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ARTIGOS

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quarta-feira, 14 de junho de 2017

ESQUEMA MONSTRO - VISÃO DE MUNDO RACISTA

Pensar o racismo, e especificamente o racismo antinegro, é compreender as estruturas que promovem e sustentam a manutenção e reprodução de uma visão de mundo discriminatória, que atribue uma posição social de inferioridade a uma população tendo como ponto de partida a origem étnica, a cor da pele, a fibra do cabelo e as criações culturais.

Racismo antinegro (ou qualquer outra visão de mundo inferiorizante) não é essencial. O que isso quer dizer? Que não se nasce racista, machista, homofóbico e nem respeitador ou respeitadora das diferenças, porque tanto uma atitude quanto a outra são parte do processo de socialização que é iniciado quando se nasce e é afirmado durante toda a vida das pessoas.

Assim, durante a vida somos educadas, de maneira implícita, a inferiorizar pessoas a partir de características ligadas a expressões afro-brasileiras. Quando alguém é acusado de racismo, deve levar em consideração, antes de reagir negando que seja, que foi educado em um processo de socialização que inferiorizou – e inferioriza – pessoas de um grupo étnico inteiro e a maior parte das suas formas de estar e viver e que assim como essas estruturas foram construídas, precisam ser desconstruídas social e culturalmente.


Pense nisso. 

VEJA TAMBÉM:

domingo, 4 de janeiro de 2015

GOD OF WAR, CANDOMBLÉ E PROTECIONISMO RELIGIOSO


Uma das frases mais repetidas é: "religião não se discute". E vem acompanhada das seguintes: "política e futebol também não".

No programa domingão do faustão do dia 04 de janeiro de 2015, em um quadro denominado saco de risadas, quem assistiu pôde ver três comediantes "alegrando" espectadoras/es e telespectadoras/es, sendo um deles vestindo indumentária e afirmando ser a divindade Yemanjá, do panteão afro-brasileiro.

Impressiona a falta de respeito com a crença que não é judaico-cristã, que foi caracterizada como invejosa, briguenta e num dos momentos de maior desrespeito, quando tenta agredir uma das bailarinas do faustão, ela "planta bananeira" e é retirada do palco, podendo se ver quando um dos comediantes que participava da cena chutar aquele que se designava como a divindade.

A intolerância religiosa deve ser combatida em todas suas manifestações. Da mesma forma que se busca respeito para as divindades religiosas afro-brasileiras, também deve-se contestar representações depreciativas de padres, freiras, pastores, papas e qualquer manifestação que esteja atrelada a fé que se professa.

Pense além: qualquer representação, seja em imagens, canções etc,do deus judaico-cristão é logo tachada de herege, pede-se que seja retirada do ar, das bancas, pensa-se até em processar juridicamente.

Mas aqui pergunto: e God of War? Aquele jogo muito famoso e que retrata várias divindades gregas bem violentas, perversas e afins? Ainda que haja uma indústria cultural que ganhe e muito com o jogo, devemos considerar que são parte da religiosidade de um povo. (aqui não trataremos das metamorfoses sofridas pela religiosidade grega, mas fica o ponto para você pesquisar, ok? ;) )

Apenas pense mais um pouco: quando se trata da religiosidade judaico-cristã, a depreciação, o desrespeito raramente atingem o deus supremo, ficando restrito aos papas, padres, pastoras, freiras. No caso das religiões afro-brasileiras, o ataque é direcionado aos deuses e deusas - as/os próprias/os.

É tão naturalizado que nem se notam essas práticas discriminatórias que vão desde palavras até jogos, aparentemente, inofensivos.


Aqui você confere uma montagem que foi feita sobre uma parte da Capela Sistina pintada por Michelângelo e que mostra o personagem do jogo God of War se preparando para atacar a representação católica de deus. Muita polêmica causou e ainda causa. A outra foto mostra o momento de desrespeito exibido em rede nacional no domingão do faustão.

pense FORA DA CAIXA    #penseFORADACAIXA

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

CABELO


Eis um tema polemico. Estética e politicamente.

 As recentes notícias acerca de discriminações ligadas ao cabelo estilo black power chamam atenção pela violência com que atingem os mais indefesos: as crianças e jovens. Quando uso o termo indefeso entenda no sentido de maior dificuldade de reação perante atitudes que atingem diretamente uma parte de seu corpo que nasceu com essa criança, que nasceu com essxs jovens.

A partir dos acontecimentos e suas repercussões, vale pensar acerca de alguns pontos:


1. NÃO COMEÇOU A ACONTECER AGORA. Essas discriminações acontecem há décadas no Brasil e noutros locais que tenham população afrodescendente. O que está acontecendo agora é a denúncia, é a exposição desses casos na mídia. Pode-se concluir, a partir daí, que as famílias dessas crianças estão um pouco mais conscientes da violência que é “solicitar” que seus filhos e filhas cortem ou alisem seus cabelos, pois não estão dentro do padrão veiculado, porque geram “distração”, mas que é imposto pela ideologia dominante;


2. NÃO, NÓS NEGROS NÃO SOMOS RACISTAS CONOSCO. Presente em qualquer situação que envolva denúncia de racismo, a afirmação que somos racistas conosco é carregada de discurso que culpabiliza a vítima pelo crime que sofreu.


Pense na seguinte situação: desde a mais tenra idade você escuta que ter a pele clara é sinônimo de incompetência, de desastre, de muitas coisas ruins. Você vai querer ser parte do que a sociedade considera escória? O motivo das piadas pela clareza de sua pele ou pelo alisado de seu cabelo? Provavelmente não, pois não queremos ser relacionados a coisas ruins.


Se você entendeu o que está escrito acima, faça o seguinte exercício: substitua a pele clara pela negra e você vai compreender as razões de comentários racistas oriundos de negrxs contra negrxs e, POR FAVOR, PARE DE NOS CULPAR POR UM RACISMO QUE NOS FOI INCUTIDO DESDE A INFÂNCIA PELOS GRUPOS QUE CRIAM E MANTEM A IDEOLOGIA RACISTA EM NOSSA SOCIEDADE;


3. NÃO É A CRIANÇA QUE TEM QUE CORTAR O CABELO, SÃO XS PROFESSORXS e COLEGXS QUE TÊM QUE CORTAR O PRECONCEITO. No caso da estudante estadunidense foi solicitado que ela cortasse o cabelo, pois estava sendo uma “distração” para xs colegas da classe. Interessante salientar que a solicitação foi feita após a mãe da jovem ter reclamado das agressões verbais que a filha estava sofrendo devido ao estilo capilar.


Acompanhe o raciocínio:


Então, as outras crianças agridem verbalmente minha filha pelo cabelo dela, eu, enquanto pai, vou cobrar atitude da escola (instituição que, em teoria, deveria educar) e a solução é cortar o cabelo da minha filha ao invés de educar xs colegxs de classe para que respeitem a colega delxs?


Ampliemos o raciocínio:


a. Se temos idosxs sendo atropelados ao atravessarem a rua, proibamos xs idosxs de atravessá-la ao invés de colocarmos uma faixa de pedestres ou um semáforo;


b. se tenho meu telefone roubado enquanto falo com alguém, a culpa é minha: quem mandou usar o telefone comprado com o suor de meu trabalho em um mundo marcado pela violência. É o pensamento de muita gente ao invés de pensar no modelo de produção de bens e ampliador da desigualdade social além de incentivador de consumo de produtos que muitos não podem adquirir;


c. uma criança é atraída por um pedófilo e por ele é atacada. Vamos proibir as crianças de brincarem nas praças, praias, parques ou mesmo de usarem computadores ao invés de elaborarmos ações contra a pedofilia e mesmo revermos a sensualização infantil precoce que toma conta de programas de TV, comerciais, telenovelas, filmes, canções;


Se você achou esses raciocínios acima exagerados, é exatamente esse exagero que está sendo aplicado no caso dessas crianças e jovens com cabelo black power. “Solicita-se” que elas cortem/alisem o cabelo ao invés de educar para a diferença e para o combate a desigualdade.


Mais do que isso: para elas é passada a responsabilidade por uma situação de preconceito e racismo que se quer fazer passar como “regras da escola para evitar a distração”. Analisando pelo viés do processo histórico da sociedade brasileira, é parte do “jeitinho brasileiro” aplicado às questões étnicas: não digo que foi racismo, mas envergo o olhar para o discriminado e o faço crer que ele é o responsável pela visão enviesada que eu tenho dele.


No momento em que esses acontecimentos aparecem com mais frequência nas mídias, deve-se alegrar e indignar ao mesmo tempo, pois é uma prova de que não se aceitam mais as repressões em silêncio e se indignar por elas ainda acontecerem.


Mais do que alegrar e indignar, devemos, TODXS agir contra discriminações de qualquer natureza, etnia, tipo capilar. Não é fácil, mas é simples: começa não acatando em silêncio.
Pense FORA DA CAIXA.
Tenha HISTÓRIA NA CABEÇA.