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ARTIGOS

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sábado, 10 de janeiro de 2015

REGULAÇÃO DA MÍDIA - PARTE 2 de 3 - O CASO CHARLIE HEBDO

Tratar de censura é tratar de um dos pontos de apoio do regime democrático: a LIBERDADE DE EXPRESSÃO.

A liberdade de expressão se concretiza a partir da liberdade que, em sociedade, se deve ter de pensar o que quiser, acreditar no que bem entender (e que faz bem a quem acredita) inclusive religiosamente.

Simplificando: quanto maior a possibilidade de alguém se expressar, mais democrática é uma sociedade. Há, porém, um elemento gerador de conflito: a responsabilização sobre o que se expressa.

É assim: a vida em sociedade é marcada pelo conflito de interesses e necessidades e o Estado deve (ou deveria) administrar esses conflitos. No caso do jornal Charlie Hebdo, há a liberdade de expressar o que se deseja, o que se acredita ser correto (para quem expressou) entrando em colisão com a liberdade de pensamento.

A liberdade de pensamento está sustentada no tripé: liberdade de consciência, liberdade de crença e liberdade de convicção religiosa (por mais que haja discordância na forma com que se crê ou em que parte se está crendo).

As charges publicadas pelo jornal (representando a liberdade de expressão) colidiram com uma parte do Islamismo e veio a reação defendendo a crença dessa parte que, de maneira alguma, representa todas as pessoas que são adeptas da religião muçulmana. Nesse âmbito está o conflito de dois direitos fundamentais.

Entrando no mundo do "E SE...?" talvez se o Estado francês tivesse intervido quando foram publicados os primeiros cartuns, a situação não teria chegado ao que chegou (mas disso também não sabemos pois é o mundo do "E SE...?")

Regular a mídia não é censurá-la mas ter formas de garantir que ela cumpra uma de suas funções sociais e monopolizar a veiculação de informações, disseminar ou contribuir para a propagação de violências, com certeza, não é uma delas.


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sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

SOBRE O ATENTADO CONTRA O JORNAL E CARTUNISTAS MORTOS

Com o atentado contra o jornal Charlie Hebdo, voltou para as redes sociais o uso de palavras-chave como liberdade de expressão, censura, ditadura e afins. Como estamos no calor dos acontecimentos, fica difícil ver em perspectiva tanto as reações em favor de quem assassinou quanto dos que sofreram os ataques.

Um ponto que se deve considerar é que não há assassinato justificável ou sequer passível de justificativa, mesmo parcial. Fossem as vítimas de qualquer grupo, instituição, classe social, vinculação religiosa, assassinato sempre será condenável.

Chama atenção o fato de que não se está considerando as atividades anteriores do jornal, que foram marcadas por muita polêmica. O jornal foi fundado nos anos 1970 e articulou-se tecendo críticas pautadas no esquerdismo pós maio de 1968.

O Charlie Hebdo ganhou mais projeção publicando charges ofensivas contra muçulmanas/os a partir do século XXI. Os atentados deste início de 2015 podem ser vistos como uma "resposta" contra as várias charges ofensivas ao Islamismo.

Abra o seu coração: imagine você, religiosa/o ter a divindade em que você crê sendo retratada de maneira depreciativa? Como você se sentiria? Com raiva? Chateada/o?

MAIS UMA VEZ: Não se está fazendo apologia aos assassinatos acontecidos na França, mas chamando atenção para um discurso que quer legitimar um tipo de liberdade de expressão que está assentado no desrespeito ao que não é parte do hegemônico (judaico-cristão, branco, heteronormativo).

O que se busca aqui é a inserção de elementos para auxiliar no debate fora do que se vê de imediato.

A imagem ao lado pode ajudar a repensar o discurso geral. Se coloque no lugar de muçulmanos/as e tente compreender como há uma conjuntura que não favorece nenhum dos lados, mas amplia a mortandade e o desrespeito.

(em tempo: já há discursos usando o atentado como exemplo do que acontecerá se ocorrer a regulação da mídia (!!!) )

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