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ARTIGOS

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

DA DISCÓRDIA ou CARTA PARA UM(A) JOVEM HISTORIADOR(A)



Decidi escrever este texto movido por uma satisfação: tive vários estudantes que decidiram cursar História. Comparado com outros anos, foi um recorde: Ana Elisa,  Lucas Duarte, Cassandra Alves, Thais Cavalcanti, Valeska Ferreira, Ana Bonner... não tivera, em anos anteriores, mentes decididas a serem historiadores e historiadoras. Os campeões sempre foram Direito, Arquitetura e jornalismo. História sempre foi a segunda opção.

Movido por tamanha satisfação, decidi escrever um texto, uma carta, para esses e essas pupilas que durante o ano de 2012 auxiliei na introdução ao pensamento histórico, ao raciocínio histórico. O primeiro passo no caminho sem volta da inquietação, da indignação e, como disse várias vezes em minhas aulas: da DISCÓRDIA.

Comecemos:

1. a faculdade de História não é e nem será composta apenas por seres com incrível capacidade intelectual e percepção ampla o suficiente para relacionar situações sociais, econômicas, culturais como parte de algo maior que é a vida humana em sociedade. Você vai encontrar poucas pessoas com tais características e ACREDITE, serão raras. A maior parte vai crer e defender que uma coisa não se relaciona com a outra e, talvez pior, vai tentar isolar explicações econômicas das culturais, das ideológicas e assim sucessivamente;

2. poucos dos veteranos leram os livros que citam. Muitos afirmarão que segundo Fulano de Tal no livro Zal, a percepção da vida social deve considerar a flexibilidade do ato proletário nos interstícios das relações de poder em determinada conjuntura histórica... pffff! Desconfie desses e, se puder, leia a obra citada, pois você vai se espantar com a quantidade de “apropriações ilegais” que são realizadas a cada fala veterana. Por que isso acontece? Possível resposta: impressiona gatinhos e gatinhas sedentas por “verdadeiro conhecimento histórico”;

3.  o curso de História não é composto por maconheiros inveterados, usuários de todas as drogas psicotrópicas que existam ou que acabem de inventar; nem é o santuário das práticas sexuais desregradas, sado-masoquistas, pansexuais; tem usuários? Tem. Tem libertários e libertárias sexuais? Sim, sim. São todos e todas? NÃO, NÃO MESMO. São poucos e tem muita gente recatada por lá; isso é ruim? Não, pois garante diversidades de modos de existir – o que é muito saudável considerando que devemos respeitar toda forma de vida, quer concordemos com sua existência ou não;

4. estudantes de História não são revolucionári@s engajad@s contra qualquer forma de opressão, seja ela do capital, das diversas religiosidades; muit@s serão, inclusive, bastante passivos diante das desigualdades que grassam pelo mundo ao redor; motivo? Com pouca certeza, afirmo que muitos devem crer que muda-se o mundo com as ideias e, estas, criadas por alucinógenos encadernados em livros que mal foram lidos e colocados em prática e, pior ainda, não foram problematizados;

5. não espere que suas aulas serão marcadas por intensos debates, por confrontos de ideias pois elas não serão – NA MAIOR PARTE DAS VEZES; poucos serão @s professores e professoras que aceitarão o benefício da dúvida, que ouvirão com paciência suas perguntas pouco amadurecidas (pelo menos serão no início do curso  e espera-se, pelo bem da sociedade, que essa imaturidade seja superada) e te orientarão sugerindo leituras profícuas para te fazer pensar fora da caixa; mas nem sempre o debate deixa de acontecer por responsabilidade de mestres, muitas vezes os textos sugeridos não são lidos prejudicando o andamento da aula. O que nos leva para o próximo tópico:

6. LEIA! LEIA! LEIA MAIS! LEIA MUITO MAIS! LEIA SEMPRE! LEIA HOJE, LEIA AMANHÃ, LEIA ATÉ SE VOCÊ FOR ACOMETIDO DE CEGUEIRA (você pode aprender braile ou escutar áudio livros). Me irrito muito quando vejo estudantes de História se queixando de terem que ler um texto de dez páginas. Dá vontade de agir feito o capitão de determinado filme e puxar o verme subterrâneo pelos cabelos, esfregar sua face em um compêndio e dizer: FEZ VESTIBULAR PRA HISTÓRIA PRA QUÊ? SE NÃO AGUENTA, PRA QUE VEIO?! PEDE PRA SAIR! PEDE PRA SAIR! “MULEQUE!” “MULEQUE ANALFABETO!”

Costumava dizer, em minhas aulas, que só a História salva... da mediocridade, da estupidez, da ignorância. Para tanto, a leitura, compreensão e problematização (NESSA ORDEM) são pontos fulcrais.

7. por mais que você tenha lido muito, você não leu tudo, logo não sabe de tudo. Baixe a cabeça e... vá ler mais e debater com outras pessoas. Certa vez ouvi alguém dizer que quando um historiador quer cometer suicídio ele pula de cima do próprio ego. Faz muito sentido. Conheci pessoas que leram alguns livros – e nem leram bem – e começam a olhar outr@s que não leram aqueles livros específicos como se fossem párias;

8. não tente impor seu modo de pensar pois ele não é a perfeita representação da realidade. Pode até ser para você, mas não para outras pessoas; quando alguém discorda do que você pensa, essa pessoa pode, após o “conversê”, sair com você para ir ao cinema, dançar ou conversar sobre coisas aleatórias pois para ter amizades que concordam com tudo que eu penso, eu prefiro prosear com meu reflexo no espelho;

Poderia continuar listando, mas nunca terminaria essa carta/texto/conversa, então concluo pedindo a tod@s que foram meus alunos e alunas e especialmente para @s que estudaram no meu curso e ingressarem na faculdade de História (ou qualquer outro curso -  não excluo ninguém, mas, História é sempre melhor – no meu entender):

DISCORDE.

Se viu que não está correto, DISCORDE.

DISCÓRDIA (que tanto falo em minhas aulas) é mais que contrariar. É uma postura, uma atitude pautada no respeito ao próximo e na ação para mudança. No falar quando há silêncio imposto, no se preocupar se o som que você gosta não incomoda seu vizinho, no evitar cuspir na rua sem olhar se há alguém que possa ser atingido.

DISCORDAR é remar contra a maré das homogeneizações, das intolerâncias religiosas, das intolerâncias ateias, das criminalizações, das naturalizações do que não natural.

DISCORDAR é PENSAR FORA DA CAIXA e isso nenhum curso, nenhum professor vai te dar. Você tem que se forjar no cotidiano, sabendo que nem sempre – e essa é a maior parte – sua ação vai ter resultado imediato, sua fala vai ser compreendida.

DISCORDAR é PENSAR FORA DA CAIXA e TER HISTÓRIA NA CABEÇA pode ajudar.

Conseguir isso é ser mais que Historiadores e Historiadoras, é se tornar HISTORIADEUSES E HISTORIADEUSAS.

Bom curso e que Clio esteja com vocês .

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

CONHECIMENTO LIVRE


Dia 11 de janeiro cometeu suicídio (ou foi suicidado) Aaron Swartz, um dos mais importantes ativistas defensores do conhecimento livre na internet... Escrevo suicidado pois há suspeitas que ele não tenha cometido suicídio.

Aaron estava sendo processado por ter baixado mais de 4 milhões de documentos científicos e literários de uma plataforma que os liberava mediante pagamento.

Ele foi co-autor do sistema de feeds e defendeu o livre pensamento e o conhecimento livre.

Defendo a postura dele e reproduzo o MANIFESTO DA GUERRILHA PELO ACESSO LIVRE:

“Informação é poder. Mas, como todo o poder, há aqueles que querem mantê-lo para si mesmos. A herança inteira do mundo científico e cultural, publicada ao longo dos séculos em livros e revistas, é cada vez mais digitalizada e trancada por um punhado de corporações privadas. Quer ler os jornais apresentando os resultados mais famosos das ciências? Você vai precisar enviar enormes quantias para editoras como a Reed Elsevier.

Há aqueles que lutam para mudar esta situação. O Movimento Open Access tem lutado bravamente para garantir que os cientistas não assinem seus direitos autorais por aí, mas, em vez disso, assegura que o seu trabalho é publicado na internet, sob termos que permitem o acesso a qualquer um. Mas mesmo nos melhores cenários, o trabalho deles só será aplicado a coisas publicadas no futuro. Tudo até agora terá sido perdido.

Esse é um preço muito alto a pagar. Obrigar pesquisadores a pagar para ler o trabalho dos seus colegas? Digitalizar bibliotecas inteiras mas apenas permitindo que o pessoal da Google possa lê-las? Fornecer artigos científicos para aqueles em universidades de elite do Primeiro Mundo, mas não para as crianças no Sul Global? Isso é escandaloso e inaceitável.

“Eu concordo”, muitos dizem, “mas o que podemos fazer? As empresas que detêm direitos autorais fazem uma enorme quantidade de dinheiro com a cobrança pelo acesso, e é perfeitamente legal – não há nada que possamos fazer para detê-los. Mas há algo que podemos, algo que já está sendo feito: podemos contra-atacar.

Aqueles com acesso a esses recursos – estudantes, bibliotecários, cientistas – a vocês foi dado um privilégio. Vocês começam a se alimentar nesse banquete de conhecimento, enquanto o resto do mundo está bloqueado. Mas vocês não precisam – na verdade, moralmente, não podem – manter este privilégio para vocês mesmos. Vocês têm um dever de compartilhar isso com o mundo.  E vocês têm que negociar senhas com colegas, preencher pedidos de download para amigos.

Enquanto isso, aqueles que foram bloqueados não estão em pé de braços cruzados. Vocês vêm se esgueirando através de buracos e escalado cercas, libertando as informações trancadas pelos editores e as compartilhando com seus amigos.

Mas toda essa ação se passa no escuro, num escondido subsolo. É chamada de roubo ou pirataria, como se compartilhar uma riqueza de conhecimentos fosse o equivalente moral a saquear um navio e assassinar sua tripulação. Mas compartilhar não é imoral – é um imperativo moral. Apenas aqueles cegos pela ganância iriam negar a deixar um amigo fazer uma cópia.

Grandes corporações, é claro, estão cegas pela ganância. As leis sob as quais elas operam exigem isso – seus acionistas iriam se revoltar por qualquer coisinha. E os políticos que eles têm comprado por trás aprovam leis dando-lhes o poder exclusivo de decidir quem pode fazer cópias.

Não há justiça em seguir leis injustas. É hora de vir para a luz e, na grande tradição da desobediência civil, declarar nossa oposição a este roubo privado da cultura pública.

Precisamos levar informação, onde quer que ela esteja armazenada, fazer nossas cópias e compartilhá-la com o mundo. Precisamos levar material que está protegido por direitos autorais e adicioná-lo ao arquivo. Precisamos comprar bancos de dados secretos e colocá-los na Web. Precisamos baixar revistas científicas e subi-las para redes de compartilhamento de arquivos. Precisamos lutar pela Guerilha Open Access.

Se somarmos muitos de nós, não vamos apenas enviar uma forte mensagem de oposição à privatização do conhecimento – vamos transformar essa privatização em algo do passado. Você vai se juntar a nós?

Aaron Swartz
Julho de 2008, Eremo, Itália.

P.s: Agradecimentos ao Andre Deak pelos conselhos na parte final da tradução – que, aliás, não é nem pretende ser definitiva, mas apenas uma contribuição para a divulgação do texto.

Esse texto foi extraído de:

http://baixacultura.org/2011/08/12/aaron-swartz-e-o-manifesto-da-guerrilla-open-access/


sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

O mundo vai acabar... em música!


O que você faria se só te restasse um dia? E fosse este dia?

Estas perguntas aparecem em uma canção do Paulinho Moska que foi bastante escutada nos anos 1990 e tema de abertura de uma telenovela. Mas, mais do que entreter, a canção traz a tona um dos assuntos que mais inquietam o ser humano: o fim do mundo. O medo do fim de tudo toma proporções cada vez maiores neste século, com direito a ondas gigantescas, tremores de terra avassaladores e usinas atômicas atingidas pela "fúria da natureza".
            O fim de tudo aparece em religiões, o fim está no cinema, o fim é cantado em mais de uma dezena de versos. E quem não acreditou que era o fim quando foi demitid@? E quando @ namorad@ foi embora? Parece que toda a existência é completamente obliterada em situações como estas.
            Em busca de reduzir danos, a espécie humana fez – e continua fazendo – previsões. Antever o futuro, o que está por vir foi a saída encontrada para lidar com a contingência, o acaso, a incerteza. Buscando a certeza, a continuidade, tentando aplacar a insegurança foram criados sistemas de previsão complexos que não são inteligíveis a uma primeira olhada até técnicas que podem garantir caminhos seguros através da análise das linhas das mãos e das formas que aparecem na borra do café depositado no fundo da xícara.
            Zodíaco, linhas das mãos, búzios, tarô. Tais manifestações da necessidade humana de controlar o acaso estão no nosso cotidiano. Os jornais têm uma seção que elenca a previsão do dia para indivíduos deste ou daquele signo. Na internet pode-se fazer uma consulta ao tarô. E, no lado oposto, estão os que afirmam que só Deus sabe o que o futuro reserva a cada um. Todos esses exemplos provam que o temor do amanhã incerto e a busca por segurança são dois lados da mesma moeda.
            O medo do fim do mundo representa em uma escala global um temor que é também local. Mais que local é pessoal. Tememos a morte. E o fim de uma vida não é apenas o fim de um indivíduo. É também todo um mundo que deixa de existir com ele.
            E em 2012 o temor do fim de tudo volta mais forte. Segundo alguns acreditam, em 21 de dezembro tudo será extinto. A partir de uma leitura de uma profecia maia e com o apoio de filmes catástrofe, propagou-se, mais uma vez, a ideia da proximidade do fim.
            A partir de uma leitura mística, aquele calendário tornou-se pop e, principalmente, a após os anos 1990 ficou mais forte tal ideia.
            E no Brasil a temática do fim do mundo está presente em livros, telenovelas e canções. No caso desta última, podemos escutar desde sambas até rock’n roll.
            Carmem Miranda pode ser a primeira, cantando uma composição de Assis Valente, E o mundo não se acabou, que, de maneira bem humorada mostra as ações de alguém que ouviu anunciarem que o mundo ia se acabar:


           
Anunciaram e garantiram
Que o mundo ia se acabar
Por causa disso
Minha gente lá de casa
Começou a rezar...

E até disseram que o sol
Ia nascer antes da madrugada
Por causa disso nessa noite
Lá no morro
Não se fez batucada...

Acreditei nessa conversa mole
Pensei que o mundo ia se acabar
E fui tratando de me despedir
E sem demora fui tratando
De aproveitar...

Beijei a bôca
De quem não devia
Peguei na mão
De quem não conhecia
Dancei um samba
Em traje de maiô
E o tal do mundo
Não se acabou...

Anunciaram e garantiram
Que o mundo ia se acabar
Por causa disso
Minha gente lá de casa
Começou a rezar...

E até disseram que o sol
Ia nascer antes da madrugada
Por causa disso nessa noite
Lá no morro
Não se fez batucada...

Chamei um gajo
Com quem não me dava
E perdoei a sua ingratidão
E festejando o acontecimento
Gastei com ele
Mais de quinhentão...

Agora eu soube
Que o gajo anda
Dizendo coisa
Que não se passou
E, vai ter barulho
E vai ter confusão
Porque o mundo não se acabou...

Anunciaram e garantiram
Que o mundo ia se acabar
Por causa disso
Minha gente lá de casa
Começou a rezar...

E até disseram que o sol
Ia nascer antes da madrugada
Por causa disso nessa noite
Lá no morro
Não se fez batucada...

Acreditei nessa conversa mole
Pensei que o mundo ia se acabar
E fui tratando de me despedir
E sem demora fui tratando
De aproveitar...

Beijei a bôca
De quem não devia
Peguei na mão
De quem não conhecia
Dancei um samba
Em traje de maiô
E o tal do mundo
Não se acabou...

Anunciaram e garantiram
Que o mundo ia se acabar...

O Maluco Beleza, Raul Seixas, também tratou do tema em As profecias:




Tem dias que a gente se sente
Um pouco, talvez, menos gente
Um dia daqueles sem graça
De chuva cair na vidraça
Um dia qualquer sem pensar
Sentindo o futuro no ar
O ar, carregado sutil
Um dia de maio ou abril
Sem qualquer amigo do lado
Sozinho em silêncio calado
Com uma pergunta na alma
Por que nessa tarde tão calma
O tempo parece parado?

Está em qualquer profecia
Dos sábios que viram o futuro,
Dos loucos que escrevem no muro.
Das teias do sonho remoto
Estouro, explosão, maremoto.
A chama da guerra acesa,
A fome sentada na mesa.
O copo com álcool no bar,
O anjo surgindo no mar.
Os selos de fogo, o eclipse,
Os símbolos do apocalipse.
Os séculos de Nostradamus,
A fuga geral dos ciganos.
Está em qualquer profecia
Que o mundo se acaba um dia.

Um gosto azedo na boca,
A moça que sonha, a louca.
O homem que quer mas se esquece,
O mundo dá ou do desce.
Está em qualquer profecia
Que o mundo se acaba um dia.
Sem fogo, sem sangue, sem ás
O mundo dos nossos ancestrais.
Acaba sem guerra mortais
Sem glorias de Mártir ferido
Sem um estrondo, mas com um gemido.

Os selos de fogo, o eclipse
Os símbolo do apocalipse
A fuga geral do ciganos
Os séculos de Nostradamus.
Está em qualquer profecia
Que o mundo se acaba um dia
Um dia...
Sim, sim, sim...

Em Canção Agalopada, Zé Ramalho descreve um cenário tão medonho quanto o de Raul Seixas:




Foi um tempo que o tempo não esquece
Que os trovões eram roncos de se ouvir
Todo o céu começou a se abrir
Numa fenda de fogo que aparece
O poeta inicia sua prece
Ponteando em cordas e lamentos
Escrevendo seus novos mandamentos
Na fronteira de um mundo alucinado
Cavalgando em martelo agalopado
E viajando com loucos pensamentos

Sete botas pisaram no telhado
Sete léguas comeram-se assim
Sete quedas de lava e de marfim
Sete copos de sangue derramado
Sete facas de fio amolado
Sete olhos atentos encerrei
Sete vezes eu me ajoelhei
Na presença de um ser iluminado
Como um cego fiquei tão ofuscado
Ante o brilho dos olhos que olhei

Pode ser que ninguém me compreenda
Quando digo que sou visionário
Pode a bíblia ser um dicionário
Pode tudo ser uma refazenda
Mas a mente talvez não me atenda
Se eu quiser novamente retornar
Para o mundo de leis me obrigar
A lutar pelo erro do engano
Eu prefiro um galope soberano
À loucura do mundo me entregar

Eduardo Dussek, considerado um dos primeiros showman do Brasil intitulou Nostradamus uma de suas canções que tratam do tema do fim do mundo:




Naquela manhã
Eu acordei tarde, de bode
Com tudo que sei
Acendi uma vela
Abri a janela
E pasmei

Alguns edifícios explodiam
Pessoas corriam
Eu disse bom dia
E ignorei

Telefonei
Pr'um toque tenha qualquer
E não tinha
Ninguém respondeu
Eu disse: "Deus, Nostradamus
Forças do bem e da maldade
Vudoo, calamidade, juízo final
Então és tu?"

De repente na minha frente
A esquadria de alumínio caiu
Junto com vidro fumê
O que fazer? Tudo ruiu
Começou tudo a carcomer
Gritei, ninguém ouviu
E olha que eu ainda fiz psiu!

O dia ficou noite
O sol foi pro além
Eu preciso de alguém
Vou até a cozinha
Encontro Carlota, a cozinheira, morta
Diante do meu pé, Zé
Eu falei, eu gritei, eu implorei:
"Levanta e serve um café
Que o mundo acabou!"

E mais recentemente foi exibida uma telenovela intitulada O fim do mundo que teve como tema de abertura a canção O último dia, de Paulinho Moska:




Meu amor
O que você faria se só te restasse um dia?
Se o mundo fosse acabar
Me diz o que você faria

Ia manter sua agenda
De almoço, hora, apatia
Ou esperar os seus amigos
Na sua sala vazia

Meu amor
O que você faria se só te restasse um dia?
Se o mundo fosse acabar
Me diz o que você faria

Corria prum shopping center
Ou para uma academia
Pra se esquecer que não dá tempo
Pro tempo que já se perdia

Meu amor
O que você faria se só te restasse esse dia
Se o mundo fosse acabar
Me diz, o que você faria

Andava pelado na chuva
Corria no meio da rua
Entrava de roupa no mar
Trepava sem camisinha

Meu amor
O que você faria?
O que você faria?

Abria a porta do hospício
Trancava a da delegacia
Dinamitava o meu carro
Parava o tráfego e ria

Meu amor
O que você faria se só te restasse esse dia?
Se o mundo fosse acabar
Me diz o que você faria

Meu amor
O que você faria se só te restasse esse dia?
Se o mundo fosse acabar
Me diz o que você faria
Me diz o que você faria
Me diz o que você faria...

            Se o mundo vai acabar neste 21 de dezembro de 2012 ou em outra data, não sabemos. Mas tenha certeza que essa ideia não é tão nova que cause tanta surpresa nem tão velha que não desperte interesses.
            TUDO É HISTÓRIA.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

NEGR@S: ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE NÓS QUE QUEREMOS QUE SEJAM LEMBRADAS TODOS OS DIAS


20 DE NOVEMBRO, dia da consciência negra. Eventos por todo o país lembram a morte do líder do quilombo dos Palmares, Zumbi. Por séculos essa data sequer foi lembrada e somente após muita reivindicação dos grupos afrodescendentes é que foi estabelecida oficialmente. 

Costuma-se realizar shows com artistas consagrados, são feitas manifestações em praças, a imprensa noticia e muita gente felicita negros e negras por essa data. Considero importante e tão importante é que vale a pena lembrar alguns pontos:

1. NÃO SOMOS DESCENDENTES DE ESCRAVOS: somos descendentes de africanos que foram  escravizados. Escravo não é espécie, não existem escravos machos e escravas fêmeas que acasalaram e originaram escravinhos, nascidos biologicamente determinados a “servir” outras pessoas; ESCRAVO É CONDIÇÃO IMPOSTA E NÃO ESPÉCIE;

2. MEU CABELO NÃO É RUIM: não matou ninguém, não bateu em crianças, não torturou. É MEU CABELO, É BOM PARA MIM. O SEU CABELO É SEU E POR ISSO É BOM PARA VOCÊ. Afirmar que meu cabelo, diferente do seu, é ruim, é manter o discurso histórico de valorização do padrão estético europeu. Esse discurso negou e nega a afirmação de beleza e identidade afro-brasileira. Como compôs Chico César: RESPEITEM MEUS CABELOS, BRANCOS;

3. NÃO SOU UM SAMBISTA DE NASCENÇA: nem dançarino natural, nem corredor de maratona e muito menos jogador de futebol desde o interior do útero de minha mãe. Se há destaques afro-brasileiros nessas áreas isso merece uma observação: há falta de investimentos noutras áreas, o que limita participação “ao que está mais perto” da realidade dos que se destacaram na música, na corrida, no futebol. Estenda escolas de qualidade para a população negra, possibilite acesso ao conhecimento científico e forme cientistas e assim sucessivamente em outras vertentes do saber e do fazer humanos;

4. ERRAR É HUMANO: quando erro, o fiz por não saber e não porque sou negro; frases como “viu o que ele fez? Também, só podia ser negro”, são carregadas de visão estereotipada, arrogante e depreciadora; quando se afirma dessa maneira, pode-se entender que quando um negro erra, é porque ele é naturalmente é um “errador”. Quando acertamos não se diz “acertou pois é negro”. Entendeu o caminho do discurso que legitima preconceitos,   estereótipos?

5. POSSO ME VESTIR DO JEITO QUE EU QUISER: se uso roupas coloridas, sem cor, saias curtas, blusas decotadas é porque EU QUERO USAR. Afirmar: “ela/ele se veste desse jeito porque é negr@” recai no que foi escrito acima; colorida ou sem cor, é roupa. NÃO EXISTE ROUPA DE NEGRO E NEM ROUPA DE BRANCO; É TUDO ROUPA. Posso usar roupas que meus ancestrais usaram, posso usar roupas que estadunidenses vendem – ainda que pouco propícias ao clima do local que vivo; o faço pois vivo em sociedade e não porque sou negr@;

6. NÃO SOU PRECONCEITUOSO COMIGO MESMO OU RACISTA COM OUTRAS PESSOAS NEGRAS: se há negr@s que fazem comentários racistas, o fazem como fruto da sociedade que foi gerada durante séculos de escravidão e que construiu a negação do ser negr@ associando muita coisa ruim a palavra NEGRO (abra o dicionário nesta e tire suas conclusões), logo, é mais difícil querer ser identificado com coisas ruins, não é?

7. USAR UMA CAMISA COM O TEXTO 100% NEGRO, NÃO É RACISMO: acompanhe o raciocínio: afirmar-se 100 % negr@ é posicionar-se tendo como objetivo tornar positivo algo que foi secularmente taxado de negativo. É mais possível uma pessoa negr@ não ter conseguido emprego, ter sido a única revistada por policiais em um coletivo porque era negra do que porque era branca. Esse mesmo raciocínio pode ser estendido para mulheres e homossexuais.

8. EXU NÃO É O DIABO, OXALÁ NÃO É JESUS: o Mal não foi criado pelos africanos com suas diversas religiões, até porque, se você desligar o botão do preconceito e do medo, implantado em sua mente pela tradição judaico-cristã, conhecerá religiões com características bastante humanitárias. Acreditar no que sacerdotes, que afirmam terem participado dessas religiões, falam, sem procurar saber, é se privar de algo que, segundo a tradição judaico-cristão, nos diferencia de outros animais: o livre-arbítrio. Há charlatões em todos grupos religiosos, então não fale da sujeira da casa alheia se a sua tem lixo no quintal;

9. MEU PÊNIS NÃO É GIGANTESCO E NEM MINHA VAGINA É MAIS QUENTE PORQUE SOU NEGR@: tradicionalmente se afirmou que homens negros/afrodescendentes são mais “bem dotados” que os outros. Ainda que supostas pesquisas científicas afirmem que a média dos homens negros tenha o órgão sexual maior que os homens brancos, existem homens brancos (e não devem ser poucos) com pênis grandes também.
                Muitas mulheres não negras transam tão bem quanto mulheres negras; esse discurso é tão introjetado que quando homens conversam sobre alguma mulher com quem estão saindo ou simplesmente vai passando na rua, dizem: “tô saindo com uma ‘nega’ boa danada”, ou “olha ali, que ‘nega’ gostosa”, e usam para se referir a mulheres brancas. Talvez você agora pense que é exagero. Não é exagero, não. As visões preconceituosas foram tão repetidas que se naturalizaram e não percebemos o sentido implícito  do que falamos e/ou pensamos;

Concluindo: NÃO SOU DESCENDENTE DE ESCRAVO; MEU CABELO NÃO É RUIM; NÃO TENHO QUE SABER SAMBAR, DANÇAR, JOGAR FUTEBOL OU SER EXÍMIO CORREDOR; USO ROUPAS COLORIDAS - OU NÃO - PORQUE EU QUERO; ERRO PORQUE SOU HUMANO E TODOS HUMANOS PODEM ERRAR; NÃO SOU UM HOMEM TRIPÉ OU MULHER COM VAGINA FLAMEJANTE... SOU HUMANO COMO VOCÊ, QUE LÊ ESTE TEXTO, E TENHO DIREITO AO RESPEITO E A RECLAMAR QUANDO SOU MALTRATADO.

Consciência negra não é só para negr@s. É consciência para tod@s que são excluíd@s nessa sociedade e que sendo negr@s padecem mais cruelmente ao som do ainda vivo discurso da democracia racial.

Mais do que falar sobre o que acontece temos que agir para mudar e essa mudança pode começar parando de contar piadas sobre negr@s, sorrir quando alguém conta e nos posicionarmos contra qualquer ato discriminatório, contra qualquer pessoa, independente da aparência, sexualidade, poder aquisitivo, origem, credo religioso ou ateísmo. Aí sim, serão desnecessários dias da Consciência Negra, das Mulheres, dos Índios...

PENSE FORA DA CAIXA

Tenha HISTÓRIA NA CABEÇA