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ARTIGOS
terça-feira, 9 de julho de 2013
sábado, 6 de julho de 2013
sábado, 22 de junho de 2013
DAS MANIFESTAÇÕES OU sentei na mesa de um bar/comecei a meditar procurando a solução/pro futuro da nação e do imposto predial...
19:31
1 comment
Escrevo esse texto com um
aperreio no coração, brotado de minha participação na passeata,
manifestação/protesto/passeio carnavalesco acontecido ontem pelas ruas de
Recife/Hellciff/Recífilis. Sei das dificuldades de ler um texto longo, então
enumerarei minhas impressões/depressões/repressões acerca do que vi:
1. QUE P@#$% É ESSA?!
Foi o que senti ao chegar à praça
do Derby. Sentimento que pipocou ao ver tanta gente junta e tanta gente
visualmente chamativa. Minha memória de protestos é de gente vestida para a
guerra, clima tenso e o que vi foram sorrisos acetinados, aparelhos
resplandecentes, pais levando filhos como se fosse um domingo no parque
(lembrei de Gil agora, eita, que sintomático).
2. MÁSCARA DE GUY FAWKES?? F@#$%! CADÊ A CAMISA NA CABEÇA, CADÊ??
Segundo sentimento. Centenas de
pessoas com as máscaras do filme “V de Vingança” me fizeram indignação. Minha
formação de movimentos sociais de outras épocas apertou logo o botão vermelho
(vermelho bem antigo) e pensei que estava tomado por uma espécie de desfile
carnavalesco grotesco por ter as mesmas fantasias;
3. CARTAZES IMPRESSOS EM PAPEL COUCHÉ? E AS BANDEIRAS E FAIXAS PRESAS
EM PEDAÇOS DE MADEIRA?
Terceiro sentimento. Um monte de
cartazes plasticamente bem produzidos dividiam espaço com cartolinas e até um
mini ônibus feito de madeira (não tenho certeza) marcou presença em todo o
trajeto. O partidarismo repetido noutros
lugares do Brasil foi banido também do evento aqui em Recife. Um homem foi
agredido por trajar a camisa de um partido numa prova da ojeriza que grassa nas
movimentações. Senti falta das bandeiras que tremulavam em outros carnav...
protestos; apenas uma bandeira eu vi: a do movimentos dos trabalhadores rurais sem
terra;
4. CADÊ O CHOQUE? E AS BOMBAS? E OS TIROS? NENHUM ESTUDANTE FOI
ARRASTADO NUMA GRAVATA POLICIAL?
Quarto e talvez mais intenso.
Policiais com faixas brancas deram o “tom da paz” que é muito defendido nas
passeatas Brasil afora. Fiquei com aquela sensação de “tá faltando alguma
coisa, tá ligado?”. Violência mesmo só de algumas pessoas que roubaram ou
furtaram durante a passeata ou que quiseram aproveitar para fazer vingança.
Apenas um policial sofreu cortes de faca peixeira ao separar a briga;
Dois
grupos fecharam trecho da avenida Agamenon Magalhães e encontramos um deles
impedindo a passagem de veículos motorizados (senti quase um lampejo de emoção:
agora vai ter tiro!)
Encontrei amigos e amiga que
estavam com a mesma impressão que eu. Sentimos uma espécie de sentimento de
obsolescência, de superação de tudo que nos formou e nos conferiu identidade.
De descrença na possibilidade de mudança sem luta armada, sem destruir o que
garante a manutenção do responsável por todas as mazelas: o capital.
Embalado por Falcão, não o d’O
Rappa, mas o do Ceará:
sentei na mesa de um bar/comecei a meditar procurando a solução/pro
futuro da nação e do imposto predial...
Não cheguei ao ponto final, mas
algumas POSSIBILIDADES apareceram:
1. É UMA FORMA DIFERENTE DE ORGANIZAÇÃO.
Os modelos de protesto nos quais
a maior parte da população foi formada divergem de tudo o que foi visto no dia
20. Eles são melhores? Não me sinto confortável em responder. Eles irão obter o
que pretendem? (mas o que pretendem? Perguntaram alguns) Não podemos responder
sem uma nesga de dúvida. Mais do que tentar prever, considero importante
participar e pensar sobre o que pode ser feito hoje.
2. A VIOLÊNCIA É MESMO DESNECESSÁRIA?
NÃO DEFENDO A VIOLÊNCIA, mas é
importante considerar que ela esteve presente em todos os atos revolucionários
da História. Mesmo que mencionem Gandhi, lembrem o que aconteceu e quantas
pessoas morreram até que a Índia conseguisse a independência.
Nenhuma
revolução ocorreu sem a participação dos “radicais”, aqueles que enfrentaram, na
linha de frente, a força destrutiva do Estado. Considere também que sendo uma
forma diferente de organização, meios diversos serão elaborados.
Essa
violência, esse estouro é também resposta aos diversos tipos de violência e não
apenas a física que a maior parte da população vem sofrendo há um bom tempo e é
uma forma também legítima de protestar quando não atinge inocentes.
Se
estamos falando de uma suposta revolução, então deve-se considerar que nenhuma
revolução (nem as que se autodenominavam equivocadamente) aconteceu sem mortes
ou depredação de “patrimônio”. Seria essa a primeira? Já se provou que não.
Vale
notar que em uma das muitas transmissões dos protestos, foi veiculada a
informação que um grupo de vândalos (denominação frequentes nestes dias)
invadiu um mercado e não quis levar o dinheiro, apenas as mercadorias
(alimentação).
...
...
...
...
Pausa
tensa com o objetivo de representar a inexistência de comentário acerca desse
detalhe.
Outro elemento que deve ser observado com maior acuidade é o fato de se atacar sedes
do governo, bancos (representantes do status quo capitalista). Por que as sedes
e os bancos? Seria aquela reação contra a representação do poder instituído, e
o que o legitima, sintomática de uma percepção de quem é o “inimigo” comum? O chamado
vandalismo é apenas motivado por destruir
por destruir? Penso que não...
3. AS MÁSCARAS DE GUY FAWKES SÃO UMA APROPRIAÇÃO INTERESSANTE.
Tive, até o momento de conclusão
desse texto, duas possibilidades de entendimento:
(I) minha
geração esteve próxima – de certa forma – de seus referenciais de rebeldia, de
contestação; tinha Chico Buarque, Caetano, Gil, Che Guevara, professores que
instigavam os estudantes a agir e eram eles próprios atuantes (vi muitos de
meus mestres irem para a rua em prol de suas causas), hoje esses referencias
são, em comparação, inexistentes; artistas raramente engajados de verdade e
raros mestres fazendo o que pregam em sala de aula, logo, a ação, para esses
estudantes, estava mais difícil de acontecer por não terem em quem se espelhar;
(II) o
referencial que essa geração tem de rebeldia e ação contra o sistema opressor é
Guy Fawkes do filme V de Vingança e, indo além na análise ainda sob o calor dos
acontecimentos, nem seria desse filme e sim do grupo Anonymous, que se apropriou
da máscara e difundiu essa representação para o planeta como sinônimo de luta
contra injustiças e em favor do povo.
Assim, penso que se formos tentar
analisar esses acontecimentos, deveríamos trazer do limbo a imaginação sociológica, de C. W. Mills e
procurar ampliar o olhar. Estamos diante de algo bem diferente do que
historicamente aconteceu no país.
4. PARTIDOS POLÍTICOS.
Uma das situações constrangedoras
que presenciei foi a ojeriza em relação aos partidos políticos e escrevi noutra
postagem que não defendo partidos e entendo que alguns deles serão e estão
sendo oportunistas, mas é preciso considerar que, por exemplo, muitas das
legendas políticas que estão sendo rechaçadas, foram para a rua reivindicar
redução da passagem (para usar a pauta deflagradora dos movimentos) e o fizeram
quando a maior parte sequer aderiu à movimentação.
Mas
pensei (mais uma vez lembrando: NO CALOR DOS ACONTECIMENTOS E SEM CARÁTER
DEFINITIVO) que a organização “desorganizada”, sem liderança é uma importante
mudança, considerando que muitas lideranças políticas não cumpriram o que delas
se esperava e ainda decepcionaram quem nelas acreditou.
Porém,
também penso ser quase injusto que aos partidos que tinham/tem em suas agendas
muitas das reivindicações orgulhosamente defendidas seja vetada a participação
e ocorra o rechaçamento de quem, porventura, busque participar e levantar a
bandeira de seu partido.
Mais
uma vez chamo atenção para o que afirmei acima: não sou contra ou a favor deste
ou daquele partido, mas busco pensar as possibilidades a partir do conhecimento
teórico e prático que tenho.
5. EM TEMPO: ATUALIZAÇÃO NECESSÁRIA – “A VIOLÊNCIA VOLTOOOOU!”
As manifestações seguintes ao dia
20.6 (e no final deste também)foram marcadas pela violência contra os
manifestantes e fez muitos entusiastas ficarem felizes pelo retorno das
passeatas “clássicas”, mas consideremos o seguinte: será que fazendo as portas
do comércio fecharem em dias de manifestação não estaríamos (e estamos) prejudicando “a burguesia” (para
usar a terminologia também clássica), pois um dia sem vendas é dia sem lucros?
Assim sendo, lembremos que policiais são apenas martelos, o braço que os usa está um pouco mais acima, logo...
6. TÉRMINO DO TEXTO SEM CONCLUÍ-LO.
Termino aqui o texto, mas não a
temática. Assumo que, agora, neste instante, meu aparato teórico e prático não
me dão certezas sobre o que acontece ou acontecerá. No que isso vai terminar
(se vai), não sabemos. Estamos envolvidos emocionalmente e nossa formação,
tanto intelectual quanto social e cultural, influenciarão sobre nossos juízos
de valor. A partir do conhecimento proporcionado pela História, o que podemos
intentar é EXPOR
POSSIBILIDADES, mas definir é uso equivocado do saber histórico; mas
continuo afirmando como em outra postagem:
Independente dos resultados e do
que aconteça, o despertar da população e toda essa quantidade de pessoas já
torna o evento histórico e lição para os administradores do país que,
parafraseando o clássico renascentista, sabemos que há algo de podre no Brasil
e que ESTAMOS DE OLHO E PASSAMOS A REAGIR. SOMOS
MILHÕES, VOCÊS, POUCOS...
Pense fora da CAIXA.
Tenha HISTÓRIA NA CABEÇA
quarta-feira, 19 de junho de 2013
CONSIDERAÇÕES SOBRE AS MANIFESTAÇÕES RECENTES
17:08
aumento de passagens em Recife, greve; protestos; passagens de ônibus, MANIFESTAÇÕES
1 comment
Tem muita gente indo para as ruas. Tem sim, senhor. Todas elas
sabem exatamente o que reivindicam? Provavelmente não.
Dúvidas aparecem sobre o futuro do movimento. Dúvidas aparecem
sobre o que será feito. Enquanto historiador, professor de História e
Sociologia e ativista, ainda sob os efeitos do olho do furacão, enumero algumas
considerações:
1. NÃO DÁ PARA
EXERCER FUTUROLOGIA.
No que isso vai terminar (se vai), não sabemos. Estamos envolvidos
emocionalmente e nossa formação, tanto intelectual quanto social e cultural, influenciarão
sobre nossos juízos de valor. A partir do conhecimento proporcionado pela
História, o que podemos intentar é expor POSSIBILIDADES, mas definir é uso
equivocado do saber histórico;
2. É IMPORTANTE
ASSUMIR A PERPLEXIDADE DIANTE DO QUE ESTÁ ACONTECENDO.
Muitxs me perguntam o que penso e devem estar perguntando
para outrxs professorxs também. “não sei”, é o que digo, mas sei que é um
movimento social deflagrado a partir do aumento de vinte centavos e que, em
verdade, é a vazão de opressões seculares e desmandos de classe históricos;
3. QUE BOM QUE ESTÁ
ACONTECENDO AGORA.
É comum ouvir nestes dias frases como “por que fazer isso
agora?”, “eu apoio, mas essa exploração sempre aconteceu, então, por que agora?”.
Sem saber, quem se expressa dessa forma alimenta argumentos solidamente
embasados em conformismo com o que não é natural e, sim, social. Já dizia velho
deitado: “antes tarde do que nunca”. Se começou agora, é pelo fato das
contradições terem atingido níveis insustentáveis, por isso a reação em cadeia;
5. A LUTA É
APARTIDÁRIA, MAS ALGUNS PARTIDOS REIVINDICAVAM ASPECTOS QUE ESTÃO NA PAUTA
RECENTE HÁ ALGUM TEMPO.
Não defendo partidos e entendo que alguns deles serão e
estão sendo oportunistas, mas é preciso considerar que, por exemplo, muitas das
legendas políticas que estão sendo rechaçadas foram para a rua reivindicar
redução da passagem (para usar a pauta deflagradora dos movimentos) e o fizeram
quando maior parte sequer aderiu à movimentação.
Independente dos resultados e do que aconteça, o despertar
da população e toda essa quantidade de pessoas já torna o evento histórico e
lição para os administradores do país que, parafraseando o clássico
renascentista, sabemos que há algo de pobre no Brasil e que ESTAMOS DE OLHO E
PASSAMOS A REAGIR. SOMOS MILHÕES, VOCÊS, POUCOS...
REAJA.
Tenha HISTÓRIA NA CABEÇA
quinta-feira, 6 de junho de 2013
AOS MEUS ALUNOS E ALUNAS E SEUS PAIS E MÃES: ESCLARECIMENTOS SOBRE A GREVE
Professorxs das escolas particulares estamos em greve. Estamos?
É, estamos. Se você é estudante, talvez estranhe essa
notícia. Por que algumas de suas professoras e professores darão aula? Por que não pararão as atividades?
Algumas considerações sobre a greve:
1. É SEMPRE A ÚLTIMA
OPÇÃO DOS TRABALHADORES.
Quando todas as tentativas de negociação entre patrões e
empregados não atinge a conciliação entre os interesses patronais e reivindicações
trabalhistas, a greve é iniciada.
2. É SEMPRE DECIDIDA
EM ASSEMBLEIA.
Não são os diretores de sindicatos que decidem fazer greve,
são xs professorxs reunidxs em assembleia que o fazem.
3. TODXS PROFESSORXS
SÃO OBRIGADXS A FAZER GREVE?
NÃO. A greve é em prol da coletividade, mas a adesão é
individual.
4. POR QUE TEM
PROFESSORXS QUE NÃO FAZEM GREVE?
Por vários motivos, os mais comuns são:
a. MEDO. Contas a pagar, famílias para
sustentar são consideradas amarras para muitxs professorxs e, temendo não ter
condições de garantir o sustento próprio e dos familiares, não aderem ao
movimento;
b. CRENÇA QUE O EMPREGO É UM PRESENTE DOS DONOS DA ESCOLA. Alguns professrxs
acreditam que a manutenção do emprego é um favor feito pelos patrões,
desconsiderando que é enquanto for útil para a instituição que seu emprego é
mantido. Entenda útil como: cumpre suas obrigações, não falta (mesmo adoecendo
ou tendo alguém da família doente), participa das atividades da instituição...
c. CRENÇA QUE NÃO FAZENDO GREVE NÃO SERÃO
DEMITIDXS. Muitxs acreditam que não serão demitidxs se não reivindicarem
seus direitos, o que se revela um erro, pois muitas demissões ocorreram e
ocorrem e ocorrerão mesmo sem adesão ao movimento grevista (como mencionado no
tópico acima);
A greve é, com certeza, nossa última opção. Todxs que têm
aula comigo sabem que defendo a Discórdia, que é, em nossas aulas, o motivo
agregador, instigador do debate. Digo para todxs que A DIFERENÇA É NATURAL MAS,
A DESIGUALDADE É SOCIAL, LOGO, CONSTRUÍDA A PARTIR DE DETERMINADOS INTERESSES.
NÃO FAÇO GREVE COM O INTUITO DE PREJUDICAR VOCÊS,
ESTUDANTES, mas não posso afirmar em sala de aula que podemos mudar o mundo,
torná-lo menos desigual e não fazer parte do movimento que garantirá melhores
condições de vida para mim e, por extensão, melhor educação para vocês.
O que reivindicamos:
A gente muda o mundo na mudança da mente
E quando a mente muda a gente anda pra frente
E quando a gente manda ninguém manda na gente!
Na mudança de atitude não há mal que não se mude nem doença
sem cura
Na mudança de postura a gente fica mais seguro
Na mudança do presente a gente molda o futuro!
MUDE. AJA.
Tenha HISTÓRIA NA CABEÇA.
domingo, 2 de junho de 2013
CONSIDERAÇÕES SOBRE A MARCHA DAS VADIAS - Recife, 2013
18:05
estupro, machismo, mãe, marcha das vadias recife 2013, vadias, violência contra a mulher
2 comments
A Marcha das Vadias passou e depois dela vieram os
comentários. Comentários que foram desde os maiores elogios até a mais pura
negação sem deixar de passar pela ridicularização, intolerância e desrespeito.
Enquanto professor, presenciei colegas de profissão afirmarem que um movimento
que busca respeito não deveria ter participantes seminuas gritando palavras de
ordem pelas ruas e se auto-intitulando vadias.
Decidi escrever algumas considerações sobre a Marcha das
Vadias com o objetivo inicial de esclarecer alguns tópicos e, claro, instigar o
pensamento fora da caixa através da Discórdia. Comecemos, então:
1. O MOVIMENTO TEM
UMA ORIGEM VIOLENTA.
Após a ocorrência de vários estupros na universidade de
Toronto, no Canadá, um policial afirmou que, para não serem violentadas
sexualmente, as mulheres não deveriam se vestir como vadias. Mais de três mil
pessoas protestaram e, a partir dali, espalhou-se pelo mundo.
2. QUANDO ALGUÉM É
ASSASSINADO A CULPA É DO ASSASSINO; POR QUE QUANDO UMA MULHER É ESTUPRADA, A
CULPA É DELA?
Vamos seguir o raciocínio em etapas: quando alguém é roubado,
busca-se o ladrão que cometeu o delito e não se diz: “quem mandou ter celular?
Só podia ser roubado, mesmo. Bem feito!”; quando alguém é assassinado,
destaca-se o crime, procura-se o criminoso e não se diz: “quem mandou estar
vivo? Se está vivo é para ser assassinado! Acho é bom!”
Quando
uma mulher sofre um estupro, há um olhar mórbido, acusador para a vítima e
pergunta-se afirmando: “será que ela não provocou?” “você reparou na roupa que
ela está usando? Pedindo pra ser estuprada!”
É UMA
LÓGICA PERVERSA que naturaliza o estupro contra mulheres e é um crime brutal,
uma vez que o que há de mais pessoal, o próprio corpo, é violado contra vontade
de sua dona.
3. VADIA = LIVRE PARA
VESTIR O QUE QUISER E FAZER O QUE QUISER COM O PRÓPRIO CORPO.
Ouvi muito a frase: “como querem respeito e se chamam de
vadias?” Vamos entender: usa-se o termo para definir quem não tem ocupação,
quem não faz nada. No popular, é referência a vagabunda ou, ainda, prostituta.
As mulheres que foram violentadas na universidade de Toronto, pense bem,
universidade de Toronto, poderiam ser definidas assim? Provavelmente não.
Se você
é uma mulher e está lendo esta postagem, és vadia porque escolhes a roupa que
queres usar? E mais ainda: só porque sua roupa tem um decote ou é um short curto você é uma prostituta? Penso
que não.
O uso
do termo Vadia tem o objetivo de negar o conteúdo preconceituoso que a palavra
tomou. As palavras e o sentido que a elas é dado também são ideológicas.
Quando
o policial usou o termo, reafirmou uma visão machista e sexista que legitima
muitos crimes. A mesma sociedade que veicula propagandas afirmando que as
mulheres devem se vestir de maneira sensual e agradar namorados, maridos e
afins, é a mesma que chama de vadia essa mesma mulher que sofre uma violência
por estar usando a roupa que a propaganda vendeu com a característica mágica de
torná-la sensual e atraente.
Temos uma
contradição perversa e cruel. Se quisermos adicionar um elemento novo, então
perguntemos o que justifica os estupros contra mulheres que usam burcas ou
vestimentas “mais comportadas” como o caso recente de estupro coletivo na Índia
(é recente a notícia, mas atos dessa natureza ocorrem há muito tempo, tempo
demais, até).
Se o corpo feminino é usado como objeto para vender
cervejas, roupas e pode ser atraído a partir da compra de determinados
produtos, é exatamente isso o que a Marcha pretende negar, outros óculos, outra
visão. Quando uma Vadia mostra o seio, a ideia, entenda, é: "O PEITO É
MEU, SE USO ROUPA DECOTADA, É PORQUE QUERO USAR, E NÃO PARA VOCÊ, HOMEM,
PEGAR!"
Mas o que é exposto em muitos lugares (destaque para a
imprensa) são as fotos das mulheres que mostram os peitos, contribuindo para
uma imagem equivocada e distorcida do objetivo da Marcha...
Ir para a Marcha ajudaria muito na quebra dessa visão
distorcida. A Marcha é contra as violências que as mulheres sofrem, sendo a
física, a violência extrema. As simbólicas estão por aí o tempo inteiro, desde
a imposição de cores, passando pelos brinquedos, os assovios, as propagandas de
cerveja.
Alguém vai afirmar: "MAS AS MULHERES ACEITAM ESSAS
SITUAÇÕES DE INFERIORIZAÇÃO, USAM ROUPAS DESSE OU DAQUELE JEITO, PARTICIPAM DOS
COMERCIAIS..."
Pensemos: COMO COBRAR UMA REFLEXÃO ACERCA PRÓPRIA CONDIÇÃO
QUANDO NÃO SE FOI INSTRUMENTALIZADA PARA ISSO, QUANDO TODO O PROCESSO DE
SOCIALIZAÇÃO (lembrando Durkheim e outros) DIRECIONOU A FORMAÇÃO DE MUITAS PARA
ESSE FIM?
4. TÁ, CONCORDO COM
PARTE DO QUE ELAS REIVINDICAM, MAS TEM QUE SER A FAVOR DO ABORTO? ISSO, PARA MIM, É
CRIME.
Uma das imposições sociais mais recorrentes para as mulheres
é a de ser mãe. Afirma-se que toda mulher é uma mãe natural. Parir é natural,
ser mãe é social, culturalmente aprendido.
(…)
(…)
(…)
PAUSA ESTRATÉGICA PARA A FÚRIA E INDIGNAÇÃO QUE BROTOU NO
CORAÇÃO DE MUITXS LEITORXS.
ATENÇÃO, LEIAM COM O CORAÇÃO ABERTO E A MENTE TAMBÉM:
Tudo que não está atrelado a natureza é cultural. Exemplo:
fome é natural, saciar a fome é natural. Saciar a fome comendo aquela feijoada
ao invés de feijão tropeiro é cultural. Dormir é natural. Dormir em cama
ortopédica, cultural, considerando que o ato de dormir em tal móvel é parte do
que se prescreve para determinados males da coluna ou, simplesmente porque se
quer dormir em tal cama.
Ficar prenha (ou engravidar) é natural. Completar os nove
meses de gestação é parte do que há de natural na gestação humana (alguns fetos
não completam esse tempo). Mas SER MÃE, é algo que se aprende. Há o aprendizado
da paciência, do tom de voz para garantir o controle, os sistemas de recompensa
para comportamentos adequados, as “palmadas pedagógicas” que fazem parte do SER
MÃE.
Uma problematização importante é a de que se ser mãe é
natural, como explicar as mães que negam filhxs quando nascem? E por favor, não
argumente com “estava possuída pelo mal” ou algo do gênero. A questão é que
aborto é mal discutido na sociedade e negar a legitimidade de uma Marcha que
busca melhores condições para quem, historicamente, esteve sempre sofrendo
vituperações é demonstração de pouca sensibilidade.
Quando se discorda de um movimento, deve-se agir em prol do
aperfeiçoamento, seja discutindo, seja atuando...mas calar-se e apenas criticar
este ou aquele aspecto ou todo o movimento, é contribuir para a perpetuação do
mal. Como escreveu o poeta: o problema não é a maldade dos malvados, mas a
omissão dos "bons".
Precisa-se também sair do “umbigocentrismo” da própria
opinião. A Discórdia é saudável. O que não contribui para a mudança social é a
postura do “já opinei e fui ridicularizadX. Não falo mais! Pronto!” o primeiro
passo para uma transformação contundente é considerar que suas ideias podem e
serão recusadas. Injustiça? Talvez. Motivo para não participar? Não.
Como afirmei no início dessa postagem: não quero convencer
pessoas a saírem nas ruas apoiando a Marcha das Vadias, mas esclarecer aspectos
que, enquanto professor, é muito inquietante ver e ouvir sendo mal
interpretados ou propositadamente mal interpretados.
O lema é: Discórdia hoje, Discórdia amanhã, Discórdia SEMPRE
Pensemos fora da caixa.
quinta-feira, 30 de maio de 2013
ALANE, CAROL BURGOS, DIANA, DIOGO, JULIA, LAIS, MARCELO, MOEMA, VADIAS, CLARO... um pouco de combustível para me fazer seguir adiante
Após a Marcha das Vadias ter
acontecido em Recife, cidade que me serve de posto de trabalho, fiquei animado
com as possibilidades de lutas sociais. As coisas mudam, sempre, já afirmara Heráclito.
Mas algumas coisas permanecem, afirmou, talvez, Raul. Mas, por pouco tempo,
também.
![]() |
| Marcelo, Alane e Julia |
Não dá para continuar
violentando, roubando, matando, vilipendiando impunemente. As violências, as
mais diversas, pois existem várias (já escrevera o sociólogo francês), podem e
devem ser denunciadas e as autoridades, cobradas para garantirem aquilo para o
qual existem: segurança e bem-estar para todxs. Noutros momentos, poderia-se
xingar, agredir fisicamente e, a violência suprema, matar com grande margem de
folga de sair impune. E se tivesse como justificativa a honra, até prêmio era
possível receber.
Leis são criações da necessidade
de regular o convívio em sociedade. Num entendimento simplificado, seriam fruto
da necessidade de limitar algo que está afetando a existência de um grupo ou parte
dele (aqueles que compõe a superestrutura, no dizer do judeu vermelho e
influente). Pense da seguinte forma: para que o Criador (na tradição
judaico-cristã) estabelecesse dez mandamentos, o Decálogo, proibindo roubo, assassinatos,
cobiça da mulher alheia, juras do sacro nome em vão, era porque tudo que estava
sendo proibido era praticado em tão larga medida que atrapalhava a coesão, a
segurança e o bem-estar do grande grupo. Entendido isso, sigamos o raciocínio.
A sanção de leis como a Maria da
Penha, a lei seca, o código de trânsito mais rígido são fruto, seguindo o que
foi escrito acima, da necessidade de intervenção do Estado em determinado
âmbito da vida coletiva, ou seja, se há um código mais rígido de controle do
trânsito, este estava “descontrolado”, se há maior fiscalização e, por
extensão, punições para quem dirige embriagado, muita gente foi prejudicada –
inclusive irreversivelmente – por pilotos embriagados, então, uma lei que pune
desde tapas, empurrões e extinção da vida feminina, é fruto do perigo para a
segurança e o bem-estar PRINCIPALMENTE DAS MULHERES que a violência masculina
gerava (e ainda gera).
A situação mudou. Ainda bem. Quando
fui para a Marcha das Vadias, uma certeza tinha em mente: estou fazendo parte
da História, sou um sujeito da História. Eu e outras pessoas que lá estavam,
Vadias com “V” maiúsculo; Vadias que vi quando tinham 13/14 anos de idade e
tiveram aulas de História comigo na 6ª, 7ª, 8ª série; Vadiazinhas, como chamei.
Vadios também. Pense numa felicidade, daquelas que só mães e pais devem sentir
quando veem que xs filhxs “deram pra gente de bem”, como minha mãe diz, ainda
hoje.
![]() |
| Carol, Alane, Diana e Marcelo |
![]() |
| Iana, Diogo, Anne, Lais e Tauana |
Passarei, é verdade, mas a
semente da Discórdia que plantei em vocês e noutrxs, seguirá.
sábado, 11 de maio de 2013
CONTEÚDO SSA - 2013-2015
SSA - 1ª Série
1. História, fontes e
historiadores.
1.1 Cultura e História; a
diversidade do fazer e do pensar humanos e sua relação com a Natureza.
2. A Pré-História: economia,
sociedade e cultura;
2.1 O Brasil pré-cabralino.
3. As relações entre poder e
saber na Antiguidade Oriental e Ocidental e a busca pela
compreensão e superação das dificuldades históricas.
4. As relações de poder na Idade
Média Ocidental e Oriental e a importância da Igreja Católica na construção das suas concepções
de mundo;
4.1 O mundo islâmico medieval;
4.2 A produção cultural no
medievo.
5. A Modernidade com projeto
histórico da sociedade europeia.
5.1 A formação do mundo moderno:
O Renascimento, A Reforma e a Conquista e colonização dos povos pré-colombianos
e pré-cabralinos da América;
5.2 Violência e dominação
cultural nas relações políticas entre colonizados e colonizadores.
SSA - 2ª Série
1. Europa-África-América: A
escravidão e sua inserção no mundo moderno.
1.1 A luta contra o seu domínio e
sua contribuição para o crescimento do poderio europeu na gestão das riquezas e
das concepções culturais de mundo.
2. O capitalismo e as suas relações
históricas com a formação da burguesia.
2.1 Novas formas de saber e poder
e mudanças na Europa.
2.2 A construção do liberalismo
na política e na economia.
3. As resistências contra a
colonização dos europeus e lutas políticas nas América.
3.1 As influências das ideias liberais
e as crises do antigo regime.
4. O Brasil e a formação do
Estado Nacional.
4.1 Autoritarismo e escravidão,
hierarquias socais e revoltas políticas no período de Império.
5. A modernização da sociedade
ocidental e sua expansão.
5.1 O impacto das invenções modernas
e a crítica às injustiças do capitalismo.
5.2 O político-cultural e suas
renovações: Romantismo, Socialismo e Anarquismo;
5.3 Produção cultural no Brasil
do século XIX.
6. A expansão do mundo
capitalista: o neocolonialismo e a opressão cultural: América, África e Ásia.
6.1 Os preconceitos científicos e
as contradições do progresso.
6.2 As relações entre saber e
poder no século XIX.
7. As relações históricas entre o
abolicionismo e
SSA - 3ª Série
1. As primeiras décadas
republicanas no Brasil.
1.1 Oligarquias e resistências.
Insatisfações e modernismos.
1.2 O movimento operário e suas
primeiras organizações e greves.
2. A primeira metade do século
XX.
2.1 A I Guerra Mundial.
2.2 A Revolução Soviética.
2.3 O nazifascismo.
2.4 A Crise do capitalismo.
3. A modernização no Brasil e o
autoritarismo político na primeira metade do século XX.
3.1 As dificuldades de construção
da democracia e lutas dos trabalhadores.
4. A II Guerra Mundial e o fim
dos impérios.
4.1 A descolonização da África e
da Ásia.
4.2 Guerra Fria.
5. O mundo depois das guerras
mundiais: as dificuldades as utopias e as relações internacionais.
5.1 Produção cultural no século
XX;
5.2 Resistências culturais e o
crescimento tecnológico.
5.3 A globalização e a
massificação cultural: o cotidiano e seu controle pelo poder hegemônico.
5.4 Tensões contemporâneas: o Oriente
Médio, a América Latina e a África.
6. O regime militar no Brasil:
violência, censura e modernização.
6.1 A luta pela democracia e suas
dificuldades.
6.2 Produção cultural no Brasil
do século XX;
6.3 Organização política e
violência social e urbana e a consolidação do capitalismo.
6.4 O Brasil e as suas relações
com a América Latina nos tempos atuais.
Passe adiante.
Tenha HISTÓRIA NA CABEÇA
segunda-feira, 8 de abril de 2013
HOMOFOBIA E USOS EQUIVOCADOS DO SABER HISTÓRICO
14:33
heterossexualidade, homofobia, homossexualidade, intolerância, lei 7716/89, marco feliciano, PLC 122
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Considerando a recente onda de manifestações de rua e
feicebuquianas sobre as declarações do deputado pastor Marco Feliciano e sua
manutenção na Comissão de Direitos Humanos e o que tenho ouvido e visto em minha prática
docente, decidi contribuir para o debate esclarecendo alguns pontos que dizem
respeito ao conhecimento histórico que está sendo utilizado em certas postagens
e discursos por aí.
A intenção não é defender ou acusar este ou aquele grupo,
mas esclarecer alguns elementos muito repetidos e que por estarem ligados ao
conhecimento histórico merecem um melhor tratamento. Vamos lá:
1. “A política nazista fez uma campanha de aceitação forçada
para o povo”. Ao utilizarem este argumento procuram defender que determinados
partidos políticos estão forçando a população a aceitar a homossexualidade.
CORREÇÃO: O que
Hitler fez não foi obra de um poder hipnótico macabro ou de uma máquina de
controlar mentes. Ele foi o catalisador e agregador de um sentimento
antissemita que grassava pela Europa ocidental desde o medievo. Com a crise
econômica de 1929 e a descrença no liberalismo após a Primeira Guerra Mundial e
sob a ameaça de crescimento do socialismo soviético, muitos apoiaram a ideia de
um Estado centralizador (negação da não-intervenção estatal do liberalismo
clássico) e garantidor da propriedade privada (negação do socialismo e sua
defesa da destruição da propriedade privada burguesa). Não há, por parte do
partido que está no poder, uma campanha de imposição de práticas homoafetivas, mas
sim a defesa delas poderem se expressar e garantir direitos jurídicos que lhes
são negados ainda que sobre esses grupos recaiam as mesmas obrigações da dita
“normalidade”.
2. “A história da sociedade ocidental é a história do homem
e da mulher”. Busca-se afirmar que a história da humanidade foi feita apenas pelos
homens e pelas mulheres, não tendo participação quem estava fora da
heterossexualidade monogâmica.
CORREÇÃO: A
história da sociedade ocidental é a história do que foi registrado por homens
que afirmavam e defendiam o modelo heterossexual, logo, registros de qualquer
ação fora desse modelo mal existem e quando existem, a maior parte, foi feito
com o olhar do padrão estabelecido. O silêncio, em história, diz muito sobre as
práticas sociais de outros tempos e espaços. Segue-se assim o exemplo cotidiano
de não falar sobre algo, sobre um problema, seja qual for, crendo que ele
deixará de existir. Citando o poeta Brecht:
O jovem Alexandre
conquistou a Índia.
Sozinho?
César bateu os
gauleses.
Não levava sequer um
cozinheiro?
O silêncio sobre os cozinheiros no exército de César é prova
de que eles não existiram ou não participaram da conquista? Não. Manter essa
afirmação é incorrer em um erro histórico grave.
3. “Os nazistas faziam campanha nas escolas para doutrinarem
as crianças garantindo adeptos para as suas ideias e o Estado brasileiro quer
‘formar gays desde criancinha’ ao
distribuir kits abordando a temática em escolas”.
CORREÇÃO: O
Estado nazista implementava uma educação que buscava formar cidadãos preparados
para obedecer ao Fuehrer e as escolas valorizavam mais a ação do que a
reflexão. Incentivava-se, também, a negação do Outro, daquilo que não era
alemão, a denominada “raça ariana”. Uma observação mais cuidadosa dos chamados
“kits gays” garantirá o entendimento que o objetivo é combater atos de
violência verbal, física, simbólica contra as crianças e adolescentes que não
se enquadram no SUPOSTO comportamento correto. A afirmação que se quer fazer a
juventude crescer homossexual é fruto de desconhecimento do conteúdo do kit. O
Estado nazista não intentava formar pensadores e sim executores de ordens. O
objetivo do kit é possibilitar, desde a tenra idade, a percepção de que o mundo
não é meu umbigo ou minha forma de pensar e, PRINCIPALMENTE, DEIXAR VIVER
AQUELA/AQUELE QUE NÃO É MEU REFLEXO NO ESPELHO.
ALGUNS
ESCLARECIMENTOS:
O PLC – 122 (Projeto de Lei da Câmara) muito mencionado e
pouco lido e refletido, deve ser entendido de maneira mais ampla, histórica e
sociológica. A elaboração de lei é fruto de um contexto histórico ligado a
necessidades específicas, seja de uma pessoa, seja de uma coletividade. Vale
ressaltar que a maior parte das leis liga-se a necessidade de grupos que, ou
estão no comando ou pressionando quem está.
O PLC – 122 foi elaborado com o objetivo de ampliar a lei
7716/89. Esta lei criminaliza racismo, discriminação por PRECONCEITO RELIGIOSO
e XENOFOBIA. Atente para o fato de que a lei 7716/89 não é uma lei contra o
racismo, como se afirma muito por aí e que nela está inserida a criminalização
por PRECONCEITO RELIGIOSO, logo, não se estava garantindo direitos para uma
minoria em detrimento da maioria, como anda sendo afirmado.
Esse mesmo PLC – 122 abarca que a reação contrária, de
homossexuais discriminando heterossexuais também seja crime.
Deve-se considerar que o PLC – 122 não vai tornar crime o
pensamento preconceituoso. O que vai ser criminalizada é a discriminação. Exemplo:
posso pensar comigo que não gosto de duas mulheres se beijando no cinema, mas
se as expulso do cinema pois são duas MULHERES se beijando, então configura-se
a discriminação. A discriminação seria tornar ato aquilo que eu penso. Enquanto
penso, é preconceito, quando impeço alguém de usufruir de direito porque vai de
encontro ao que penso, estou discriminando.
Outro exemplo: se um sacerdote religioso adverte duas
mulheres que se beijam no pátio de seu templo porque é considerado
desrespeitoso QUALQUER BEIJO ENTRE CASAIS, então não há crime de homofobia. Contudo,
se o casal que se beija é advertido pois SÃO DUAS MULHERES/HOMENS E NÃO SE
ACEITA A DEMONSTRAÇÃO DE CARINHO ENTRE PESSOAS DO MESMO SEXO, ENTÃO
CONFIGURA-SE HOMOFOBIA.
O que presenciamos hoje é uma mudança importante que a
sociedade marcada pela heterossexualidade monogâmica está passando. Assim como
olhamos para os registros de mulheres sendo queimadas sob acusação de bruxaria
na idade média europeia ocidental com perplexidade perante tamanha brutalidade,
as gerações posteriores poderão olhar para os registros desses momentos e
perguntar: como puderam ser tão intolerantes?
Pense fora da caixa.
Tenha HISTÓRIA NA CABEÇA
quarta-feira, 20 de março de 2013
A Revolução dos Bichos
15:44
No comments
Baseado no Romance A Revolução dos Bichos, do escritor George Orwell, usa de fábula para criticar o que foi feito da Revolução Bolchevique de outubro de 1917.
Leia o livro.
Assista ao filme.
Pense fora da caixa.
Tenha HISTÓRIA NA CABEÇA.
Leia o livro.
Assista ao filme.
Pense fora da caixa.
Tenha HISTÓRIA NA CABEÇA.
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013
quinta-feira, 31 de janeiro de 2013
DA DISCÓRDIA ou CARTA PARA UM(A) JOVEM HISTORIADOR(A)
Decidi escrever este texto movido por uma satisfação: tive
vários estudantes que decidiram cursar História. Comparado com outros anos, foi
um recorde: Ana Elisa, Lucas Duarte, Cassandra
Alves, Thais Cavalcanti, Valeska Ferreira, Ana Bonner... não tivera, em anos
anteriores, mentes decididas a serem historiadores e historiadoras. Os campeões
sempre foram Direito, Arquitetura e jornalismo. História sempre foi a segunda
opção.
Movido por tamanha satisfação, decidi escrever um texto, uma
carta, para esses e essas pupilas que durante o ano de 2012 auxiliei na
introdução ao pensamento histórico, ao raciocínio histórico. O primeiro passo
no caminho sem volta da inquietação, da indignação e, como disse várias vezes
em minhas aulas: da DISCÓRDIA.
Comecemos:
1. a faculdade de História não é e nem será composta apenas
por seres com incrível capacidade intelectual e percepção ampla o suficiente
para relacionar situações sociais, econômicas, culturais como parte de algo
maior que é a vida humana em sociedade. Você vai encontrar poucas pessoas com
tais características e ACREDITE, serão raras. A maior parte vai crer e defender
que uma coisa não se relaciona com a outra e, talvez pior, vai tentar isolar
explicações econômicas das culturais, das ideológicas e assim sucessivamente;
2. poucos dos veteranos leram os livros que citam. Muitos afirmarão
que segundo Fulano de Tal no livro Zal, a
percepção da vida social deve considerar a flexibilidade do ato proletário nos interstícios
das relações de poder em determinada conjuntura histórica... pffff! Desconfie
desses e, se puder, leia a obra citada, pois você vai se espantar com a
quantidade de “apropriações ilegais” que são realizadas a cada fala veterana. Por
que isso acontece? Possível resposta: impressiona gatinhos e gatinhas sedentas
por “verdadeiro conhecimento histórico”;
3. o curso de
História não é composto por maconheiros inveterados, usuários de todas as
drogas psicotrópicas que existam ou que acabem de inventar; nem é o santuário
das práticas sexuais desregradas, sado-masoquistas, pansexuais; tem usuários? Tem.
Tem libertários e libertárias sexuais? Sim, sim. São todos e todas? NÃO, NÃO
MESMO. São poucos e tem muita gente recatada por lá; isso é ruim? Não, pois
garante diversidades de modos de existir – o que é muito saudável considerando
que devemos respeitar toda forma de vida, quer concordemos com sua existência
ou não;
4. estudantes de História não são revolucionári@s engajad@s
contra qualquer forma de opressão, seja ela do capital, das diversas
religiosidades; muit@s serão, inclusive, bastante passivos diante das
desigualdades que grassam pelo mundo ao redor; motivo? Com pouca certeza,
afirmo que muitos devem crer que muda-se o mundo com as ideias e, estas,
criadas por alucinógenos encadernados em livros que mal foram lidos e colocados
em prática e, pior ainda, não foram problematizados;
5. não espere que suas aulas serão marcadas por intensos
debates, por confrontos de ideias pois elas não serão – NA MAIOR PARTE DAS VEZES; poucos serão @s professores e professoras que aceitarão o benefício da
dúvida, que ouvirão com paciência suas perguntas pouco amadurecidas (pelo menos
serão no início do curso e espera-se,
pelo bem da sociedade, que essa imaturidade seja superada) e te orientarão
sugerindo leituras profícuas para te fazer pensar fora da caixa; mas nem sempre o debate deixa de acontecer por
responsabilidade de mestres, muitas vezes os textos sugeridos não são lidos
prejudicando o andamento da aula. O que nos leva para o próximo tópico:
6. LEIA! LEIA! LEIA MAIS! LEIA MUITO MAIS! LEIA SEMPRE! LEIA
HOJE, LEIA AMANHÃ, LEIA ATÉ SE VOCÊ FOR ACOMETIDO DE CEGUEIRA (você pode
aprender braile ou escutar áudio livros). Me irrito muito quando vejo estudantes
de História se queixando de terem que ler um texto de dez páginas. Dá vontade
de agir feito o capitão de determinado filme e puxar o verme subterrâneo pelos
cabelos, esfregar sua face em um compêndio e dizer: FEZ VESTIBULAR PRA HISTÓRIA
PRA QUÊ? SE NÃO AGUENTA, PRA QUE VEIO?! PEDE PRA SAIR! PEDE PRA SAIR! “MULEQUE!”
“MULEQUE ANALFABETO!”
Costumava dizer, em minhas aulas, que só a História salva...
da mediocridade, da estupidez, da ignorância. Para tanto, a leitura,
compreensão e problematização (NESSA ORDEM) são pontos fulcrais.
7. por mais que você tenha lido muito, você não leu tudo,
logo não sabe de tudo. Baixe a cabeça e... vá ler mais e debater com outras
pessoas. Certa vez ouvi alguém dizer que quando um historiador quer cometer
suicídio ele pula de cima do próprio ego. Faz muito sentido. Conheci pessoas
que leram alguns livros – e nem leram bem – e começam a olhar outr@s que não
leram aqueles livros específicos como se fossem párias;
8. não tente impor seu modo de pensar pois ele não é a
perfeita representação da realidade. Pode até ser para você, mas não para
outras pessoas; quando alguém discorda do que você pensa, essa pessoa pode,
após o “conversê”, sair com você para ir ao cinema, dançar ou conversar sobre
coisas aleatórias pois para ter amizades que concordam com tudo que eu penso,
eu prefiro prosear com meu reflexo no espelho;
Poderia continuar listando, mas nunca terminaria essa
carta/texto/conversa, então concluo pedindo a tod@s que foram meus alunos e
alunas e especialmente para @s que estudaram no meu curso e ingressarem na
faculdade de História (ou qualquer outro curso - não excluo ninguém, mas, História é sempre
melhor – no meu entender):
DISCORDE.
Se viu que não está correto, DISCORDE.
DISCÓRDIA (que tanto falo em minhas aulas) é mais que
contrariar. É uma postura, uma atitude pautada no respeito ao próximo e na ação
para mudança. No falar quando há silêncio imposto, no se preocupar se o som que
você gosta não incomoda seu vizinho, no evitar cuspir na rua sem olhar se há
alguém que possa ser atingido.
DISCORDAR é remar contra a maré das homogeneizações, das
intolerâncias religiosas, das intolerâncias ateias, das criminalizações, das naturalizações
do que não natural.
DISCORDAR é PENSAR FORA DA CAIXA e isso nenhum curso, nenhum
professor vai te dar. Você tem que se forjar no cotidiano, sabendo que nem
sempre – e essa é a maior parte – sua ação vai ter resultado imediato, sua fala
vai ser compreendida.
DISCORDAR é PENSAR FORA DA CAIXA e TER HISTÓRIA NA CABEÇA
pode ajudar.
Conseguir isso é ser mais que Historiadores e Historiadoras,
é se tornar HISTORIADEUSES E HISTORIADEUSAS.
Bom curso e que Clio esteja com vocês .
quarta-feira, 16 de janeiro de 2013
CONHECIMENTO LIVRE
Dia 11 de janeiro cometeu suicídio (ou foi suicidado) Aaron Swartz, um dos mais importantes ativistas defensores do conhecimento livre na internet... Escrevo suicidado pois há suspeitas que ele não tenha cometido suicídio.Aaron estava sendo processado por ter baixado mais de 4 milhões de documentos científicos e literários de uma plataforma que os liberava mediante pagamento.
Ele foi co-autor do sistema de feeds e defendeu o livre pensamento e o conhecimento livre.
Defendo a postura dele e reproduzo o MANIFESTO DA GUERRILHA PELO ACESSO LIVRE:
“Informação é poder. Mas, como todo o poder, há aqueles que querem mantê-lo para si mesmos. A herança inteira do mundo científico e cultural, publicada ao longo dos séculos em livros e revistas, é cada vez mais digitalizada e trancada por um punhado de corporações privadas. Quer ler os jornais apresentando os resultados mais famosos das ciências? Você vai precisar enviar enormes quantias para editoras como a Reed Elsevier.
Há aqueles que lutam para mudar esta situação. O Movimento Open Access tem lutado bravamente para garantir que os cientistas não assinem seus direitos autorais por aí, mas, em vez disso, assegura que o seu trabalho é publicado na internet, sob termos que permitem o acesso a qualquer um. Mas mesmo nos melhores cenários, o trabalho deles só será aplicado a coisas publicadas no futuro. Tudo até agora terá sido perdido.
Esse é um preço muito alto a pagar. Obrigar pesquisadores a pagar para ler o trabalho dos seus colegas? Digitalizar bibliotecas inteiras mas apenas permitindo que o pessoal da Google possa lê-las? Fornecer artigos científicos para aqueles em universidades de elite do Primeiro Mundo, mas não para as crianças no Sul Global? Isso é escandaloso e inaceitável.
“Eu concordo”, muitos dizem, “mas o que podemos fazer? As empresas que detêm direitos autorais fazem uma enorme quantidade de dinheiro com a cobrança pelo acesso, e é perfeitamente legal – não há nada que possamos fazer para detê-los. Mas há algo que podemos, algo que já está sendo feito: podemos contra-atacar.
Aqueles com acesso a esses recursos – estudantes, bibliotecários, cientistas – a vocês foi dado um privilégio. Vocês começam a se alimentar nesse banquete de conhecimento, enquanto o resto do mundo está bloqueado. Mas vocês não precisam – na verdade, moralmente, não podem – manter este privilégio para vocês mesmos. Vocês têm um dever de compartilhar isso com o mundo. E vocês têm que negociar senhas com colegas, preencher pedidos de download para amigos.
Enquanto isso, aqueles que foram bloqueados não estão em pé de braços cruzados. Vocês vêm se esgueirando através de buracos e escalado cercas, libertando as informações trancadas pelos editores e as compartilhando com seus amigos.
Mas toda essa ação se passa no escuro, num escondido subsolo. É chamada de roubo ou pirataria, como se compartilhar uma riqueza de conhecimentos fosse o equivalente moral a saquear um navio e assassinar sua tripulação. Mas compartilhar não é imoral – é um imperativo moral. Apenas aqueles cegos pela ganância iriam negar a deixar um amigo fazer uma cópia.
Grandes corporações, é claro, estão cegas pela ganância. As leis sob as quais elas operam exigem isso – seus acionistas iriam se revoltar por qualquer coisinha. E os políticos que eles têm comprado por trás aprovam leis dando-lhes o poder exclusivo de decidir quem pode fazer cópias.
Não há justiça em seguir leis injustas. É hora de vir para a luz e, na grande tradição da desobediência civil, declarar nossa oposição a este roubo privado da cultura pública.
Precisamos levar informação, onde quer que ela esteja armazenada, fazer nossas cópias e compartilhá-la com o mundo. Precisamos levar material que está protegido por direitos autorais e adicioná-lo ao arquivo. Precisamos comprar bancos de dados secretos e colocá-los na Web. Precisamos baixar revistas científicas e subi-las para redes de compartilhamento de arquivos. Precisamos lutar pela Guerilha Open Access.
Se somarmos muitos de nós, não vamos apenas enviar uma forte mensagem de oposição à privatização do conhecimento – vamos transformar essa privatização em algo do passado. Você vai se juntar a nós?
Aaron Swartz
Julho de 2008, Eremo, Itália.
P.s: Agradecimentos ao Andre Deak pelos conselhos na parte final da tradução – que, aliás, não é nem pretende ser definitiva, mas apenas uma contribuição para a divulgação do texto.
Esse texto foi extraído de:
http://baixacultura.org/2011/08/12/aaron-swartz-e-o-manifesto-da-guerrilla-open-access/
sexta-feira, 21 de dezembro de 2012
O mundo vai acabar... em música!
O que você faria se só te restasse um
dia? E fosse este dia?
Estas perguntas aparecem em uma canção
do Paulinho Moska que foi bastante escutada nos anos 1990 e tema de abertura de
uma telenovela. Mas, mais do que entreter, a canção traz a tona um dos assuntos
que mais inquietam o ser humano: o fim do mundo. O medo do fim de tudo toma
proporções cada vez maiores neste século, com direito a ondas gigantescas,
tremores de terra avassaladores e usinas atômicas atingidas pela "fúria da
natureza".
O fim de tudo aparece em religiões, o fim está no cinema, o fim é cantado em
mais de uma dezena de versos. E quem não acreditou que era o fim quando foi
demitid@? E quando @ namorad@ foi embora? Parece que toda a existência é
completamente obliterada em situações como estas.
Em busca de reduzir danos, a espécie humana fez – e continua fazendo –
previsões. Antever o futuro, o que está por vir foi a saída encontrada para
lidar com a contingência, o acaso, a incerteza. Buscando a certeza, a
continuidade, tentando aplacar a insegurança foram criados sistemas de previsão
complexos que não são inteligíveis a uma primeira olhada até técnicas que podem
garantir caminhos seguros através da análise das linhas das mãos e das formas
que aparecem na borra do café depositado no fundo da xícara.
Zodíaco, linhas das mãos, búzios, tarô. Tais manifestações da necessidade
humana de controlar o acaso estão no nosso cotidiano. Os jornais têm uma seção
que elenca a previsão do dia para indivíduos deste ou daquele signo. Na
internet pode-se fazer uma consulta ao tarô. E, no lado oposto, estão os que afirmam
que só Deus sabe o que o futuro reserva a cada um. Todos esses exemplos provam
que o temor do amanhã incerto e a busca por segurança são dois lados da mesma
moeda.
O medo do fim do mundo representa em uma escala global um temor que é também
local. Mais que local é pessoal. Tememos a morte. E o fim de uma vida não é
apenas o fim de um indivíduo. É também todo um mundo que deixa de existir com
ele.
E em 2012 o temor do fim de tudo volta mais forte. Segundo alguns acreditam, em
21 de dezembro tudo será extinto. A partir de uma leitura de uma profecia maia
e com o apoio de filmes catástrofe, propagou-se, mais uma vez, a ideia da
proximidade do fim.
A partir de uma leitura mística, aquele calendário tornou-se pop e, principalmente,
a após os anos 1990 ficou mais forte tal ideia.
E no Brasil a temática do fim do mundo está presente em livros, telenovelas e
canções. No caso desta última, podemos escutar desde sambas até rock’n roll.
Carmem Miranda pode ser a primeira, cantando uma composição de Assis
Valente, E o mundo não se acabou, que, de maneira bem humorada
mostra as ações de alguém que ouviu anunciarem que o mundo ia se acabar:
Anunciaram e garantiram
Que o mundo ia se acabar
Por causa disso
Minha gente lá de casa
Começou a rezar...
E até disseram que o sol
Ia nascer antes da madrugada
Por causa disso nessa noite
Lá no morro
Não se fez batucada...
Acreditei nessa conversa mole
Pensei que o mundo ia se acabar
E fui tratando de me despedir
E sem demora fui tratando
De aproveitar...
Beijei a bôca
De quem não devia
Peguei na mão
De quem não conhecia
Dancei um samba
Em traje de maiô
E o tal do mundo
Não se acabou...
Anunciaram e garantiram
Que o mundo ia se acabar
Por causa disso
Minha gente lá de casa
Começou a rezar...
E até disseram que o sol
Ia nascer antes da madrugada
Por causa disso nessa noite
Lá no morro
Não se fez batucada...
Chamei um gajo
Com quem não me dava
E perdoei a sua ingratidão
E festejando o acontecimento
Gastei com ele
Mais de quinhentão...
Agora eu soube
Que o gajo anda
Dizendo coisa
Que não se passou
E, vai ter barulho
E vai ter confusão
Porque o mundo não se acabou...
Anunciaram e garantiram
Que o mundo ia se acabar
Por causa disso
Minha gente lá de casa
Começou a rezar...
E até disseram que o sol
Ia nascer antes da madrugada
Por causa disso nessa noite
Lá no morro
Não se fez batucada...
Acreditei nessa conversa mole
Pensei que o mundo ia se acabar
E fui tratando de me despedir
E sem demora fui tratando
De aproveitar...
Beijei a bôca
De quem não devia
Peguei na mão
De quem não conhecia
Dancei um samba
Em traje de maiô
E o tal do mundo
Não se acabou...
Anunciaram e garantiram
Que o mundo ia se acabar...
O Maluco Beleza, Raul Seixas, também
tratou do tema em As profecias:
Tem dias que a gente se sente
Um pouco, talvez, menos gente
Um dia daqueles sem graça
De chuva cair na vidraça
Um dia qualquer sem pensar
Sentindo o futuro no ar
O ar, carregado sutil
Um dia de maio ou abril
Sem qualquer amigo do lado
Sozinho em silêncio calado
Com uma pergunta na alma
Por que nessa tarde tão calma
O tempo parece parado?
Está em qualquer profecia
Dos sábios que viram o futuro,
Dos loucos que escrevem no muro.
Das teias do sonho remoto
Estouro, explosão, maremoto.
A chama da guerra acesa,
A fome sentada na mesa.
O copo com álcool no bar,
O anjo surgindo no mar.
Os selos de fogo, o eclipse,
Os símbolos do apocalipse.
Os séculos de Nostradamus,
A fuga geral dos ciganos.
Está em qualquer profecia
Que o mundo se acaba um dia.
Um gosto azedo na boca,
A moça que sonha, a louca.
O homem que quer mas se esquece,
O mundo dá ou do desce.
Está em qualquer profecia
Que o mundo se acaba um dia.
Sem fogo, sem sangue, sem ás
O mundo dos nossos ancestrais.
Acaba sem guerra mortais
Sem glorias de Mártir ferido
Sem um estrondo, mas com um gemido.
Os selos de fogo, o eclipse
Os símbolo do apocalipse
A fuga geral do ciganos
Os séculos de Nostradamus.
Está em qualquer profecia
Que o mundo se acaba um dia
Um dia...
Sim, sim, sim...
Em Canção Agalopada, Zé
Ramalho descreve um cenário tão medonho quanto o de Raul Seixas:
Foi um tempo que o tempo não esquece
Que os trovões eram roncos de se ouvir
Todo o céu começou a se abrir
Numa fenda de fogo que aparece
O poeta inicia sua prece
Ponteando em cordas e lamentos
Escrevendo seus novos mandamentos
Na fronteira de um mundo alucinado
Cavalgando em martelo agalopado
E viajando com loucos pensamentos
Sete botas pisaram no telhado
Sete léguas comeram-se assim
Sete quedas de lava e de marfim
Sete copos de sangue derramado
Sete facas de fio amolado
Sete olhos atentos encerrei
Sete vezes eu me ajoelhei
Na presença de um ser iluminado
Como um cego fiquei tão ofuscado
Ante o brilho dos olhos que olhei
Pode ser que ninguém me compreenda
Quando digo que sou visionário
Pode a bíblia ser um dicionário
Pode tudo ser uma refazenda
Mas a mente talvez não me atenda
Se eu quiser novamente retornar
Para o mundo de leis me obrigar
A lutar pelo erro do engano
Eu prefiro um galope soberano
À loucura do mundo me entregar
Eduardo Dussek, considerado um dos
primeiros showman do Brasil intitulou Nostradamus uma
de suas canções que tratam do tema do fim do mundo:
Naquela manhã
Eu acordei tarde, de bode
Com tudo que sei
Acendi uma vela
Abri a janela
E pasmei
Alguns edifícios explodiam
Pessoas corriam
Eu disse bom dia
E ignorei
Telefonei
Pr'um toque tenha qualquer
E não tinha
Ninguém respondeu
Eu disse: "Deus, Nostradamus
Forças do bem e da maldade
Vudoo, calamidade, juízo final
Então és tu?"
De repente na minha frente
A esquadria de alumínio caiu
Junto com vidro fumê
O que fazer? Tudo ruiu
Começou tudo a carcomer
Gritei, ninguém ouviu
E olha que eu ainda fiz psiu!
O dia ficou noite
O sol foi pro além
Eu preciso de alguém
Vou até a cozinha
Encontro Carlota, a cozinheira, morta
Diante do meu pé, Zé
Eu falei, eu gritei, eu implorei:
"Levanta e serve um café
Que o mundo acabou!"
E mais recentemente foi exibida uma
telenovela intitulada O fim do mundo que teve como tema de
abertura a canção O último dia, de Paulinho Moska:
Meu amor
O que você faria se só te restasse um
dia?
Se o mundo fosse acabar
Me diz o que você faria
Ia manter sua agenda
De almoço, hora, apatia
Ou esperar os seus amigos
Na sua sala vazia
Meu amor
O que você faria se só te restasse um
dia?
Se o mundo fosse acabar
Me diz o que você faria
Corria prum shopping center
Ou para uma academia
Pra se esquecer que não dá tempo
Pro tempo que já se perdia
Meu amor
O que você faria se só te restasse esse
dia
Se o mundo fosse acabar
Me diz, o que você faria
Andava pelado na chuva
Corria no meio da rua
Entrava de roupa no mar
Trepava sem camisinha
Meu amor
O que você faria?
O que você faria?
Abria a porta do hospício
Trancava a da delegacia
Dinamitava o meu carro
Parava o tráfego e ria
Meu amor
O que você faria se só te restasse esse
dia?
Se o mundo fosse acabar
Me diz o que você faria
Meu amor
O que você faria se só te restasse esse
dia?
Se o mundo fosse acabar
Me diz o que você faria
Me diz o que você faria
Me diz o que você faria...
Se o mundo vai acabar neste 21 de dezembro de 2012 ou em outra data, não sabemos.
Mas tenha certeza que essa ideia não é tão nova que cause tanta surpresa nem
tão velha que não desperte interesses.
TUDO É HISTÓRIA.

















