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ARTIGOS

sábado, 31 de março de 2012

ALBERT DURER

Albert Durer foi produtor de importantes e belas gravuras como as que você observa abaixo.

Passe adiante - Tenha HISTÓRIA NA CABEÇA

O Cavaleiro, a Morte e o Mal

Melancolia


Os Quatro Cavaleiros do Apocalipse

Adão e Eva

MICHELÂNGELO - algumas imagens

Michelângelo Buonarroti foi um dos maiores representantes do Renascimento Cultural. Abaixo você encontra reprodução fotográfica de algumas de suas produções artísticas.
     Em breve disponibilizarei todas para download
     
     Olhe-as. Observe-as. Deleite-se.

     E o mais importante: PASSE ADIANTE - TENHA HISTÓRIA NA CABEÇA.


Davi (detalhe escultura)

Moisés

Criação de Adão (detalhe Capela Sistina)

Expulsão do Paraíso (det. Capela Sistina)

Dilúvio (detalhe)

Dilúvio (detalhe)

Criação de Eva

Criação do sol e da Lua

Separação da Luz e das Trevas

Juízo Final 1 (detalhe)

Juízo Final 2 (detalhe)


Juízo Final 3 (detalhe)

Juízo Final 4 (detalhe)

Pietá (escultura)

Juízo final 5 (detalhe)

Juízo Final 6 (detalhe)

Juízo Final 7 (detalhe)

Pietá 2 (escultura - detalhe)

Conversão de São Paulo

Pietá 3 (escultura - detalhe)

sexta-feira, 30 de março de 2012

O que é parlamentarismo? O que é presidencialismo? Qual a diferença?

Você, ao estudar História, provavelmente se deparou com a pergunta que intitula esta postagem. Pois bem, vamos esclarecer:

Parlamentarismo: é o sistema de governo caracterizado por uma divisão no Poder Executivo entre o chefe de Estado e o chefe de Governo. O chefe de Estado é, na maior parte das vezes, o primeiro-ministro. O primeiro-ministro é eleito pelo parlamento e, por isso, depende da manutenção de uma boa relação com o mesmo. O chefe de Estado não atua efetivamente. Suas funções são, geralmente, protocolares. Exemplo: a rainha da Inglaterra exerce funções mais simbólicas que políticas.

Presidencialismo: caracteriza-se por dispensar um alinhamento entre o parlamento e o presidente de república. O presidente da república, diferente do parlamentarismo, concentra os poderes do chefe de Estado e do chefe de Governo. No presidencialismo não pode-se retirar o presidente - salvo em casos extraordinários e adotando o procedimento do impeachment como aconteceu aqui com o ex-presidente Fernando Collor de Mello.

Para te ajudar mais um pouco, leia a letra da canção composta por Juca Chaves quando aqui foi convocado um plebiscito para definir o sistema de governo, Plebiscito:



PLEBISCITO


Plebiscito esse é o modismo

Pra se saber, afinal

Qual é o regime ideal

O que é presidencialismo



A televisão conspira

A cultura duvidosa

O retrato é de mentira

Você põe, você tira, apenas você não goza



Mas no parlamentarismo

O seu voto é indiferente

Pra escolher o presidente você elege um deputado

Um patriota esforçado, um filho não sei de quê



Democrata que se opõe

Ele tira

Ele põe

Ele goza por você



Monarquia, monarquia,

pelo muito que estudei

Nunca soube que algum dia

A gente votasse no rei



E Se eleito é o rei quem ri

Nada será diferente

Enquanto a rainha sorri, o rei tira só pra si

E ainda goza na gente...

Agora escute a canção.
Escute. Pense. Reflita. Decida. Aja.

TENHA HISTÓRIA NA CABEÇA!


COMO FABRICAR UM REVOLUCIONÁRIO

Quinta-feira, Janeiro 26, 2012

COMO FABRICAR UM REVOLUCIONÁRIO



E assim foi o dia 25 de janeiro. Em passeata os estudantes mais uma vez quase pararam o centro da cidade. Quase, pois não encontraram resistência aos seus passos em toda a extensão da Av. Cde. Da Boa Vista até o palácio do governo. Mas deixaram o trânsito lento e com certeza chamaram a atenção da população.
                Encontraram mais apoio. Pelo menos visivelmente. Chuva de papel caiu de janelas de vários prédios da Avenida. Um espetáculo, se comparado aos episódios anteriores, marcados por lágrimas apimentadas e morais baleadas.
                Nem o temido e enfrentado Batalhão de Choque deu as caras. Para alívio de alguns e tristeza de outros que viam na presença dos homens escudados uma nostalgia da época áurea dos conflitos de rua contra os representantes dos interesses dos grupos mais ricos.
Estudantes protestaram
 em frente ao Palácio
                Caminharam os estudantes em marcha, entoando palavras de ordem, algumas de baixo calão. Mas caminharam, cantaram  e ficaram frente a frente com a polícia militar, encarregada de garantir a segurança do representante-mor dos interesses do Estado.
                Teve inclusive participação de ex-candidato.
                O movimento ficou em frente ao Palácio até aproximadamente as 18h30. Pouco tempo depois, as 22h13min, foi postado pelo Governo do Estado que:

Eduardo recebe movimento estudantil e Governo analisa pauta de propostas.

Entretanto, no ne10, antes, às 20h40min, foi postado que:

Uma comissão formada por 27 pessoas, representantes de seis organizações estudantis pernambucanas, foi recebida pelo governador. De acordo com a assessoria do Palácio, a comitiva teria chegado por volta das 16h30, uma hora antes do protesto alcançar seu destino final. O grupo que organizou o protesto desta quarta, porém, afirma que nenhum representante teria sido recebido no Palácio.

Qual das duas postagens traz informações verídicas? Se esse encontro ocorreu, por que os manifestantes não sabiam? E se sabiam, por que a marcha aconteceu?
                Segundo as fontes acima citadas, foi apresentada uma pauta com as reivindicações, respondendo ao que o governador falou em entrevista, seu primeiro pronunciamento acerca do acontecido.
                Parafraseando o líder revolucionário: o que fazer?
                Segundo um amigo meu, filósofo, a luta tem que ser feita de outra forma. Repetimos a tática, a mesma, que pouco funcionou em outros tempos. Para ele e não apenas ele, o capital só escuta se você atinge diretamente aquilo que o sustenta. Incendiar ônibus? Sim. Seria uma possibilidade. Não facilitar o troco? Sim. Ir andando ao trabalho? Sim. Desde a mais incisiva até a mais simples,  a ação é válida.
                Tudo está interligado. Incendiar ônibus atinge materialmente a empresa, logo o empresário naquilo que gera renda para ele. O que gera renda para ele, e gera muito mais que o ônibus é o usuário. Sem usuário, sem renda. Não pegar ônibus? Isso vai gerar demissão. Incentivo ações que vão gerar o desemprego? Pensemos fora da caixa.
                Tudo está relacionado: o patrão do vendedor da loja explora seu empregado em uma jornada de trabalho desumana e em muitos casos se trabalha para obter folga. É exploração da força de trabalho. Aquela menina, atendente de telemarketing, trabalha para uma corporação que tem sede na Holanda. A mão-de-obra dela é aqui. É sua força de trabalho vendida a preço módico.
                Pense: se as vendedoras de lojas se atrasam ou cruzam os braços, eles pararão de vender. O que vai gerar prejuízos para o patrão. Se os que não estão empregados entendem que a vaga aberta naquela loja é vaga para ser explorado e decidem não trabalhar, os patrões precisarão rever as condições de trabalho.
                Se o trabalhador cruza os braços, pois não aceita pagar passagem mais cara, se o desempregado apoia o não pagamento de passagem mais cara e se recusa a ocupar a vaga aberta pelo demitido atinge-se o capital numa escala maior. Ou seja, atinge-se o sistema nas suas ligações.
                Como fazer isso? Conscientização do todo. Tudo está interligado. Quando os vários grupos em luta entenderem que os inimigos são os mesmos, ainda que usem máscaras diversas, e agirem incisivamente atingindo o ponto nevrálgico do sistema, aí sim, poderemos mudar. Atingiremos o modo de produção. Isso sim será a revolução.
                Assim se fabrica um revolucionário: abrindo os olhos e mente para o todo. Às vezes as ideias divergem mas o bem maior deve ficar acima dos interesses pessoais, políticos, partidários etc...


LEIA MAIS PARA PENSAR FORA DA CAIXA:





TENHA HISTÓRIA NA CABEÇA.

POR QUE ESTUDAR HISTÓRIA DO BRASIL ou O QUE O MALANDRO, DE CHICO BUARQUE TEM A VER COM AS MANIFESTAÇÕES CONTRA O AUMENTO DAS PASSAGENS DE ÔNIBUS NO RECIFE

 Já há algum tempo eu escutei de um estudante em sala de aula: por que eu tenho que estudar História? Ou a mais contundente: por que eu tenho que estudar história do Brasil? É tudo uma roubalheira só. Algum leitor deste blog, que foi ou é professor de História já ouviu tal questionamento. E se for estudante de nível médio já fez essa pergunta ao professor ou ouviu algum coleguinha fazer.
                Estudar História durante um bom tempo foi um misto de decoreba de nomes e datas. Ou nomes e datas em questionários dos quais seriam retiradas as perguntas da prova. Bastava decorar e aguardar o dia da prova. E quem tinha dificuldade de decorar se dava mal. Ainda hoje encontro pais de alunos que dizem que estudar história era mais fácil na época deles...
                Pois bem, pensemos fora da caixa. Tanto a nostalgia de uns quanto a indignação de outros pela História de nosso país tem uma razão de ser.
                Disciplinas da área de Ciências Humanas têm um apelo emocional muito forte. Elas podem mexer com estruturas de sentimentos bastante profundas. É difícil encontrar alguém que não tenha amado uma área do conhecimento porque um professor fez com que ela enxergasse aquele aspecto da existência de uma forma diversa da qual estava acostumada. Como a maior parte das situações tem um outro lado, odiar também faz parte do pacote. Quem não detestou uma disciplina pois teve um professor medonho?
                E na área de Humanas temos a tríade do mal: História, Filosofia e Sociologia. Vamos aos clichês: mermão, esse professor de História é muito doido!, Ei, meu professor de filosofia é muito viajado; professor, o senhor é terrorista, né não? E, no meu caso específico, com minha vasta cabeleira afrodescendente, já ouvi desde dentro desse cabelo tem uma bomba, doido!; ei, o senhor é chegado em Bob Marley, né não?; até uma que já virou um clássico: o senhor é comunista, ateu, fã de Bob Marley e herege, né não? Esta última vale anotar, é entendida por muitos estudantes como sinônimo de professor de História.
                Assim, os professores de História são entendidos, na maior parte das escolas, como os mais perigosos. Ou os mais descolados. Ou os mais chatos. Perigosos pois posso construir um terrorista ou um revolucionário dependendo da abordagem que eu tenha de um mesmo assunto. Ou um ativista social responsável ou ainda um fascista de primeira linha. Posso fazer com as devidas condições de temperatura e pressão.
                Descolado se eu curto a vibe das modernidades culturais, como alguns costumam dizer. Chato, pois posso tornar um tema tão instigante quanto o período regencial brasileiro em uma aula tão sacal que até Araújo Lima, considerado reacionário “pra dedéu”, ia achar ruim.
                Pois bem. Quando estudamos História podemos escolher vários caminhos. Várias são as possibilidades de usar a Força. É o que se chama de vertente historiográfica. Ou escola histórica, ou historiografia e outros sinônimos...  dependendo da vertente, o mesmo assunto pode ser tratado por olhares diferentes.
                Tá, e como isso se relaciona com Chico Buarque e com as manifestações contra o aumento de passagens? Da seguinte forma: após a ditadura militar brasileira qualquer lembrança de autoritarismo ou reminiscência dele era extirpada. Uma das vertentes históricas mais utilizadas foi a marxista (que esteve presente na formação de muitos universitários antes dos anos de chumbo também). Qual é o ponto?
A análise pautada nas ideias de Marx garante um instrumental para compreensão da sociedade e dos conflitos de interesse muito bom. A questão é que a transposição desse referencial para as salas de aula acabou gerando uma simplificação: a sociedade é formada por exploradores e explorados. Existe a burguesia e o proletariado. A revolução socialista vai acabar com a desigualdade. Abaixo o capitalismo. Destruam os EUA.
Essas são algumas das palavras de ordem que já ouvi da boca de colegas de profissão. Mas ATENÇÃO! Não escrevo que eles estão errados. Eles optaram por tratar a história por essa ótica. O que acredito ser importante é lembrar o que Hilton Japiassu escreveu no livro A pedagogia da incerteza. Não posso ajudar meus estudantes a lidarem melhor com as transformações que a existência sofre se eu mesmo não me disponho a mudar. E não é uma negação da luta, da ação social, da reivindicação. Mas conheci muitas pessoas que negavam ou não viam a importância de estudar História pois não aguentaram professores que passavam várias aulas falando que tinham que mudar o mundo, fazer a revolução.
Esse uso fechado ao questionamento dessa vertente histórica apoiada nas ideias de Marx contribuiu muito (muito não é ser responsável) para que a História do Brasil fosse entendida como uma grande safadeza e com uma justificativa clássica: pois no início só vieram aqui para explorar e trouxeram ladrões, prostitutas.
Conheço muitos professores marxistas dos quais não concordo com o posicionamento em sala de aula mas que são meus amigos. Este texto não é uma crítica ao trabalho de vocês, certo? Este texto é uma tentativa de registrar como nós, professores de História, somos e podemos ser perigosos, descolados e chatos.

E O MALANDRO?

Tratar da História do Brasil é um desafio. E dos mais pesados. Mas, pensar sobre como isso pode ser feito e fazê-lo é muito bom também. Ao presenciar a discussão entre a senhora, o cobrador no ônibus e os manifestantes durante o protesto contra o aumento das passagens de ônibus me fez pensar como a ideologia coloca óculos que só garantem um jeito de ver a realidade (com todos os problemas que esse termo tem). Para a senhora e o cobrador, eram os estudantes os problemáticos.
Conversando com um amigo, ele me disse que os estudantes pediram para o Choque fazer o que fez. Entendo que ele não percebeu a estrutura maior, a superestrutura que está montada. Meu amigo, o cobrador e a senhora fazem parte do grupo ao qual pouca oportunidade e condição é garantida para refletir acerca da existência. É mais difícil querer entender a realidade quando se tem que pagar contas e sustentar uma família. Mas a indignação está lá e existe capacidade de indignar-se. Basta a parteira certa (grande Sócrates, o filósofo).
Foi quando lembrei de Chico Buarque e a música O Malandro. E do meu quinhão de professor de História e de História do Brasil. Podemos mudar o que existe? Sim. Conseguiremos rapidamente? Não. Como fazer, então? A História pode ajudar. E a História do Brasil pode muito mais. Basta que paremos de dicotomizar e passemos a problematizar.
É entender que a ação do Choque não é fruto apenas da truculência dos soldados. É fruto da truculência dos soldados mais algo que é HISTÓRICO no Brasil: a centralização. E a centralização violenta. O “debate” sobre o “projeto político” que se estabeleceria ocorre desde a época colonial. O governo geral, a corte no Rio de Janeiro a partir de 1808, o império de D. Pedro I, as guerras civis regenciais (ainda que este termo não apareça em livros didáticos), as violências contra marinheiros, camponeses, tenentes, comunistas, anarquistas e rebeldes os mais diversos são exemplos de resultados de ações centralizadoras.
A História do Brasil é a História das ações centralizadoras. Mais do que destruir visões do Brasil ou construir distorções, devemos problematizar. Por que ainda é assim? A quem serve? São perguntas importantes e tentar respondê-las pode ser o primeiro passo.
Este não é um texto prescritivo para meus colegas professores que porventura acessam o blog. Nem é um texto para doutrinar estudantes. É parte da problematização que faço de minha própria existência enquanto professor de História. Faço parte dessa mesma estrutura e me encontro várias vezes pensando como o garçom da canção de Chico.
Entender a História do Brasil é entender a ação do Batalhão de Choque e o silêncio de muitos grupos políticos.
Pode ser que não consigamos mudar tudo o que nos incomoda, mas com certeza nossas ações servirão de exemplo para outras pessoas.
Participar das passeatas ou entender os motivos delas acontecerem é um passo importante. É também participar ativamente da escrita da História, a História de todos e todas.
Eis a letra da canção de Chico. Eis o link para escutá-la.

LEIA. ESCUTE. PENSE FORA DA CAIXA.

TENHA HISTÓRIA NA CABEÇA.

O malandro/Na dureza
Senta à mesa/Do café
Bebe um gole/De cachaça
Acha graça/E dá no pé

O garçom/No prejuízo
Sem sorriso/Sem freguês
De passagem/Pela caixa
Dá uma baixa/No português

O galego/Acha estranho
Que o seu ganho/Tá um horror
Pega o lápis/Soma os canos
Passa os danos/Pro distribuidor

Mas o frete/Vê que ao todo
Há engodo/Nos papéis
E pra cima/Do alambique
Dá um trambique/De cem mil réis

O usineiro/Nessa luta
Grita(ponte que partiu)
Não é idiota/Trunca a nota
Lesa o Banco/Do Brasil

Nosso banco/Tá cotado
'Tá cotado
No mercado/Exterior
Então taxa/A cachaça
A um preço/Assutador

Mas os ianques/Com seus tanques
Têm bem mais o/Que fazer
E proíbem/Os soldados
Aliados/De beber

A cachaça/Tá parada
Rejeitada/No barril
O alambique/Tem chilique
Contra o Banco/Do Brasil

O usineiro/Faz barulho
Com orgulho/De produtor
Mas a sua/Raiva cega
Descarrega/No carregador

Este chega/Pro galego
Nega arrego/Cobra mais
A cachaça/Tá de graça
Mas o frete/Como é que faz?

O galego/Tá apertado
Pro seu lado/Não tá bom
Então deixa/Congelada
A mesada/Do garçom

O garçom vê/Um malandro
Sai gritando/Pega ladrão
E o malandro/Autuado
É julgado e condenado culpado 
pela situação

A HISTÓRIA DE TODOS OS DIAS ou PEDRA E BALA

DOMINGO, JANEIRO 22, 2012


A HISTÓRIA DE TODOS OS DIAS ou PEDRA E BALA


"Juventude que ousa lutar, constitui o
Poder Popular"
A História não acontece apenas de maneira bombástica, ela não é apenas a História dos grandes atos e das grandes pessoas. As pequenas pessoas e os pequenos atos, atos cotidianos, também fazem parte da História, também são História. A História de todos os dias. Era a História que estava sendo escrita quando, em 20 de janeiro de 2012, as ruas da cidade de Recife foram tomadas pelas reações indignadas de pessoas, de usuários de transportes públicos, de trabalhadores e, principalmente, de estudantes, que contestavam o aumento do valor das passagens de ônibus.
                O protesto começou a partir do cais de Santa Rita sob a ação do batalhão de choque. Atirando bombas de efeito moral e spray de pimenta, dispersaram os manifestantes, mas não a gana de lutar contra o aumento. Outro grupo se organizava na Avenida Conde da Boa Vista mais precisamente no cruzamento desta com a Rua Sete de Setembro. Os estudantes saíram em caminhada, sendo pressionados pelos policiais da ROCAM a não atrapalharem o trânsito. Ironia: o nome da rua que faz cruzamento com a Avenida faz referência ao episódio da Independência do Brasil! E se limitava a liberdade de expressão naquele momento.
Discussão entre lados que não são opostos
Testemunhei uma discussão entre os manifestantes, o cobrador de um ônibus e uma usuária. O cobrador reclamava por ter seu trabalho atrapalhado pela passeata e que eles (os estudantes) já pagavam meia passagem. O estudante argumentava afirmando que o aumento do preço da passagem não significava aumento salarial para ele ou para o motorista e que eles estavam lutando para que a senhora não tivesse que pagar mais caro.
Os manifestantes rumaram para a Praça Osvaldo Cruz sendo escoltados pelas forças da ROCAM. De lá marcharam rumo ao prédio da Faculdade de Direito do Recife (FDR), escoltados pelo batalhão de choque que fora convocado para evitar que fosse colocada em risco a segurança da sociedade. Os soldados do batalhão de choque pressionavam para que ocupassem apenas um dos lados da rua.
Desrespeito ao Código Penal e à liberdade de expressão

Manifestante apela à jurisdição e discursa
pela igualdade na bandeira
Assentada em frente da faculdade de Direito, a estátua de Tobias Barreto, ele mesmo um rebelde que enfrentou as estruturas de uma sociedade escravocrata, assistiu a ação das tropas do batalhão de choque contra estudantes. Em cenas que lembraram os conflitos das forças militares contra estudantes durante os anos de chumbo do regime militar, assisti a uma jovem ser presa enquanto protestava. Vale acrescentar que, segundo o artigo 249 do Código Penal, apenas agentes femininas podem abordar mulheres, se a ação exclusivamente feminina não prejudicar o ato policial. Perguntas: O que havia de tão perigoso, naquela jovem de baixa estatura, que movimentou quatro policiais para sua prisão, enquanto a policial feminina apenas observava? E o que havia de tão perigoso nas palavras gritadas pela moça? Cenas como essas aconteceram nos anos 1970, quando as tropas militares cercaram o prédio, na república militar, aquela que exilou, por exemplo, o avô do atual governador do Estado.
                Sob as lentes das emissoras de televisão e de cidadãos, o choque atirou contra os manifestantes, que procuraram abrigo no território da FDR. Naquele momento entendi de maneira mais intensa, quase na própria pele, as razões das reações vigorosas dos estudantes paulistas que negavam – e ainda negam – a entrada e manutenção de forças militares no território da USP. Imaginei o que poderia ter acontecido se fosse permitida a entrada das forças do Choque na Faculdade.

ENTENDENDO O QUE ACONTECEU

Antes do segundo confronto com
a polícia, manifestantes ocupam a
rua Princesa Izabel
              Antes, uma pequena digressão. Uma pergunta me foi feita certa vez por uma aluna: Por que as coisas que acontecem em tempos mais próximos de nós não são estudadas e o que aconteceu há mais de cem anos estudamos tanto? Respondi para ela que a justificativa dada por muitos historiadores (aqueles que são legitimados pelas universidades por produzirem o discurso competente, ou seja, aquele que é dito por quem, teoricamente, sabe o que está dizendo, porque estudou o que outras pessoas que sabiam o que estavam dizendo produziram) é que para se tratar de um acontecimento deve-se evitar o envolvimento com o que aconteceu. Quanto maior o afastamento temporal, segundo algunscompetentes historiadores, menor a possibilidade de se misturar juízo de valor com a análise histórica.
                     Por falta de um “afastamento temporal”, não poderia, então, analisar historicamente o ocorrido, inclusive porque eu estava lá, mas, como professor de História, não posso ignorar o meu papel social. Mais do que tomar partido, mais do que convencer os leitores deste blog e estudantes que têm aula comigo, tenho que levá-los a refletir, a pensar acerca da realidade na qual estão inseridos. Tudo é História.
             Durante a manifestação muitas pessoas reclamaram. Tiveram seus percursos atrapalhados. Chegaram atrasados em seus compromissos. Muitos eram trabalhadores, os principais usuários do sistema de transporte, logo, os principais afetados pelo aumento.
Segurança para quem?
Vi ali uma mostra de ideologia, uma percepção da realidade que não é a real. Vive-se a partir de valores de uma classe social tomando tais valores como seus. Vive-se em sociedade acreditando que ela sempre esteve lá, daquele jeito. Naturaliza-se o que é social, o que é cultural. A exploração de uma classe não é natural. A desigualdade é social, historicamente situada. Não somos naturalmente desiguais. Somos naturalmente diferentes.
A discussão entre o cobrador de ônibus e um dos manifestantes é um exemplo disso. Sem perceber que é parte da estrutura de dominação, ele, o cobrador, afirmou que os estudantes não deveriam reclamar, pois já pagam meia passagem. Não notou, o funcionário da empresa de ônibus, que aquele aumento não será repassado de maneira equivalente para o seu salário e que ele continuará mantendo os donos das empresas de ônibus através da mais valia gerada pelo exercício de sua função.
A função do Estado, segundo alguns, é garantir a segurança e o bem estar de todos. Tendo esse objetivo, o Estado pode legitimar qualquer ato. Desde o mais democrático até o mais autoritário. Essa foi a fala do chefe do batalhão de choque ao justificar a ação violenta contra os manifestantes. Atirar bombas de efeito moral, spray de pimenta fazem parte do monopólio da violência que o Estado quer manter em nome da segurança coletiva.
Considerando que a base do regime democrático é a liberdade de expressão, qual o crime que os manifestantes cometiam? Atrapalhar o trânsito? Raciocinemos de maneira diversa da qual estamos acostumados.
Quem estava nos coletivos que atrasaram seus percursos? Trabalhadores, em sua maioria. Para onde iam tais trabalhadores? Vender sua força de trabalho para os donos dos meios de produção. Se eles se atrasam, é possível que tenham descontado de seu salário mensal o equivalente ao tempo da demora. O que motiva o desconto? Que os patrões possam garantir que os trabalhadores não queiram se atrasar ou serem atrasados sob pena de terem seu rendimento referente àquele mês reduzido.
Continuemos: as instituições sociais são criadas para atender aos interesses de quem? Dos grupos dominantes. A polícia é uma instituição social. Se os grupos dominantes criam instituições sociais para atender aos seus interesses, a quem a polícia vai atender? Aos grupos dominantes. A quem incomodavam os estudantes que reagiam ao aumento do preço das passagens de ônibus? Aos grupos dominantes. Viu que não é difícil tirar o foco da maneira de pensar a qual estamos acostumados?
Planejamento da próxima ação
Amotinados no prédio da FDR, os manifestantes aguardaram a chegada do presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) para garantir que não sofreriam represália por parte do batalhão de choque. Em plenária, procuraram decidir qual o próximo passo em busca do cancelamento do aumento.
Ao final da tarde, aqueles manifestantes garantiram a segurança para saírem do abrigo da FDR. Alguns com a moral sangrando, atingida pelas bombas; outros, incertos acerca dos resultados reais daquela ação; mas todos e todas, ainda que sem saber, escreveram um capítulo da História de todos os dias.
E eu, professor de História, confirmei que Tudo é História não conseguindo tirar da minha cabeça a canção Pedra e Bala (ou Os Sertões), de Lirinha e BNegão, executada pelo grupo Cordel do Fogo Encantado.

As armas dos policiais contra as pedras e as palavras dos estudantes


Leia a letra. Escute a canção. Pense fora da caixa.

TENHA HISTÓRIA NA CABEÇA.

              

Juntem...
As forças pra seguir nessa jornada... na na na na!...
Busquem...
As forças pra lutar na sua própria batalha... na na na na!...

A poeira subiu de ambos lados
Arames farpados olhos e punhos fechados, cerrados
A face marcada pela mesma vida seca como a terra, rachada
Uma sombra densa e pesada eclipsando o que há de melhor na sua alma
O verdadeiro terror mais sufocante que o calor, eu disse:
"Essa é a sua jaula"
Os desertos se encontram de várias formas
Seja no espírito no solo ou na mente através de idéias tortas
Que produzem gente morta em escala industrial

Guerra pela terra, a pedra contra o tanque
Guerra altera a terra nada será como antes
Na inversão dos papéis do pequeno Davi contra Golias, o Gigante
Como os barões das mega-corporações
Gigante como o coronelado dos grandes e pequenos sertões
Como os vários e vários e vários Ubiratans
(Ubiratans...)
Com seus sanguinários batalhões
(É pedra e bala rasga o peito)
Que na sua prepotência
(De quem passa, passa sem destino)
E ignorância bélica
Não conseguirão perceber a força que a chegada certeira, daquela pedra

Juntem...
As forças pra seguir nessa jornada... na na na na!...
Busquem...
As forças pra lutar na sua própria batalha... na na na na!...

Um beijo seco no portão do teu ouvido
Quebrando cercas pra chegar, na nossa mira
A pedra curte, a bala corre e voa
A pedra fura, bala transpassa
A bala é quente e a pedra é pura como um gole de cachaça
Velho como teu projeto louco
Forte como quem chora de medo
Guerra pela terra
A pedra contra o tanque
Guerra altera a terra nada será como antes
Escuto em alto falantes aquele som de cimento dessa muralha sem fim
Desejo a pedra e a bala
E a santa paz fora do jogo
Pois o que fala alto é pedra e bala
(Pedra e bala)
Naquela praça onde as crianças brincam
(Sol, poeira)
Naquele prédio perto das estrelas
(De pedra e bala)
Naquele circo no qual quando chove não há espetáculo

quarta-feira, 28 de março de 2012

GABARITOS UFPE 2ª FASE 2005-2011

Confira os gabaritos das provas de História da 2ª fase da UFPE






2005


QUESTÃO
RESPOSTA
1
FVFFF
2
VFFFF
3
FVFVF
4
VFFVV
5
FVFFV
6
FFVVF
7
FVFFF
8
FFVFV
9
FVVVF
10
FVVFF
11
VFFFF
12
FFVFV
13
FFVFF
14
FVFVV
15
FVFFF
16
FVVVF






















2006


QUESTÃO
RESPOSTA
1
FFFFV
2
FFFVF
3
FVFVF
4
FVFFF
5
FFVFF
6
FFVFV
7
VVFFV
8
FFFVF
9
FVFFF
10
VFVFF
11
FVFFF
12
FFVFF
13
FVFFF
14
FVFFV
15
VFFVF
16
FFFFV






















2007


QUESTÃO
RESPOSTA
1
FFVFV
2
VFVVV
3
FVFVF
4
FVFVF
5
FFVFV
6
VVFVV
7
VVFVV
8
FVFFV
9
FFVFV
10
VVFFF
11
FFVVV
12
VVVVV
13
VVVVV
14
VVVVV
15
FVFFV
16
FVFVV






















2008


QUESTÃO
RESPOSTA
1
FVFFF
2
 VVFVF
3
 FVFVV
4
FFVFV 
5
 FFFFV
6
 FVFFF
7
 VVFFF
8
 FVVVF
9
 FVFVV
10
 VVFFV
11
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13
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14
 VFVFF
15
 VFFFV
16
 VFVFV






















2009


QUESTÃO
RESPOSTA
1
FVFVF 
2
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3
 FFVFF
4
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5
 FVVFV
6
 FVFVF
7
 FVVFF
8
 FVFFV
9
 FFVFV
10
 FVVVV
11
 FFVFV
12
 FVFFV
13
 FFVVV
14
 VVFVV
15
 FVFFF
16
 FFVFV






















2010


QUESTÃO
RESPOSTA
1
FFVFV 
2
VFVFF 
3
FVFFV 
4
 VVFVF
5
 FFVFV
6
 FFFVF
7
 FFVFF
8
 VFFVF
9
 FVVFF
10
 VFVFV
11
 FVVVV
12
 FFVFV
13
 FFFFV
14
 FVVFV
15
 FVVVV
16
 VFVVF






















2011


QUESTÃO
RESPOSTA
1
FFFVF 
2
 FFFVF
3
 VFVVF
4
 FFFVV
5
 VFVFV
6
 VVFFV
7
 VFFFV
8
 FVFVF
9
 FFVFF
10
 VFVFF
11
 FVFVF
12
 FFFFV
13
 FVFVF
14
 FFFVF
15
 FFVFF
16
 FVFFF