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ARTIGOS

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

ESQUEMA MONSTRO SOCIOLOGIA - Instituições Sociais

Quando nascemos iniciamos o processo de socialização, ou seja, o processo através do qual aprendemos como devemos viver em sociedade.

Desde a maneira de expressar dor, alegria, prazer até as reações diante das situações do cotidiano são parte do processo de socialização que tem várias instâncias. Essas instâncias são produzidas, mantidas e reproduzidas pelas INSTITUIÇÕES SOCIAIS.

INSTITUIÇÕES SOCIAIS são o conjunto de normas, regras, atitudes, comportamentos que devemos seguir e que são elaborados e reproduzidos através da família, das religiões, da educação e do Estado.

Cada uma atua individualmente mas em relação com as outras.

Eis o ESQUEMA MONSTRO - INSTITUIÇÕES SOCIAIS com as informações iniciais para você compreender o que são e como agem.

Passe adiante.

Pense FORA DA CAIXA


sábado, 11 de outubro de 2014

ESQUEMA MONSTRO MOVIMENTOS SOCIAS



Passe adiante.

Pense FORA DA CAIXA.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

DILMA, AÉCIO, O POVO BRASILEIRO & EU

 Professor, o senhor não vai votar em Dilma, não, né?

Professor, o senhor é comunista, é?

Professor, o senhor é anarquista? Defende os black blocs?

Vixi, professor! O senhor é desses que querem que todo mundo seja pobre, é?

Essas perguntas e outras muito parecidas fazem parte do cotidiano de professoras/es de História, Filosofia, Sociologia, Geografia ou de qualquer professor/a que demonstre algum engajamento com questões sociais.

Como estamos em período eleitoral é aí que a situação fica mais tensa. As conversas políticas – sobre políticas – tomam conta da sala de professoras/es chegando até as salas de aula. Um prato cheio para pesquisas sócio-antropológicas devido aos posicionamentos mais contraditórios, incoerentes, divergentes e, por que não dizer, bizarros de quem, em teoria, deveria contribuir para o desenvolvimento do pensamento crítico de dezenas de estudantes.

Um entendimento equivocado do que escreveu Paulo Freire leva muitxs professorxs a doutrinarem suas turmas afirmando que tal ou qual candidata/o é o melhor para o país. Por mais ansioso que esteja, por mais preocupado que me sinta em relação ao futuro do Brasil, não tenho o direito de forçar minhas turmas a verem o mundo da maneira que eu vejo.

Tenho a obrigação de expor para as turmas as possibilidades de posicionamento político, devo lhes garantir contato com a  instrumentação teórica para problematizar a realidade social e DESNATURALIZAR raciocínios que contribuem para a manutenção de desigualdades.

É válido considerar que muitos países considerados por muitas pessoas deste Brasil como exemplos a serem seguidos tem políticas públicas de transferência de renda como as que estão sendo ampliadas pelos governos do PT, sendo estas inclusive vistas com bons olhos lá fora.

Por determinadas classes sociais e grupos de mídia é que há ações de depreciação ao que está sendo implementado. Não é novidade: há alguns anos, Brizola enfrentou oposição ferrenha desses grupos e ele também era respeitado “no estrangeiro”.

Algumas críticas repetem a cantilena de que o Brasil parou de crescer, que a inflação está fora de controle. Usando o raciocínio que aplico em sala de aula me pergunto quantas dessas pessoas sabe exatamente de que crescimento econômico se está falando, como ele afeta a vida delas e uma, bem importante: quantas sabem O QUE É INFLAÇÃO?

Algumas afirmam que a economia vai mal, mas eu pergunto: como pode ir tão mal uma economia que garantiu que o Risco Brasil (explicando: é o nível de risco de investimentos no país por parte “do estrangeiro”) caísse de 1446, em 2002, para 224 em 2013?

Vamos aos bancos: o Banco do João, da Maria, do Antonio e do Pedro – do Brasil teve rendimento de dois bilhões de reais em 2002 e, ano passado, de 15,8 bilhões de reais. E o banco dos poupançudos, a Caixa, em 2002 teve lucro de 1,1 bilhão de reais e, ano passado, foram 6,7 bilhões de reais de lucro.

Lei básica do liberalismo clássico, aquele de Adam Smith, oferta e procura: em 2002 foram produzidos 1,8 milhões de veículos. Ano passado: 3,7 milhões de motorizados. Se há produção é porque há demanda.

Mas você poderá dizer que tá difícil a vida do empresariado nacional, então, sobre falências: FHC – 25.587, Lula e Dilma – 5.795, em média.

Decidi expor esses dados não mencionam as questões sociais. O motivo: esse texto está direcionado para a população que não é rica (os chamados pobres de direita ou pobres conservadores), pois anseiam serem ricos e desprezam a própria condição.

O governo do PT não foi socialista, nem foi comunista. Aplicou elementos de capitalismo que os dados mostram. Não apresento argumentos emocionais, apresento dados com o objetivo de reduzir as argumentações em favor de Aécio porque a economia vai mal, tem muita empresa falindo etc, etc.

Mas você pode querer tratar das políticas públicas e abordar os problemas que os programas assistenciais tem. Ok, vamos lá: políticas públicas existem para colocar em funcionamento o que a Constituição estabelece, pois, o fato de estar no texto da Carta Magna que o governo deve garantir saúde, educação de qualidade não quer dizer que estas serão implementadas. É aí que são elaboradas as políticas públicas, para se fazer cumprir a Lei.

São perfeitas? Não, mas a política é o campo do que sempre está em construção. Querer que políticas públicas sejam perfeitas é uma ingenuidade. E parte dessa ingenuidade foi embora quando vieram ao conhecimento público o mensalão e outras denúncias de corrupção. O PT decepcionou, sim, mas a causa é maior que qualquer partido.

Muitas pessoas que apoiavam ou militavam pelo PT saíram do partido – com todo direito – e se transformaram em antipetistas viscerais, chegando ao ponto de apoiar Aécio e cia limitada. Têm todo direito disso, mas me incomoda identificar pouca maturidade política para lidar com essa frustração.

A causa é maior que qualquer partido. Lembro que quando foram denunciados os crimes de Stálin ocorreu uma grande saída de membros do Partido Comunista, incluindo grande nomes da literatura e da política brasileira. Marighella, que foi assassinado durante o regime civil-militar, afirmou que deveriam os socialistas ficarem e reformarem o Partido e não abandonarem a causa – que não é uma ou duas pessoas, muito menos um partido.

Sigo essa postura de Marighella. E é por segui-la que escolho Dilma, porque o projeto que ela deu continuidade é o que mais realizou as mudanças sociais que eram necessárias para a vida de centenas de pessoas. O grupo de Aécio, historicamente, não teve essa sensibilidade.

Pense FORA DA CAIXA.


SONHAR - Tom Zé




Sonhar o pão
Toda a manhã
E ser aquele que mastiga
Sonhar o gosto
Do alimento
Se misturando na saliva
Aquele aroma
Que a gente sente
Pó de café na água quente
Sonhar escola
Senhor São Bento
Sonhar o tal discernimento
Sonhar a besta
Que em seu fastio
A fúria do começo viu
Sonhar o fogo
Do quilarão
Que veio do ainda-não
Gratia plena
Vida terrena
O céu aqui a gente pare
Filii tui
Na via crucis
Per mare nostrum navigare
Iê iô
Ié quá foguê
Sonhar a porta
Da esperança
O entra e sai da vizinhança
Sonhar o curso
Do marinheiro
Que viajou o mundo inteiro
Sonhar a lenda
Por cuja fenda
Sabedoria nos assalta
Sonhar o mito
Que em todo o rito
O filho ao parricídio ata
Iê, iô
Ié quá foguê (Bis)
De San Juãããã
ão dá dó de

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

SOBRE SOCIOLOGIA 1: Contexto histórico de seu surgimento



O momento que pode ser considerado o nascimento da Sociologia como ciência é o século XIX. Este século foi marcado por profundas transformações nas estruturas sociais, políticas, econômicas e culturais, tanto da Europa ocidental quanto do Brasil. Para o nosso interesse inicial, o que aconteceu na Europa terá um espaço maior.

Historicamente, o século XIX vivenciou o que foi designado como a Era das Revoluções. Revolução pode ser entendida como uma mudança radical, profunda. Para o que nos interessa, duas áreas foram especialmente afetadas momento: economia e política.

Tratemos de cada uma dessas áreas:

a. economia: a REVOLUÇÃO INDUSTRIAL inglesa transformou radicalmente a maneira de produzir bens e distribuí-los, assim como a prestação de serviços; o modo de produção capitalista consolidou a divisão do trabalho em donos dos meios de produção e força de trabalho, gerando, através do trabalho nas fábricas, uma grande quantidade de operários explorados. Não apenas operários explorados como os que não foram integrados ao novo modelo, passaram a viver em péssimas condições de vida. Essa massa passou a ser vista como perigosa em potencial. É nessa sociedade que revoltas aconteciam e chamavam a atenção e geravam a necessidade de pensar sobre o que acontecia. Até aquele momento nenhuma das ciências humanas havia dado conta do que acontecia.

b. política: a REVOLUÇÃO FRANCESA, em 1789, alterou a política da França e repercutiu em outros locais da Europa ocidental e da América. A Revolução Francesa levou a burguesia para o comando da vida política francesa e com ela as idéias liberais. Foram criticadas a velha ordem política do Antigo Regime, o Estado Moderno, as estruturas feudais que ainda existiam.

Nessa conjuntura de transformações políticas e econômicas, devemos considerar que mesmo tendo origem nestes ramos, expandiram-se alterando praticamente a sociedade inteira. Suas repercussões se estenderam até o século XIX e é nesse contexto que apareceram as primeiras tentativas de reflexão acerca da sociedade, com maior cientificidade.

 Acesse o link e baixe o ESQUEMA MONSTRO - SURGIMENTO DA SOCIOLOGIA


Pense FORA DA CAIXA






quinta-feira, 2 de outubro de 2014

LIBERDADE DE EXPRESSÃO / DIREITO À INFORMAÇÃO

 É comum afirmar-se que liberdade de expressão é direito de poder dizer qualquer coisa sobre qualquer pessoa ou instituição. Deve-se levar em consideração que qualquer expressão gera repercussões - que podem ser benéficas ou não.

A partir do momento que há liberdade de expressão deve haver também responsabilização pelo que se expressa, uma vez que o que é expresso pode incitar tanto atitudes de compaixão quanto crimes de ódio, atos de intolerância, que são danosos para o convívio em sociedade e para a própria democracia.

No link abaixo você pode baixar arquivo PDF com pontos básicos, fundamentais acerca da liberdade de expressão e do direito à informação.

Baixe.

Estude.

Compreenda.

Questione.

Compartilhe.

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MATERIAL LIBERDADE DE EXPRESSÃO / DIREITO À INFORMAÇÃO AQUI


quarta-feira, 1 de outubro de 2014

MÍDIA E AGENDAMENTO DO QUE SE FALA E PENSA SOBRE POLÍTICA E POLÍTICAS/OS

Em recentes exibições, o jornal nacional da rede Globo de televisão entrevistou as candidatas e os candidatos ao cargo de presidente da república tupiniquim e o que chamou atenção logo de início foi a virulência do posicionamento de seu apresentador Willian, o Bonner.

Com ataques celebrados por muitas/os telespectadoras/es, pudemos ver constrangimentos de várias ordens. Ele, o Bonner, pontuou desde obras ampliadoras de valor de terras, passando por nepotismo e questionamento da eficiência em escolher "pessoas certas" para cargos de confiança.

Palmas! (ecoaram de vários locais do país) e vaias também (de pessoas que lidam com jornalismo com alguma seriedade).

É fundamental que se procure pensar acerca desse posicionamento aparentemente justiceiro e correto do telejornal - e, por extensão, da emissora.

O que seria mais produtivo politicamente seria o direcionamento da suposta entrevista para a apresentação dos projetos de cada concorrente. Se era para intervir na fala que fosse para pedir a quem fala que parasse de "vender o peixe" falando de si ou do que antecessores abruptamente tirados do pleito fizeram.

A exposição detalhada dos planos de governo ampliaria a percepção acerca da/o candidata/o.

"Esfregar" na cara que houve corrupção, nepotismo, valorização de terras familiares em nada contribui para mudanças efetivas na política, apenas reforça a ideia de que a política nacional é território de pessoas mais interessadas em suplantar o interesse público pela satisfação das necessidades particulares.

Assim, posturas "justiceiras", supostamente defensoras dos interesses da nação podem ser entendidas mais como um posicionamento que objetiva alçar a imprensa como legítima defensora da moralidade na política, afinal, quando necessário ela "colocou o dedo na cara" de corruptas/os.

Programas de TV como o CQC, da rede Bandeirantes, a do Tas, contribuem tanto quanto a postura do William, o Bonner para agendar a sociedade no fortalecimento da postura contrária a qualquer política, inclusive a partidária (principalmente esta).

É uma forma simples de pensar, mas difícil de se levar em conta: se efetivamente todas as pessoas envolvidas em política fossem desonestas, mal teríamos avançado em pontos básicos da vida social.

Tanto o telejornal, o nacional, quanto o pseudo-jornalístico-humorístico CQC contribuiriam muito mais para a sociedade se "remassem contra a maré" e mostrassem para suas audiências que há pessoas honestas para quem a política é o que pode garantir mudanças, para além do interesse particular.

Contribuiria inclusive para a formação de muitas/os colegas de profissão que, por vários motivos, acreditam piamente que telejornais, determinadas revistas ditas de informação são propagadoras de verdades.

E aos estudantes, bem, para estas/es, ainda haveria possibilidades de formação crítica para além da crítica por criticar.

Logo abaixo você pode assistir ao esquete da cia de comédia Os Melhores do Mundo que trata de política e eleições. Pode ser ferramenta interessante para rever alguns raciocínios.

Pense FORA DA CAIXA.




sexta-feira, 19 de setembro de 2014

A PIADA DA ELEIÇÃO DEMOCRÁTICA ou A POLÍTICA DE TODOS OS DIAS E O SEU VOTO


Estamos todos cobertos de política até o pescoço. E não é por causa período eleitoral,  mas porque a política real se constitui a partir de todas as discussões, debates, lutas e decisões que se desenrolam todos os dias, nas quais estamos envolvidos querendo ou não. O momento eleitoral é só mais uma parte do processo e deve relacionar-se de maneira coerente com o restante, do contrário todos os belos discursos são apenas falas vazias construídas por publicitários, comunicadores e especialistas em campanha que sabem exatamente o que fazer para vender uma ideia, seja ela uma proposta infundada ou um novo modelo de celular que faz o mesmo que o anterior, mas promete ser melhor. 
            O grande problema de consagrar a eleição como momento máximo da democracia é estimular o esquecimento do processo restante, como o acompanhamento dos atos dos representantes eleitos ou as possibilidades de ação direta do povo, que existem e são poderosas mesmo na democracia representativa. As chamadas que ressaltam um "vem pra urna" ou um "democracia se faz nas eleições" reduzem  de maneira significativa as possibilidade de mudança, pois o eleitor tem as suas opções limitadas a três ou quatro candidatos que cantam trechos diferentes de uma mesma música.
            Uma boa escolha eleitoral não é feita assistindo ao horário político gratuito ou a entrevistas pseudojornalísticas, pois as regras do horário eleitoral não dão condição de concorrência igualitária e as danosas entrevistas servem mais para alimentar os egos dos apresentadores do que para explicar à população o que significam as políticas pretendidas e como serão realizados os milagres agendados para o primeiro ano de mandato. A escolha também deve considerar quem dá sustentação financeira para cada campanha, não se pode esperar que cada um dos milhõezinhos liberados tenha saído de casa sem data pra voltar.
            Essas incoerências sobre a política brasileira, mas não só brasileira, não querem dizer que não há alternativas e não devem motivar o brado coletivo de que "são todos uns ladrões e corruptos", pelo fato de que este brado é inútil. Acreditar que não tem jeito só é válido pra quem lucra com a situação atual. Há opções, mas elas passam despercebidas, enquanto a maioria da população decide entre o menos pior.
            Antes de alimentar a certeza de que são todos péssimos ou que são todos iguais, cabe perguntar se conhecemos realmente todas elas e todos eles. Se tivemos o trabalho de pesquisar detalhadamente quem são, o que querem, com quem se relacionam e no que acreditam, aí sim podemos dizer que escolhemos, do contrário aquele voto de cabresto estudado nos livros de história só se modificou, se moralizou e arrumou um jeito de nos fazer acreditar que escolhemos livremente.

Simone Pessoaé jornalista e odeia ter que contar piadas sem graça, mas como a sociedade pede sátiras para suas contradições e aberrações cotidianas, ela se dedica a este trabalho sujo.



LEIA TAMBÉM:








segunda-feira, 1 de setembro de 2014

MARCAÇÃO DE TEXTOS - UMA POSSIBILIDADE


É fundamental a leitura no caminho de construção, reconstrução, desconstrução do conhecimento e, ao lermos um texto, muitas vezes sublinhamos ou marcamos partes com canetas coloridas, as populares marca-texto.

A marcação deve ser precisa sob risco de marcar tudo e, posteriormente, ter dificuldades de saber exatamente o que pode ser útil, importante, citável, questionável, instigador.

UMA PROPOSTA para a marcação de textos com canetas marcadoras é adotar um padrão que possa ser facilmente identificável.

Eis UMA PROPOSTA que pode ser útil e pode e deve ser adaptada aos interesses e necessidades de quem lê com objetivos "científicos".

Pense FORA DA CAIXA



 










sexta-feira, 29 de agosto de 2014

AMOR, SEXO E HETERONORMATIVIDADE

Sexo não define Amor. Aquela coisa que tanta gente sente e não sabe explicar. Escreveram certa vez que quando se ama, não se consegue responder o motivo de se amar. Quando se consegue responder, não é Amor.

O processo de socialização, contínuo, ininterrupto, direciona sentimentos, desejos, quereres. E é nesse processo que se normatiza o Amor.

O sexo não deveria definir quem se deve amar. O sexo, entretanto, é usado para controlar o que se deve sentir e por quem se deve sentir, produzindo corpos dóceis (aparentemente). É a socialização a serviço da heteronormatividade.

O controle sobre os corpos deve ser problematizado em favor de uma existência mais rica e menos adoecida.

Se permita

Sinta FORA DA CAIXA

terça-feira, 26 de agosto de 2014

DEPUTADAS/OS - O QUE DEVEM FAZER


É fundamental saber exatamente o que cada cargo que está sendo disputado nesta eleição deve fazer.

Citando os iluministas: "ousai saber!"

Pense FORA DA CAIXA

IDEIA CANTADA - CANALHA, de Walter Franco

Uma das marcas da sociedade consumista na qual estamos inseridas/os é a velocidade com que as mudanças acontecem. Essa velocidade, no entanto, impossibilita o melhor aproveitamento da própria vida.

Rapidamente se deve aprender algo. Rapidamente se deve conhecer pessoas e com elas se relacionar (inclusive sexualmente, principalmente sexualmente) sob pena de não estar "aproveitando a vida".

Nessa situação, todas as dores devem ser evitadas e a todo custo. Essas dores vão desde aquelas que são necessárias para aprender algo (focalizar atenção numa leitura, a dor oriunda do treinamento físico para atingir excelência em algum esporte, arte marcial, dança) até a dor da morte e do luto que ela traz - ou deveria trazer.

Entretanto, não somos apenas o que fisicamente buscamos evitar. A frustração, a angústia, o medo, a insegurança que, enganosamente não queremos sentir, não some, não desaparece. Apenas espera a brecha para se apropriar do espaço que lhe foi negado.

O cantor e compositor Walter Franco em sua canção CANALHA, nos brinda com essa reflexão acerca da dor inevitável, da dor canalha.



ESCUTA CANALHA DE WALTER FRANCO AQUI









Pense FORA DA CAIXA

A FALÁCIA DO HOMEM MODERNO E SEM PRECONCEITOS


Muitas vezes não se percebe a contradição entre práticas e teorias. Não é fácil viver da maneira que se pensa ou se procura pensar. É fundamental uma análise cuidadosa acerca das práticas cotidianas para se evitar o popular "faça o que eu digo mas eu não faço o que falo".

Quando tratamos das violências contra as mulheres, o sexismo é uma constante. Sexismo é a forma de violência contra mulheres (principalmente) caracterizada por tratar as mulheres como "naturalmente" inferiores, quando, na verdade, essa suposta inferioridade é construída e reproduzida social e ideologicamente.

Exemplo: quando um homem está em um automóvel e é fechado por outro o que se vê é a série de xingamentos (barbeiro! cego! e outros de baixo calão). O xingamento é direcionado ao praticante da "barbeiragem" e não para todos os homens.

Se temos uma mulher responsável pela "barbeiragem" o que se escuta é: "tá vendo?! só podia ser mulher", "mulher no volante, é isso que dá!" Ou seja, é o gênero feminino inteiro que é adjetivado como péssimo motorista e não aquela mulher específica.

Outro exemplo cotidiano: quando homens se afirmam modernos, liberais, que não têm preconceitos contra mulheres que assumem desejos e práticas sexuais mas, quando questionados se namorariam/casariam com mulheres "liberais", desconversam ou, inclusive negam tal possibilidade.

Pessoas que lerem essa postagem podem pensar: " e quem vai querer ficar com uma pessoa rodada?" E é exatamente nesse raciocínio que se encontra o sexismo. Identificá-lo em si e entender como funciona são os primeiros passos. Os seguintes, combatê-lo em si e no cotidiano.

Pense E AJA FORA DA CAIXA.

A DOMINAÇÃO HETERONORMATIVA


A heteronormatividade caracteriza-se pela reprodução e legitimação de maneiras de sentir, pensar e agir heterossexuais.

Refere-se a valorização do casamento heterossexual, da família monogâmica estabelecida como clássica (esquema mãe, pai, filhas/os), dos ideais de amor romântico como as únicas que devem ser vividas.

Qualquer forma de relacionamento que não seja entre homem e mulher, que não esteja assentado em casamento monogâmico é julgado como desviante, divergente e errado, por extensão gerando agressividade por não estar "de acordo" com a suposta maioria.

Um exemplo dessa heteronormatividade é quando se valoriza a vida sexual supostamente agitada de homens, relacionando positivamente essa prática com animais como garanhões, tigrões e, quando se trata de mulheres, a relação é negativa e com animais como galinha, piranha.

O desejo sexual existe em todos os gêneros, a valorização positiva do desejo sexual masculino é parte do controle e regulação da sexualidade e deve ser problematizada e combatida.

TODAS/OS DESEJAM E ISSO É BOM E NÃO APENAS OS HOMENS E HETEROSSEXUAIS.

Pense FORA DA CAIXA.

NÃO CULPE A VÍTIMA


Geralmente quando se tem notícia de estupro, a pergunta que é feita é: como ela estava vestida? Ou ainda: ela não deu bola para o cara e depois "quis frescar", não?

Em nenhuma das situações o crime é culpa da vítima.

Se mantivermos esse raciocínio perverso, então o roubo de celular será culpa de quem trabalhou e pagou por ele, deixando de lado a culpa do Estado pelas desigualdades sociais, pela falta de segurança nas ruas.

Os crimes de pedofilia serão culpa das crianças, que por serem crianças e sensuais - aos olhos e desejos dos pedófilos - atraem para si tal mal.

O/as idosos/as maltratados/as também serão culpados/as, afinal, se envelheceram têm mais é que serem judiados/as por não servirem mais "pra nada".

A naturalização desse raciocínio deve ser combatida.

Pense FORA DA CAIXA

sexta-feira, 6 de junho de 2014

TABELA RESUMO COM AS REBELIÕES DA HISTÓRIA DO BRASIL

A história do Brasil é marcada por vários movimentos contestatórios e entender suas motivações é importante para compreender muitas das ações e reações da população brasileira contemporânea. Abaixo você pode baixar uma tabela com as rebeliões consideradas mais importantes.

BAIXE.

LEIA.

ENTENDA.

PROBLEMATIZE.

COMPARTILHE.

Pense FORA DA CAIXA.




quarta-feira, 28 de maio de 2014

MANIFESTO COMUNISTA EM QUADRINHOS

No link abaixo você pode baixar o MANIFESTO DO PARTIDO COMUNISTA em quadrinhos.

Baixe.
Leia.
Entenda.
Compartilhe.

MANIFESTO DO PARTIDO COMUNISTA EM QUADRINHOS AQUI



segunda-feira, 19 de maio de 2014

PROVAS UPE 2000 - 2012

No link abaixo você pode acessar e realizar download das provas de História da Universidade de Pernambuco (UPE).

Bons estudos.

Pense FORA DA CAIXA.





PROVAS UFPE 2005 - 2011

No link abaixo você pode acessar e realizar download das provas de 2a. fase da Universidade Federal de Pernambuco.

Bons estudos.

Pense FORA DA CAIXA.

PROVAS UFPE 2005 - 2011 AQUI


FICHAS MONSTRO

Olá, estudante, 

Uma das formas eficientes de fixar conhecimentos é realizando exercícios. Pensando assim, estou disponibilizando as FICHAS MONSTRO: seleção de questões de vestibulares de várias universidades do país.

No link a seguir você poder realizar o download de todas as FICHAS MONSTRO publicadas.

Bons estudos e lembre:


1. Você sabe muito, mas NÃO SABE TUDO

2. Você não sabe tudo, MAS SABE MUITA COISA

3. COMPARTILHE, contribua com a Revolução, que só começa quando partilhamos

4. NUNCA, NUNCA NUNCA tenha vergonha de perguntar

5. NUNCA, NUNCA, NUNCA suponha que as pessoas tenham obrigação de saber o que você já sabe - os dedos das mãos não são iguais

6. Discorde, Discorde hoje, Discorde amanhã, DISCORDE SEMPRE! Só a oposição de ideias pode gerar novas ideias

Pense FORA DA CAIXA.

FICHAS MONSTRO AQUI!




quinta-feira, 15 de maio de 2014

"VOU ALI ROUBAR A INSINUANTE": CONSIDERAÇÕES SOBRE A GREVE EM RECIFE


Após a deflagração de greve da polícia militar, seguiram-se cenas de saques, violências e reações que lembraram os mais clássicos filmes de distopias, de mundos em decadência, de perigo para tudo e todos. Nesse momento é invocado tal qual um pokémon, o pensador Thomas Hobbes e sua ideia de estado de natureza e a clássica e muito repetida frase: o homem é o lobo do homem.

ORDEM! ORDEM! ORDEM! Grita-se aos quatro ventos feicebuquianos (das janelas de lares “amedrontados”, que é bem fora de moda, mas ainda em voga, também) para garantir a segurança e ... a propriedade.

Sai de casa para vender aulas e fui testemunha do que estava acontecendo em vários lugares – considerando que tive que arrodear a cidade para chegar em casa devido ao fato de muitas pessoas, ao mesmo tempo, terem a mesma ideia que eu: em casa é mais seguro.

A partir do que vi, penso ser interessante considerar alguns pontos:

1. A RESPONSABILIDADE (culpa, não... é simplório demais) PELOS SAQUES NÃO É DA PM. Não foram os PM’s que saquearam, foram algumas (muitas, não todas) pessoas que, sem o aparelho repressor do Estado (olha, Althusser sendo invocado também) agiram e saquearam lojas, supermercados e afins;

2. O ESTADO (o governador o representa) TEM MAIOR PARCELA DE RESPONSABILIDADE PELO QUE ACONTECE. A insatisfação com as péssimas condições de trabalho não é algo novo. Em outros momentos elas estavam presentes. Pense comigo: correr atrás de bandido com coletes que mal aparam água de chuva, quem dirá bala, pode ser considerado “trabalho seguro”? reivindicar que se reforme o hospital dos militares é exigir demais? O policial leva um tiro cumprindo sua função de proteger e não tem hospital para garantir a vida dele – quando ele a arrisca por outras pessoas?

Nenhuma situação como essa surge do nada ou é fruto do suposto clima anti copa apenas. Ela vem sendo gestada continuamente, bala a bala, no dia a dia.

3.NEM TODO PM COMETE CRIMES. É lugar comum afirmar que “na polícia só tem criminoso”. Vamos aproveitar o medo para ampliar a percepção: se todo PM fosse criminoso, teríamos mais crimes acontecendo. Afirmar isso é dizer que toda uma categoria é criminosa quando, se fosse verdade, teríamos uma situação como a de hoje todos os dias. Na verdade, talvez nem estivéssemos organizados como estamos. A barbárie seria maior e a suposta “civilização” não se desenvolveria.

Mais um pouco sobre esse ponto: é a mesma linha de raciocínio do adágio maldoso e muito repetido: mulher no volante, perigo constante – quando é um homem que faz uma barbeiragem, é aquele homem e não todos. Uma mulher, todas as mulheres, a categoria mulher é (todas), nesse raciocínio, que não sabe dirigir.

Afirmar que a polícia não faz falta pois o bairro em que se vive não conta com a ação devida de garantir a segurança com certeza não é a forma de resolver a questão. Desmilitarizar a PM talvez seja (mas isso é assunto para outra postagem). 

4. NEM TODO SAQUE FOI DE “SUPERFLUOS”. Muitas imagens foram veiculadas mostrando lojas de eletrodomésticos, artigos de informática, sapatos sendo roubadas. Mas, deve-se considerar que pessoas passando necessidades alimentares também saquearam para garantir a despensa cheia, considerando a escassez (falta) desses artigos cotidianamente.

Nesse ponto chego a um aspecto que trato com minhas turmas quando, discutindo sobre combate ao crime, afirmam que “bandido bom é bandido morto”. MENOS O QUE ROUBA LEITE. O QUE ROUBA PRA SE ALIMENTAR, NÃO. O que nos leva para a próxima consideração:

5. TODO O ROUBO DEVE SER INVSTIGADO E PUNIDO. Não estou afirmando que deve-se deixar de lado a subtração do bem alheio, seja qual for, mas, bem que seria produtivo fazer uma reflexão acerca da situação geral, que pode ser encaminhada a partir do seguinte ponto:

6. EXIBIMOS PARA A MAIOR PARTE DA POPULAÇÃO PRODUTOS QUE ELA NÃO PODERÁ ADQUIRIR E DEPOIS, QUANDO PODEM OBTÊ-LOS, QUEREMOS QUE NÃO FAÇAM? Estamos no campo do desejo, desejo que é quase incontrolável. Pense na seguinte situação: leve uma criança para uma loja de doces (ou brinquedos), tudo colorido, tudo dizendo: “me pegue, me leve para você” e diga para a criança: “você não pode, mas queira, deseje, um dia, quem sabe, poderás ter!” O desejo quer saciar-se e é uma forma de analisar o que acontece: mesmo ilicitamente, algumas pessoas (não todas, lembrem), vão em busca daquilo que o tempo inteiro a propaganda afirma que vai fazê-la “ser gente”, existir.

É parte de uma estrutura social pautada no consumo do que na maior parte não se precisa. Antes, tinha-se uma sociedade de produtores, quem trabalhava era explorado e excluído por ser trabalhador mas, o que se tem hoje, é uma sociedade de consumidores, marcada pela exclusão de quem não pode consumir tal ou qual produto de determinadas marcas.

7. SE VOCÊ PENSOU: “QUERIA VER SE FOSSE A TELEVISÃO DELE, O QUE IA DIZER”, PARE! PARE! PARE! Esse é o tipo de argumento marcado pela emoção que é exatamente o que atrapalha  qualquer tomada de decisões. Temos que lidar com a situação que se configura perante nós e pensar no “e se”, nesse caso, não vai resolver. Quando uma coletividade toma decisões a partir de emoções, sem reflexões, temos a fabricação de linchamentos e arrependimentos posteriores; há dificuldades de se manter a serenidade, há! Mas decisões imponderadas geram danos maiores que o esforço para “esfriar a cabeça”;
 

Sobre a greve da polícia e as repercussões, tanto da deflagração quanto do fim, elas devem ser compreendidas como parte de um contexto que tem forte sustentação no modo de produção capitalista e seu discurso naturalizador da desigualdade que não é natural e sim social. A violência simbólica que os outros “99%”  sofrem vai sendo represada e reprimida por membros desses mesmos “99%”, que, quando decidem também querer seu paraíso, fazem tremer praticamente todo o sistema.

PARA PENSAR MAIS SOBRE:

terça-feira, 6 de maio de 2014

O FACEBOOK É MEU E POSTO O QUE EU QUISER: LINCHAMENTOS, JUSTIÇA E VINGANÇA

Recentemente os noticiários mostraram vários atos de “justiça” praticados por pessoas em diversos locais do país. Muitos deles ocorreram sem que os “justiceiros” tenham provas de que os acusados são realmente culpados. Para surpresa de muitas pessoas, não eram culpados. O que fazer depois de prova da inocência de alguém quando esse alguém já deixou de viver, na verdade “foi deixado”, ASSASSINADO é o termo mais condizente com o que aconteceu?

Mais recentemente ainda, ganharam os noticiários do país e do mundo o caso do torcedor que morreu após ter sido atingido por uma bacia sanitária na saída de um estádio em Pernambuco. Caso de violência que causou indignação e desistência de muita gente de ir assistir aos jogos torcendo pelo time do coração.

Ambas as situações envolvem morte,  surpresa e novidade, que são alguns dos critérios utilizados para selecionar o que é ou não noticiado e que os jornalistas chamam de valor-notícia. O ponto é que, a partir dessas veiculações, cresce o que anda sendo chamado de “efeito Sheherazade”, ou seja, práticas de justiçamento com justificativas que o “cidadão de bem” (com todas as dificuldades existentes para definir o que seria precisamente) está se defendendo.

Em relação a isso, considero importante observar alguns pontos:

1. JUSTIÇA NÃO É VINGANÇA. Há diferenças importantes entre uma e outra. Para compreendê-la melhor é importante tratar de um dos conceitos de Estado: o conjunto de instituições jurídicas, políticas, econômicas e sociais que funcionam com o objetivo de garantir/buscar a harmonia social.

O Estado deve deter o monopólio da violência, ou seja, só a ele é permitido agir violentamente inclusivve tirando a vida de alguém, se tem como objetivo garantir a proteção individual ou coletiva.

Pense na seguinte situação: se está na nossa Carta Constitucional que a propriedade é inviolável e somos roubados, o Estado deve garantir que o responsável seja encontrado e levado a julgamento. Se eu descubro quem me roubou e entro na casa dessa pessoa e retomo o que era meu, isso não é justiça, é crime, pois nossa Constituição estabelece que a propriedade é inviolável (como está descrito acima). Acompanhe: mesmo sendo ladrão, aquela é a casa dele, sua residência, logo SUA PROPRIEDADE e a propriedade é o quê? INVIOLÁVEL, logo, invasão sem mandato é crime e não justiça.

ATENÇÃO: não estamos discutindo aqui a eficiência do Estado na garantia desse direito, logo, se você pensou: “mas o Estado não faz nada!” você está saindo do foco da discussão desta postagem.

Considere também que não é fazendo o papel do Estado que serão mudadas as condições de vida, segurança etc. Deve-se agir de acordo com a "cidadania ativa", definida pelo falecido sociólogo Betinho: não apenas cobrar, mas também propor e agir.

2. LINCHAR NÃO É EQUIVALENTE A ROUBAR. Uma das discussões mais antigas na área do Direito é como estabelecer a equivalência da punição com o crime cometido.

Mais uma vez, ABRA SEU CORAÇÃO E PENSE NA SEGUINTE SITUAÇÃO: se uma pessoa rouba outra e leva o aparelho celular e, posteriormente é pega e levada a julgamento, como estabelecer a punição que seja equivalente ao dano gerado contra o indivíduo que teve seu bem roubado? Um aparelho novo? O valor equivalente ao dinheiro que não foi ganho pelo dono do aparelho enquanto ele esteve separado de seu bem?

Mas, ampliemos: se a pessoa criminosa tiver matado alguém, a problemática é: se tratamos de punição equivalente, uma vida pela outra, como pode ser equivalente tirar uma vida de quem matou mais de um ser humano? É, se você para para pensar nisso, verá que, como afirma o velho deitado: “o buraco é mais embaixo”. É nesse ponto que cabe a pergunta: faz-se justiça ou vingança?

E assim chega-se até outra pergunta: quando se prova que o “justiçado”, o ser que foi linchado e morto, não era culpado, o que se faz? Pede-se desculpas? Ou, o mais tenso, afirma-se que “puniram a pessoa errada” (então assassinar está correto mesmo sem provas?)?

3. NÃO, NÃO É DEFESA DE CRIMINOSOS O QUE ESTOU FAZENDO: o objetivo desse texto é levar reflexão para quem lê. Não estou defendendo criminosos, estou defendendo a humanidade que cabe a cada ser humano.

Argumentos como “bandido bom é bandido morto” são falaciosos e demonstrativos de falta de pensamento crítico e mais ainda: quando partem de pessoas que, teoricamente, deveriam “pensar mais” que as outras, são demonstrações que caminhamos para uma situação parecida com a descrita  por Hobbes:

(...) não há sociedade; e o que é pior que tudo, um medo contínuo e perigo de morte violenta. E a vida do homem é solitária, miserável, sórdida, brutal e curta.

O motivo: geralmente quando se fala que “bandido bom é bandido morto”, o criminoso modelo não é o mais abastado, o filho do empresário milionário e sim o chamado “ladrão besta” (referência feita a música da dupla de emboladores Caju e Castanha).

Quando se afirma que direitos humanos só devem ser para humanos, desconsidera-se o processo histórico que levou ao nível de “civilização” que atingimos.

DIREITOS HUMANOS NÃO EXISTEM PARA PROTEGER BANDIDOS, MAS PARA PROTEGER A SUPOSTA CIVILIZAÇÃO DE UM ESTADO DE BÁRBARIE.

Se “bandido bom é bandido morto” então, do criminoso de “colarinho branco” ao que roubou um saco de leite, todos devem ser punidos por igual.

Então, mais uma vez, pense comigo: se roubo (fiquemos no mais simples, por enquanto) caracteriza-se pela extração de algo de propriedade alheia, então, o saco de leite e o dinheiro público estão na mesma categoria. Se a fome é elemento que legitima o roubo, a discussão deve ser ampliada e com coragem para, inclusive, mudar de opinião (no melhor estilo Raulseixista).

4. PROFESSORXS E JORNALISTAS AGENDAM SETORES DA SOCIEDADE. Outro ponto que é importante considerar diz respeito a liberdade de expressão. Existem estudos na área de comunicação que tratam de algo chamado agendamento e diz respeito a medida em que a mídia "agenda" a sociedade para debater ou tratar de determinadas temáticas.

Exemplo: em novela recente foi abordado o tráfico de pessoas e, pouco depois do início de tal folhetim, foram denunciados casos de tráfico humano em vários jornais do país. A novela "agendou" a sociedade na medida que chamou a atenção para algo que acontece e não é muito divulgado.

Ainda há discussões sobre agendamento sendo feitas, mas, entendendo essa ideia, pode-se estendê-la como instrumento de análise do “caso Sheherazade": sendo formadora de opinião (me resigno a não tratar da polêmica se ela efetivamente é ou não) ao expor seu pensamento de maneira a legitimar a "justiça" com as próprias mãos, ela agendou a sociedade e legitimou ações como essas.


É a mesma linha de raciocínio para professorxs. Quando afirmamos que “bandido bom é bandido morto” ou fazemos comentários racistas, sexistas, homofóbicos seja em sala de aula, seja em redes sociais, estamos “agendando” nossas turmas no sentido da intolerância e do crime. Isso ocorre porque somos vistxs como autoridades que “sabem do que falam”, ou seja, temos discurso competente.


Afirmar que “o facebook é meu e posto o que eu quero” tem muito sentido, mas quando se lida com público e com público “em formação” (o nosso em sala de aulas), o facebook é menos nosso do que imaginamos pois viramos referenciais para, às vezes, centenas de pessoas.

Quando abordamos esses assuntos, “agendamos” nossas turmas que pensarão a partir do ponto de vista que expusermos. Eis o ponto de inflexão que deve ser levado em consideração por profissionais de comunicação e de magistério.


O ponto é que não parece existir muita vontade de problematizar o que é exposto pela mídia e qualquer tentativa de regulação do que é veiculado é tratado como censura, quando não é. É, sim, a busca por responsabilização acerca do que se expõe.

Responsabilização que também cabe a nós, professorxs. Devemos ter cuidado com o que expomos, problematizar constantemente para não nos tornarmos, sem notar, incentivadores de violências.

Pense FORA DA CAIXA.