolução Industrial: criação do sistema de fábrica na Europa e transformações no processo de produção. Formação do espaço urbano-industrial. Transformações na estrutura produtiva no século XX: o fordismo, o toyotismo, as novas técnicas de produção e seus impactos.

o A industrialização brasileira, a urbanização e as transformações sociais e trabalhistas.

o  A globalização e as novas tecnologias de telecomunicação e suas conseqüências econômicas, políticas e sociais. o  Produção e transformação dos espaços agrários. Modernização da agricultura e estruturas agrárias tradicionais. O agronegócio, a  agricultura familiar, os assalariados do campo e as lutas sociais no campo. A relação campo-cidade.

Passe adiante.

Pense FORA DA CAIXA.

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