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ARTIGOS

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

REGULAÇÃO DA MÍDIA - PARTE 3 de 3 - COMO SE CONSEGUE UMA REDE DE TV


Nenhuma das redes de televisão é dona das ondas que garantem seu funcionamento. Todas elas recebem concessão por parte do Estado para poderem operar, sendo que essa concessão não é eterna, tem prazo de validade.

Isso acontece pois o setor telecomunicações é ESTRATÉGICO, isso quer dizer que é fundamental para garantir a soberania de qualquer nação, logo, o Estado deve fazer os investimentos necessários para desenvolver o setor.

A questão é que, muitas vezes, o Estado não tem condições de investir ou falta vontade política de quem compõe o congresso ou uma série de outras justificativas. Assim, o Estado disponibiliza, para quem queira, concessões para operar uma rede de TV.

Vale salientar que não é apenas a vontade de ter uma rede de TV que garante que se consiga a liberação para operar. Ocorre um processo avaliativo e entre os pontos que garantem a liberação da concessão é o valor de 70% do capital que será investido ter que estar sob as mãos de acionistas brasileiros.

Uma vez cumprindo os pré-requisitos, é liberada a concessão que PODERÁ SER RENOVADA OU NÃO APÓS CERTO PERÍODO DE TEMPO.

A retirada de concessões de TV pode ter vários motivos. Entre eles o fato de que a rede não esteja cumprido sua função social, caso parecido com o que aconteceu na Venezuela, quando o governo venezuelano retirou a concessão da RCTV afirmando que ela "não servia ao povo".

A regulação da mídia ocorre também com o objetivo de garantir o direito à informação, mas esse é o assunto da próxima postagem.

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sábado, 10 de janeiro de 2015

REGULAÇÃO DA MÍDIA - PARTE 2 de 3 - O CASO CHARLIE HEBDO

Tratar de censura é tratar de um dos pontos de apoio do regime democrático: a LIBERDADE DE EXPRESSÃO.

A liberdade de expressão se concretiza a partir da liberdade que, em sociedade, se deve ter de pensar o que quiser, acreditar no que bem entender (e que faz bem a quem acredita) inclusive religiosamente.

Simplificando: quanto maior a possibilidade de alguém se expressar, mais democrática é uma sociedade. Há, porém, um elemento gerador de conflito: a responsabilização sobre o que se expressa.

É assim: a vida em sociedade é marcada pelo conflito de interesses e necessidades e o Estado deve (ou deveria) administrar esses conflitos. No caso do jornal Charlie Hebdo, há a liberdade de expressar o que se deseja, o que se acredita ser correto (para quem expressou) entrando em colisão com a liberdade de pensamento.

A liberdade de pensamento está sustentada no tripé: liberdade de consciência, liberdade de crença e liberdade de convicção religiosa (por mais que haja discordância na forma com que se crê ou em que parte se está crendo).

As charges publicadas pelo jornal (representando a liberdade de expressão) colidiram com uma parte do Islamismo e veio a reação defendendo a crença dessa parte que, de maneira alguma, representa todas as pessoas que são adeptas da religião muçulmana. Nesse âmbito está o conflito de dois direitos fundamentais.

Entrando no mundo do "E SE...?" talvez se o Estado francês tivesse intervido quando foram publicados os primeiros cartuns, a situação não teria chegado ao que chegou (mas disso também não sabemos pois é o mundo do "E SE...?")

Regular a mídia não é censurá-la mas ter formas de garantir que ela cumpra uma de suas funções sociais e monopolizar a veiculação de informações, disseminar ou contribuir para a propagação de violências, com certeza, não é uma delas.


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sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

SOBRE O ATENTADO CONTRA O JORNAL E CARTUNISTAS MORTOS

Com o atentado contra o jornal Charlie Hebdo, voltou para as redes sociais o uso de palavras-chave como liberdade de expressão, censura, ditadura e afins. Como estamos no calor dos acontecimentos, fica difícil ver em perspectiva tanto as reações em favor de quem assassinou quanto dos que sofreram os ataques.

Um ponto que se deve considerar é que não há assassinato justificável ou sequer passível de justificativa, mesmo parcial. Fossem as vítimas de qualquer grupo, instituição, classe social, vinculação religiosa, assassinato sempre será condenável.

Chama atenção o fato de que não se está considerando as atividades anteriores do jornal, que foram marcadas por muita polêmica. O jornal foi fundado nos anos 1970 e articulou-se tecendo críticas pautadas no esquerdismo pós maio de 1968.

O Charlie Hebdo ganhou mais projeção publicando charges ofensivas contra muçulmanas/os a partir do século XXI. Os atentados deste início de 2015 podem ser vistos como uma "resposta" contra as várias charges ofensivas ao Islamismo.

Abra o seu coração: imagine você, religiosa/o ter a divindade em que você crê sendo retratada de maneira depreciativa? Como você se sentiria? Com raiva? Chateada/o?

MAIS UMA VEZ: Não se está fazendo apologia aos assassinatos acontecidos na França, mas chamando atenção para um discurso que quer legitimar um tipo de liberdade de expressão que está assentado no desrespeito ao que não é parte do hegemônico (judaico-cristão, branco, heteronormativo).

O que se busca aqui é a inserção de elementos para auxiliar no debate fora do que se vê de imediato.

A imagem ao lado pode ajudar a repensar o discurso geral. Se coloque no lugar de muçulmanos/as e tente compreender como há uma conjuntura que não favorece nenhum dos lados, mas amplia a mortandade e o desrespeito.

(em tempo: já há discursos usando o atentado como exemplo do que acontecerá se ocorrer a regulação da mídia (!!!) )

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REGULAÇÃO DA MÍDIA - PARTE 1 de 3 - O QUE É E POR QUE É IMPORTANTE QUE ACONTEÇA

Tratar de regulação da mídia no Brasil é tratar de duas coisas: medo de perder domínio (por parte de grupos que historicamente "recebem" as concessões) e emprenhamento pelo ouvido.

Dessas duas, a segunda é mais tensa exatamente porque muitas pessoas não compreendem a diferença entre CENSURA e REGULAÇÃO e se colocam contra a segunda crendo que se está sendo contra a primeira.

1. REGULAÇÃO

É quando são estabelecidas regras para o funcionamento de setores estratégicos para o Estado e para a população. A regulação vai gerar deveres que a mídia deve cumprir.

2. O QUE SE REGULA

É importante saber que a regulação não é algo que exista apenas direcionada para a mídia.

Outros setores também são regulados e tal regulação acontece sob a organização do Estado que é (ou deveria ser) agente da sociedade que, por sua vez, deve ser soberana.

Monopólios naturais, concessões estatais são exemplos do que deve ser regulado. No caso específico da mídia, a regulação se insere no contexto do setor da vida social que, não sendo regulado, apresenta (ou pode apresentar) problemas.

Qualquer setor que tenha elevado poder de influência sobre a vida social deve ser regulado sob pena de manipular o que a população deve pensar ou ainda de atender interesses de grupos específicos, tanto sociais quanto econômicos.

A regulação da mídia, ao ser implementada, possibilitará a consolidação do direito à informação e, talvez o ponto mais importante, a RESPONSABILIZAÇÃO DOS VEÍCULOS DE INFORMAÇÃO POR AQUILO QUE PUBLICAM.

ATENÇÃO: responsabilizar não é censurar, mas garantir que se os veículos de comunicação publicam algo que gera ou pode gerar repercussões nocivas para grupos, indivíduos, instituições, eles (os veículos) deverão prestar esclarecimentos e arcar com os resultados de suas publicações, filmagens, reportagens, comentários etc.

Um exemplo da necessidade de regulação da mídia é o caso da Escola Base, acontecido no Brasil nos anos 1990. Assista o vídeo que pode ser um importante início para pensar fora da caixa sobre o tema.

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quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

"É A DEMO, DEMO A DEMO, É A DEMOCRACIA" - contra o "mimimi" pós eleição

Desde o final das eleições o suposto engajamento político virtual feicebuquiano foi amansado. Algumas amizades foram refeitas e outras continuam afastadas devido ao processo eleitoral que quase destruiu famílias inteiras.

Mas esse amansamento não quer dizer que a "política" saiu das redes, mas que reduziu sua presença ou sua gana. Agora o que mais se vê é uma espécie de indireta (semi direta) temperada com sarcasmo. Algo do tipo: "cadê o pessoal que votou na Dilma?" "Ué, não é essa a esquerda do voto crítico? Quero ver agora que ela tá nomeando fulano, ciclano , beltrano, deuterano etc."

Essas afirmações em nada contribuem para a vida política e, por extensão, democrática. A prática política é marcada por contradições que são parte da própria existência humana. O princípio da cidadania ativa é a continuidade, é a renitência na busca pela ampliação de direitos, cumprimento de deveres e uma espécie de combate tanto para evitar supostos avanços e retrocessos (dependendo de quem reivindica pode ser um ou outro).

Esse "mimimi" ferino em nada contribui para a melhoria das condições de vida da maior parte da população. É como se fosse a indignação de quem não sabe lidar com a frustração por não conseguir o que queria ou mesmo por não conseguir lidar com o que diverge de sua visão de mundo, sua cosmovisão.

O fundamento da vida democrática é o conflito - de interesses e necessidades. A negociação e o conflito são parte de legítima democracia. Isso não quer dizer que devemos aceitar o que para nós é colocado por quem elegemos. É exatamente o oposto disso inclusive para quem não escolhemos para nos representar.

Logo, escutemos Tom Zé e sua canção DEMOCRACIA, que aborda em termos bem interessantes esse regime em suas "dores e delícias".

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Democracia
Tom Zé

Democracia que me engana
na gana que tenho dela
cigana ela se revela, aiê;
democracia que anda nua
atua quando me ouso
amua quando repouso.

É o demo o demo a demó
é a democracia
é o demo o demo a demó
é a democracia.

Democracia, me abraça
com tua graça me atira
desfaz esta covardia, aiê;
democracia não me fere
mira aqui no meio
atira no meu receio.

Democracia que escorrega
na regra não se pendura
na trégua não se segura, aiô;
democracia pois me fere
e atira-me bem no meio
daquilo que mais eu mais receio.

Democracia, não me deixe
sou peixe que fora d'água
se queixa, morre de mágoa, aiê;
democracia não se dita
maldita seja se dura,
palpita pela doçura.

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

"MAS ELE É TÃO LEGAL, POR QUE VOCÊ NÃO 'DÁ' PRA ELE?..." - Cultura do estupro: o que é e por que devemos combater

Uma das frases mais repetidas quando é veiculada alguma notícia de crime contra mulheres é essa que dá título a postagem de hoje. Acompanhada de outras como: "também, com essa roupa!" Ou ainda: "Bebendo desse jeito também, queria o quê?"

Essas frases, assim como a forma de pensar que as sustenta compõem algo que não é apenas nacional, é mundial: a CULTURA DO ESTUPRO. 

CULTURA DO ESTUPRO pode ser entendida como o conjunto de práticas sociais, formas coletivas de pensar, de sentir e atitudes que legitimam o estupro, que garantem omissão sem alguma culpa quando alguma ofensa ou agressão (física, inclusive) é dirigida a mulheres e que culpabilizam a vítima.

Pense no seu cotidiano:quantas vezes você não ouviu (ou mesmo falou) que "sorriu, f#$@u!" quando alguma mulher sorriu em uma festa? Ou ainda: "É minha namorada (esposa, ficante, noiva) tem que transar comigo quando eu quiser!"

Uma muito comum é afirmar que mulheres que são bem tratadas por homens deveriam "dar pra eles", ou namorá-los, ou casar. Geralmente na escola essa é uma forma de pensar quando uma jovem se recusa a ficar com o "cara legal" mas que não está dentro dos padrões de beleza ("bonito", malhado etc.)

Pois bem, não se acanhe se houve identificação. É tão naturalizado que se mostra como correto. MAS NÃO É. É parte da ideologia patriarcal que está na base que formou a visão quase planetária acerca das mulheres.

Um bom primeiro passo é reconhecer que se é machista, sexista (o mesmo vale para racista e homofóbica/o) e, posterior a compreensão de como você se tornou isso, combater essa forma perversa de apropriação da vida das mulheres.

Este é um tema vastíssimo e dará ainda muitas postagens.

O vídeo "É sua culpa" (It's your fault, no original) foi produzido com o objetivo de tocar nesse assunto e o faz de maneira irônica, o que é forma boa de se levar a desnaturalização do ato criminoso e da culpabilização da vítima.

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domingo, 4 de janeiro de 2015

GOD OF WAR, CANDOMBLÉ E PROTECIONISMO RELIGIOSO


Uma das frases mais repetidas é: "religião não se discute". E vem acompanhada das seguintes: "política e futebol também não".

No programa domingão do faustão do dia 04 de janeiro de 2015, em um quadro denominado saco de risadas, quem assistiu pôde ver três comediantes "alegrando" espectadoras/es e telespectadoras/es, sendo um deles vestindo indumentária e afirmando ser a divindade Yemanjá, do panteão afro-brasileiro.

Impressiona a falta de respeito com a crença que não é judaico-cristã, que foi caracterizada como invejosa, briguenta e num dos momentos de maior desrespeito, quando tenta agredir uma das bailarinas do faustão, ela "planta bananeira" e é retirada do palco, podendo se ver quando um dos comediantes que participava da cena chutar aquele que se designava como a divindade.

A intolerância religiosa deve ser combatida em todas suas manifestações. Da mesma forma que se busca respeito para as divindades religiosas afro-brasileiras, também deve-se contestar representações depreciativas de padres, freiras, pastores, papas e qualquer manifestação que esteja atrelada a fé que se professa.

Pense além: qualquer representação, seja em imagens, canções etc,do deus judaico-cristão é logo tachada de herege, pede-se que seja retirada do ar, das bancas, pensa-se até em processar juridicamente.

Mas aqui pergunto: e God of War? Aquele jogo muito famoso e que retrata várias divindades gregas bem violentas, perversas e afins? Ainda que haja uma indústria cultural que ganhe e muito com o jogo, devemos considerar que são parte da religiosidade de um povo. (aqui não trataremos das metamorfoses sofridas pela religiosidade grega, mas fica o ponto para você pesquisar, ok? ;) )

Apenas pense mais um pouco: quando se trata da religiosidade judaico-cristã, a depreciação, o desrespeito raramente atingem o deus supremo, ficando restrito aos papas, padres, pastoras, freiras. No caso das religiões afro-brasileiras, o ataque é direcionado aos deuses e deusas - as/os próprias/os.

É tão naturalizado que nem se notam essas práticas discriminatórias que vão desde palavras até jogos, aparentemente, inofensivos.


Aqui você confere uma montagem que foi feita sobre uma parte da Capela Sistina pintada por Michelângelo e que mostra o personagem do jogo God of War se preparando para atacar a representação católica de deus. Muita polêmica causou e ainda causa. A outra foto mostra o momento de desrespeito exibido em rede nacional no domingão do faustão.

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EU NÃO SOU CACHORRO, NÃO - IDEIA CANTADA - porque música cafona (brega) também foi censurada

É comum, quando se faz referência ao período de governo civil-militar (antes referida apenas como ditadura militar, mas esse é assunto de outra postagem, aguarde), pensar quase que automaticamente em artistas censuradas/os e, mais especificamente, em artistas como Caetano Veloso, Chico Buarque, Raul Seixas.

Porém, deve se considerar que há a construção de uma memória "oficial" acerca da história da música brasileira e que privilegia determinadas/os artistas no processo de patrulhamento e censura da produção cultural do período.

Na época existia um grupo de artistas que era alcunhado de "cafona" (ou brega que, hoje em dia, se refere a outro estilo musical com algumas semelhanças) e que também foi censurado.

Odair José, Wando e Waldick Soriano foram colocados nesse grupo. No caso de Waldick Soriano, a canção EU NÃO SOU CACHORRO, NÃO sofreu a ação dos censores pois estes acreditaram (ou quiseram acreditar) que a ela fazia queixas, denúncias contra o regime (!).

Se você ficou impressionada/o com isso, compreenda que em um regime autoritário um dos grupos que são imediatamente colocados sob vigilância é o de artistas, por falarem aos corações e mentes de quem os escuta, lê, olha.

Waldick Soriano é um bom exemplo que, mais do que ser cafona, brega, tratar de amor pode ser algo considerado perigoso, independente de como se trate.

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sábado, 3 de janeiro de 2015

O QUE FAZER DA MINHA VIDA? - Milan Kundera, Frank Sinatra e possíveis possibilidades

Uma das questões mais frequentes nas nossas mentes é: será que estou fazendo a coisa certa?

Não há quem não tenha, em algum momento, ficado em dúvida acerca das próprias ações e de seus possíveis resultados.

Essas dúvidas são imobilizadoras - na maior parte das vezes - e nos impedem de agir. Noutras, nos direcionam para tomar as mesmas atitudes que deram resultados para outras pessoas, que nós conhecemos ou que acreditamos conhecer.

É comum também darmos ouvidos para as pessoas que aparentemente sabem o resultado que nossas ações terão.

Uma possibilidade de lidar com a angústia de não saber os resultados de nossas ações é simplesmente agir. Fazer o que tem que ser feito.

O escritor Milan Kundera em seu livro "A insustentável leveza do ser" escreve que a vida não admite ensaios, rascunhos, ou seja, não dá para fazer "de brincadeira" qualquer coisa, apenas fazer e, posteriormente, pensar acerca de como repercutiu.

Frank Sinatra, cantando "My Way", nos mostra alguém fazendo uma espécie de retrospectiva da própria vida e afirmando que, ao final, fez "o que quis" assumindo "as porradas que vieram".

Então, quando a pergunta vier (e ela com certeza virá), pense que é muito difícil saber com exatidão quais os resultados que suas ações terão, mas que o peso do resultado será sempre menor quando se assume, se afirma a própria vida e nossas escolhas.

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TESTEMUNHAS: DE JEOVÁ, DE DARWIN E DA FALTA DE EQUILÍBRIO

Uma das questões mais acirradas do mundo das ciências - humanas, numéricas e da saúde - diz respeito ao início de tudo, tanto da vida na terra quanto do universo. Duas teorias se destacaram nesse tempo todo: o criacionismo e o evolucionismo.

Cada uma dessas teorias tem adeptas/os que as defendem fervorosamente.Tanto uma quanto a outra explicam, da maneira que lhes cabe, as origens.

Entretanto, em ambos os lados há posicionamentos de negação da explicação do outro. Essa negação passa tanto pelo posicionamento da simples afirmação de que um dos lados está correto e o outro está errado e  até pela pressão para que o Estado retire ou coloque uma das duas teorias nas grades curriculares das escolas.

A proposta mais ousada talvez seja identificar como essas diversas explicações podem se aproximar e enriquecer as respostas sobre a pergunta "de onde viemos?" .

Será que o evolucionismo não é a forma com a qual Deus/a/es/as (seja qual for em que se acredite) age sobre sua criação?

Em momento algum busco negar qualquer dos lados, mas sim buscar uma forma através da qual possamos pensar além do  que se tem de imediato e que poucas vezes é problematizado.

Rousseau foi um dos pensadores iluministas que chamou atenção para os perigos da supervalorização da explicação científica, pontuando que apenas se substituiria uma "fé" por outra.

O vídeo do Porta dos Fundos, Testemunha de Darwin, pode ser interessante para percebemos como, muitas vezes, o discurso científico se assemelha ao religioso na defesa do que se acredita. E vice-versa.

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sexta-feira, 21 de novembro de 2014

PORQUE O OCUPE ESTELITA É MAIS QUE UMA CAUSA EM PROL DA HUMANIDADE E DO PÉ DE MANGA

Uma das funções do Estado é garantir condições dignas para a população. Nesse sentido, desde escolas públicas passando por atendimento médico, segurança, transportes públicos, tudo deveria ser de qualidade (pelo menos mínima, o que é exigir pouco considerando o pagamento de impostos) para o povo.

Esse argumento pode ser sempre invocado para falar mal das autoridades que deveriam atender aos nossos interesses. Isso, no entanto, não é novidade. A proposta aqui é pensar um pouco além.

O Estado (o conjunto de instituições jurídicas, políticas), já foi dito por vários pensadores, existe principalmente para atender aos interesses de quem detém poder financeiro (a tal elite). Pois vamos fazer uma linha de raciocínio buscando interligar aspectos que parecem, numa primeira olhada, não terem relação.

CARROS. 

Se existe um veículo que se opõe ao que deveria ser uma das funções da cidade, este é o carro particular como é usado hoje em dia. Ele resolve o problema individual de conforto para ir/voltar do trabalho. Como muitas pessoas trabalham, então temos muitos carros particulares nas ruas.

E os temos porque o transporte público prestado à população não presta (o trocadilho foi proposital). Quem iria investir em combustível diariamente se tivesse conforto e segurança nos ônibus e metrôs da cidade?

Mas investir em transporte público de qualidade é contrariar interesses das montadoras - eita, tem uma fábrica de automóveis funcionando aqui perto! Identificou a relação?

TRANSPORTE PÚBLICO DE QUALIDADE REDUZIRIA OS LUCROS DAS MONTADORAS

PROJETO NOVO RECIFE.

O projeto novo recife, da forma que tentam implementá-lo, não atende a função de gerar encontros que a cidade tem (e teve noutros tempos). Aquele espaço do Estelita daria um fabuloso lugar de encontro, de sociabilidades as mais diversas.

O projeto que querem implementar não contribuiria para a diversidade de encontros, as possibilidades que podem ser criadas e recriadas a partir de espaços públicos de qualidade.

Nesse ponto pense: quando se quer encontrar com as pessoas que te fazem bem, o que se faz? shopping. Neste o que se faz? Ver vitrines, vitrines e o máximo de sociabilidade saudável (será?) que se tem é ir ao cinema (com altos valores de ingresso e mais altos se for na sala de maior "conforto") ou a praça de alimentação com a comida cara, pouco saudável e que as conversas são gritos (quem nunca voltou pra casa rouca/o após uma tarde no shopping?).

A relação:

ESPAÇOS PÚBLICOS DE QUALIDADE REDUZIRIAM OS LUCROS DOS SHOPPINGS

O #OcupeEstelita é a causa em prol da humanidade e do pé de manga porque representa o empoderamento do que é nosso: a cidade. Ela é nossa.

Há tempos ocorre esse tipo de ingerência: ações são implementadas sem a participação de todas as pessoas interessadas ou que seriam e são afetadas pelo que se decide.

O #OcupeEstelita foi um passo fundamental na retomada do espaço da cidade, do espaço da política e repercute no mundo. Não repercute na grande mídia daqui pois esta tem relações diretas com as montadoras de automóveis, construtoras, shoppings, empresas rodoviárias.

Essa é a relação com o pé de manga: com mais espaços públicos, haverá mais árvores frutíferas. Com transporte público de qualidade mais pessoas se encontrarão e irão para as praças e poderão "se atrepar" no pé de manga ou curtir sua sombra.

Devemos problematizar o que nos é mostrado como único caminho, única possibilidade.

Temos o direito de assumir qualquer lado, mas, é fundamental escarafunchar, questionar, duvidar e, sinceramente, não creio que entendendo o que deve ser uma cidade e comparando com a que temos, defendamos o projeto novo recife, ainda que saiba que muitas pessoas o defendam.

O vídeo abaixo, lançado recentemente, contribui e muito para entendermos a situação da cidade/nossa.

Abra seu coração.

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segunda-feira, 10 de novembro de 2014

IDEOLOGIA, DISCURSO DE ÓDIO E RESULTADO DAS ELEIÇÕES - uma reflexão a partir de Slavoj Zizek

Após o resultado das eleições assistimos a manifestações explícitas de ódio contra nordestinos/as colocando-as/os como principais responsáveis pela derrota do candidato Aécio Neves.

A propagação desses raciocínios mais do que indignar deve levar ao questionamento dos motivos de se manifestarem e tão escancaradamente, sem pudores mesmo.

Está ligado a ideologia. Mais do que conjunto de ideias, ideologia pode ser entendida também como o que dá sentido ao nosso modo de estar no mundo, é o que legitima nossas formas coletivas de sentir, pensar e agir.

O vídeo abaixo foi montado a partir do documentário “O Guia Pervertido da Ideologia“, de Sophie Fiennes, em que Žižek explica sua teoria da ideologia e, nessa montagem, podemos ampliar a reflexão sobre o que acontece no país.

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sexta-feira, 31 de outubro de 2014

TREINANDO PARA O ENEM - 2014 - POBREZA, MISÉRIA, PAPA FRANCISCO E OS SOCIALISTAS

Em História, uma das habilidades importantes para quem fará a prova nos próximos dias é identificar semelhanças e diferenças em tempos históricos diferentes e em espaços diversos também.

Essa habilidade é mais do que simplesmente afirmar: antes era assim, agora é desse outro jeito.

Identificar semelhanças e diferenças em tempos e espaços históricos diversos (ou os mesmos) é ser capaz identificar o que diferencia determinado acontecimento, comportamento no mesmo lugar - ou não, no mesmo tempo - ou não.

EXEMPLO:

Quando se trata de pobreza e miséria um dos momentos históricos que geralmente são mencionados é a chamada Idade Contemporânea, mais especificamente o conteúdo da Revolução Industrial.

As transformações que a revolução técnica causou criaram um mundo marcado pela prosperidade material para alguns (os donos dos meios de produção, a burguesia industrial) e a pobreza e miséria para outras/os (a força de trabalho, o proletariado).

As condições de miséria levaram tanto a reações quanto a reflexões e, a partir daí, ocorreram o movimento dos quebradores de máquinas, dos cartistas e as reflexões (que se desdobraram em ações) socialistas.

O ENEM pode solicitar que IDENTIFIQUEMOS nestes ESPAÇOS e TEMPOS diversos AS SEMELHANÇAS com o que temos nestas condições atualmente.

Temos miséria (SEMELHANÇA) mas com uma DIFERENÇA: o mundo no qual vivemos, superou a condição de sobrevivência e produzimos  alimentos suficientes para não ter mais fome no planeta.

Por extensão, vem a PROBLEMATIZAÇÃO: POR QUE ainda tem gente morrendo de fome? A QUEM INTERESSA a manutenção dessa ordem vigente?

Nesse sentido, cabe BUSCAR quais os desafios dos socialismos neste mundo.

Recentemente o papa Francisco deu uma declaração que pode nos ajudar a pensar sobre o assunto:

(...)
"Eu só posso dizer que os comunistas têm roubado a nossa bandeira. A bandeira dos pobres é cristã. A pobreza está no centro de o Evangelho", disse ele, citando passagens bíblicas sobre a necessidade de ajudar os pobres, os doentes e os necessitados.

"Os comunistas dizem que tudo isso é comunismo. Claro, vinte séculos mais tarde. Então, quando eles falam, pode-se dizer: 'mas então você é cristão'", disse ele, rindo.

Desde sua eleição, em março de 2013, Francisco tem frequentemente atacado o sistema econômico global como sendo insensível aos pobres e não fazer o suficiente para compartilhar a riqueza com aqueles que mais precisam.

No início deste mês, ele criticou a riqueza feita a partir de especulação financeira como intolerável e disse que a especulação com commodities era um escândalo que comprometeu o acesso dos pobres aos alimentos."


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LEIA O TEXTO COMPLETO EM:

Papa afirma que comunistas são os cristãos não assumidos







sexta-feira, 24 de outubro de 2014

O "SER DE ESQUERDA" E A AMPLIAÇÃO DO QUE VEM A SER ISSO - A FUNDAMENTAL CONTRIBUIÇÃO DE DELEUZE

Uma das frases mais repetidas nos últimos tempos é: 

"Não existe mais esse negócio de esquerda ou direita!" "isso está ultrapassado!"

Uma das formas pelas quais a ideologia se mantém e se reproduz é através da homogeneização das diferenças e ocultação das contradições. É fundamental considerar que esquerda / direita são mais do que posicionamentos políticos ou ideológicos. São formas de ser, estar e agir no mundo.

Ainda que o posicionamento ativo não pareça existir ou está tão diluído que podemos ver caminhando juntos, em alguns setores do nosso cotidiano político (e social), grupos, pessoas, partidos que, noutros tempos, sequer dividiriam palcos, muito menos uma coligação a situação que temos diante de nós pede uma reflexão além do que a vista alcança.

Já passou da hora de se repensar algumas posturas conciliatórias, que foram proveitosas noutro momento, para lembrar que a dinâmica social vai gerar a transformação e esse acordo conciliatório criou sua própria antítese exposta na composição de nossa casa legislativa.

O pensador Deleuze foi questionado sobre o que é ser de esquerda. Eis sua resposta:

"Acho que não existe governo de esquerda. Não se espantem com isso. O governo francês, que deveria ser de esquerda, não é de esquerda. Não é que não existam diferenças nos governos. O que pode existir é um governo favorável a algumas exigências da esquerda. Mas não existe governo de esquerda, pois a esquerda não tem nada a ver com governo. Se me pedissem para definir o que é ser de esquerda ou definir a esquerda, eu o faria de duas formas.

Primeiro é uma questão de percepção. A questão de percepção é a seguinte: o que é não ser de esquerda? Não ser de esquerda é como um endereço postal. Parte-se primeiro de si próprio, depois vem a rua em que se está, depois a cidade, o país, os outros países e, assim, cada vez mais longe. Começa-se por si mesmo e, na medida em que se é privilegiado, em que se vive em um país rico, costuma-se pensar em como fazer para que esta situação perdure. Sabe-se que há perigos, que isso não vai durar e que é muita loucura.

Como fazer para que isso dure? As pessoas pensam: “Os chineses estão longe, mas como fazer para que a Europa dure ainda mais?” E ser de esquerda é o contrário. É perceber... dizem que os japoneses percebem assim. Não veem como nós, percebem de outra forma. Primeiro eles percebem o contorno. Começam pelo mundo, depois o continente... europeu, por exemplo... depois a França, até chegarmos à rue de Bizerte e a mim.

É um fenômeno de percepção. Primeiro percebe-se o horizonte.

Entrevistadora: mas os japoneses não são um povo de esquerda.

Mas isso não importa. Estão à esquerda.

Primeiro, vê no horizonte e sabe que não pode durar, não é possível que milhares de pessoas morram de fome. Isso não pode mais durar. Não é possível essa injustiça absoluta. Não em nome da moral, mas em nome da própria percepção.

Ser de esquerda é começar pela ponta. Começar pela ponta e considerar que estes problemas devem ser resolvidos. Não é simplesmente achar que a natalidade deve ser reduzida, pois é uma maneira de preservar os privilégios europeus. Deve se encontrar os arranjos, os agenciamentos mundiais que farão com que o terceiro mundo... ser de esquerda é saber que os problemas do terceiro mundo estão mais próximos de nós do que os de nosso bairro. É de fato uma questão de percepção.

Não tem nada a ver com a boa alma. Para mim, ser de esquerda é isso.

E, segundo, ser de esquerda é ser ou devir minoria. Não deixar devir minoritário. A esquerda nunca é maioria enquanto esquerda por uma razão simples: a maioria é algo que supõe, até quando se vota, não é só a maior quantidade que vota para tal coisa mas a existência de um padrão. No ocidente, o padrão de qualquer maioria é: homem, adulto, macho, cidadão. Ezra Pound e Joyce disseram coisas assim. O padrão é esse.

Portanto, irá obter maioria aquele que, em determinado momento, realizar este padrão. Ou seja, a imagem sensata do homem adulto, macho, cidadão. Mas posso dizer que a maioria nunca é ninguém. É um padrão vazio. Só que muitas pessoas se reconhecem nesse padrão vazio. Mas, em si, o padrão é vazio. O homem macho, etc...

As mulheres vão contar e intervir nesta maioria ou em minorias secundárias a partir de seu grupo relacionado a este padrão. Mas, ao lado disso, o que há? Há todos os devires que são minoria. As mulheres não adquiriram o ser mulher por natureza. Elas têm um devir mulher. Se elas têm um devir mulher, os homens também o têm. Falamos do devir animal. As crianças também têm um devir criança. Não são crianças por natureza. Todos os devires são minoritários.

Entrevistadora: só os homens não têm um devir homem...

Não, pois é um padrão majoritário. É vazio. O homem macho, adulto não tem devir. Pode devir mulher e virar minoria. A esquerda é o conjunto de processos de devir minoritário. Eu afirmo: a maioria é ninguém e a minoria é todo mundo. Ser de esquerda é isso: saber que a minoria é todo mundo e que é aí que acontece o fenômeno do devir. É por isso que todos os pensadores tiveram dúvidas em relação à democracia, dúvidas sobre o que chamamos de eleição. Mas são coisas bem conhecidas".

Pense FORA DA CAIXA.

Eis o vídeo com a resposta do pensador:





sexta-feira, 17 de outubro de 2014

PRIVATIZAÇÃO - O QUE É, COMO SE FAZ E SEUS RESULTADOS

Palavra fácil nos discursos políticos recentes, privatização é mais que doce conceitual na boca da galera. Entender o que é e, principalmente, seus resultados, é fundamental para a tomada de decisões eleitorais que se aproximam e para entender projetos políticos anteriores e vindouros.

1. O QUE É

Privatização é quando se vende um setor da economia para empresas ou grupos que podem ser nacionais ou internacionais. Essas empresas passam a prestar o serviço que antes era realizado pelo Estado.

2. POR QUE ACONTECE

É comum se afirmar que privatizações são realizadas pois o Estado não consegue prestar o serviço com qualidade. A privatização acontece, então, para que um grupo ou empresa faça o que o Estado não tem condições de fazer.

3. POR QUE REALMENTE ACONTECE

As privatizações acontecem, na verdade, para atender aos interesses do capital, principalmente internacional. Grupos que compram o direito de explorar setores da economia o fazem pois são setores financeiramente rentáveis - MUITO RENTÁVEIS.

Os investimentos que são feitos e que melhoram a condição do serviço ou ampliam a exploração do setor não são realizados com objetivos de melhorar a economia do  país ou a qualidade de vida da população que efetivamente precisa de serviços melhores.

São o mínimo de investimento que deve ser feito para ter retorno várias vezes maior.

4. COMO ACONTECEM

São realizados leilões através dos quais as empresas/grupos interessados dão lances a partir de um valor mínimo.

5. QUAIS OS PROBLEMAS DAS PRIVATIZAÇÕES

São vários, mas tratemos dos mais simples:

a. o rendimento que as empresas privatizadas têm é infinitamente superior ao valor pelo qual foram vendidas. Você pensou, provavelmente: "mas foi porque as empresas investiram"...

Sim, até foi. O que chamo atenção é para o fato de que os setores que foram privatizados, se recebessem o investimento necessário, renderiam para o Estado -  por extensão para o população - esses lucros que seriam reinvestidos em infra-estrutura para a própria população.

A Cia Vale do Rio Doce nos dá exemplo interessante: foi vendida por três bilhões de dólares. Sabe qual foi o faturamento da empresa depois? Eu te digo: dez bilhões de dólares.

Considere que o projeto da Vale implicava a ampliação de extensa malha ferroviária que serviria tanto para o transporte do minério extraído quanto da população. Ou seja: qualidade de transporte.

b. empresas privatizadas visam o lucro - apenas. Pense um pouco mais: quando ocorrem crises e grassa o desemprego, o que temos notícias: demissões em massa em empresas particulares. Se há possibilidade de redução de lucros, a ação das empresas que administram as privatizadas é demitir. O motivo? Reduzir a folha de pagamento.

6. HÁ SOLUÇÃO?

Sim. Algumas delas são indigestas para as empresas/grupos que ganharam os leilões: encampamento ou nacionalização, ou seja: o Estado retomar o controle e EFETIVAMENTE administrar o setor da economia objetivando atingir o bem-estar da população.

7. O QUE PODEMOS FAZER?

Reagir contra privatizações. Se informar. Engrossar os movimentos sociais para ampliação de direitos e impedir retrocessos. A democracia está sempre sob ataque e o que aparenta ser bom para a democracia pode esconder retorno a situações de ampla miséria.

Há muitos discursos em favor da privatização e que se esquecem dos resultados que o Brasil ainda está tendo depois do ciclo de ataques contra o Estado iniciado com o governo de Collor.

O documentário PRIVATIZAÇÕES - a distopia do capital, de Silvio Tendler, pode nos ajudar a lembrar como foram feitas as privatizações no país e seus resultados, além de inseri-las no contexto de ação do neoliberalismo no mundo.

É um assunto espinhoso, mas que diz respeito ao nosso bem-estar.

Pense FORA DA CAIXA.












segunda-feira, 13 de outubro de 2014

ESQUEMA MONSTRO SOCIOLOGIA - Instituições Sociais

Quando nascemos iniciamos o processo de socialização, ou seja, o processo através do qual aprendemos como devemos viver em sociedade.

Desde a maneira de expressar dor, alegria, prazer até as reações diante das situações do cotidiano são parte do processo de socialização que tem várias instâncias. Essas instâncias são produzidas, mantidas e reproduzidas pelas INSTITUIÇÕES SOCIAIS.

INSTITUIÇÕES SOCIAIS são o conjunto de normas, regras, atitudes, comportamentos que devemos seguir e que são elaborados e reproduzidos através da família, das religiões, da educação e do Estado.

Cada uma atua individualmente mas em relação com as outras.

Eis o ESQUEMA MONSTRO - INSTITUIÇÕES SOCIAIS com as informações iniciais para você compreender o que são e como agem.

Passe adiante.

Pense FORA DA CAIXA


sábado, 11 de outubro de 2014

ESQUEMA MONSTRO MOVIMENTOS SOCIAS



Passe adiante.

Pense FORA DA CAIXA.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

DILMA, AÉCIO, O POVO BRASILEIRO & EU

 Professor, o senhor não vai votar em Dilma, não, né?

Professor, o senhor é comunista, é?

Professor, o senhor é anarquista? Defende os black blocs?

Vixi, professor! O senhor é desses que querem que todo mundo seja pobre, é?

Essas perguntas e outras muito parecidas fazem parte do cotidiano de professoras/es de História, Filosofia, Sociologia, Geografia ou de qualquer professor/a que demonstre algum engajamento com questões sociais.

Como estamos em período eleitoral é aí que a situação fica mais tensa. As conversas políticas – sobre políticas – tomam conta da sala de professoras/es chegando até as salas de aula. Um prato cheio para pesquisas sócio-antropológicas devido aos posicionamentos mais contraditórios, incoerentes, divergentes e, por que não dizer, bizarros de quem, em teoria, deveria contribuir para o desenvolvimento do pensamento crítico de dezenas de estudantes.

Um entendimento equivocado do que escreveu Paulo Freire leva muitxs professorxs a doutrinarem suas turmas afirmando que tal ou qual candidata/o é o melhor para o país. Por mais ansioso que esteja, por mais preocupado que me sinta em relação ao futuro do Brasil, não tenho o direito de forçar minhas turmas a verem o mundo da maneira que eu vejo.

Tenho a obrigação de expor para as turmas as possibilidades de posicionamento político, devo lhes garantir contato com a  instrumentação teórica para problematizar a realidade social e DESNATURALIZAR raciocínios que contribuem para a manutenção de desigualdades.

É válido considerar que muitos países considerados por muitas pessoas deste Brasil como exemplos a serem seguidos tem políticas públicas de transferência de renda como as que estão sendo ampliadas pelos governos do PT, sendo estas inclusive vistas com bons olhos lá fora.

Por determinadas classes sociais e grupos de mídia é que há ações de depreciação ao que está sendo implementado. Não é novidade: há alguns anos, Brizola enfrentou oposição ferrenha desses grupos e ele também era respeitado “no estrangeiro”.

Algumas críticas repetem a cantilena de que o Brasil parou de crescer, que a inflação está fora de controle. Usando o raciocínio que aplico em sala de aula me pergunto quantas dessas pessoas sabe exatamente de que crescimento econômico se está falando, como ele afeta a vida delas e uma, bem importante: quantas sabem O QUE É INFLAÇÃO?

Algumas afirmam que a economia vai mal, mas eu pergunto: como pode ir tão mal uma economia que garantiu que o Risco Brasil (explicando: é o nível de risco de investimentos no país por parte “do estrangeiro”) caísse de 1446, em 2002, para 224 em 2013?

Vamos aos bancos: o Banco do João, da Maria, do Antonio e do Pedro – do Brasil teve rendimento de dois bilhões de reais em 2002 e, ano passado, de 15,8 bilhões de reais. E o banco dos poupançudos, a Caixa, em 2002 teve lucro de 1,1 bilhão de reais e, ano passado, foram 6,7 bilhões de reais de lucro.

Lei básica do liberalismo clássico, aquele de Adam Smith, oferta e procura: em 2002 foram produzidos 1,8 milhões de veículos. Ano passado: 3,7 milhões de motorizados. Se há produção é porque há demanda.

Mas você poderá dizer que tá difícil a vida do empresariado nacional, então, sobre falências: FHC – 25.587, Lula e Dilma – 5.795, em média.

Decidi expor esses dados não mencionam as questões sociais. O motivo: esse texto está direcionado para a população que não é rica (os chamados pobres de direita ou pobres conservadores), pois anseiam serem ricos e desprezam a própria condição.

O governo do PT não foi socialista, nem foi comunista. Aplicou elementos de capitalismo que os dados mostram. Não apresento argumentos emocionais, apresento dados com o objetivo de reduzir as argumentações em favor de Aécio porque a economia vai mal, tem muita empresa falindo etc, etc.

Mas você pode querer tratar das políticas públicas e abordar os problemas que os programas assistenciais tem. Ok, vamos lá: políticas públicas existem para colocar em funcionamento o que a Constituição estabelece, pois, o fato de estar no texto da Carta Magna que o governo deve garantir saúde, educação de qualidade não quer dizer que estas serão implementadas. É aí que são elaboradas as políticas públicas, para se fazer cumprir a Lei.

São perfeitas? Não, mas a política é o campo do que sempre está em construção. Querer que políticas públicas sejam perfeitas é uma ingenuidade. E parte dessa ingenuidade foi embora quando vieram ao conhecimento público o mensalão e outras denúncias de corrupção. O PT decepcionou, sim, mas a causa é maior que qualquer partido.

Muitas pessoas que apoiavam ou militavam pelo PT saíram do partido – com todo direito – e se transformaram em antipetistas viscerais, chegando ao ponto de apoiar Aécio e cia limitada. Têm todo direito disso, mas me incomoda identificar pouca maturidade política para lidar com essa frustração.

A causa é maior que qualquer partido. Lembro que quando foram denunciados os crimes de Stálin ocorreu uma grande saída de membros do Partido Comunista, incluindo grande nomes da literatura e da política brasileira. Marighella, que foi assassinado durante o regime civil-militar, afirmou que deveriam os socialistas ficarem e reformarem o Partido e não abandonarem a causa – que não é uma ou duas pessoas, muito menos um partido.

Sigo essa postura de Marighella. E é por segui-la que escolho Dilma, porque o projeto que ela deu continuidade é o que mais realizou as mudanças sociais que eram necessárias para a vida de centenas de pessoas. O grupo de Aécio, historicamente, não teve essa sensibilidade.

Pense FORA DA CAIXA.


SONHAR - Tom Zé




Sonhar o pão
Toda a manhã
E ser aquele que mastiga
Sonhar o gosto
Do alimento
Se misturando na saliva
Aquele aroma
Que a gente sente
Pó de café na água quente
Sonhar escola
Senhor São Bento
Sonhar o tal discernimento
Sonhar a besta
Que em seu fastio
A fúria do começo viu
Sonhar o fogo
Do quilarão
Que veio do ainda-não
Gratia plena
Vida terrena
O céu aqui a gente pare
Filii tui
Na via crucis
Per mare nostrum navigare
Iê iô
Ié quá foguê
Sonhar a porta
Da esperança
O entra e sai da vizinhança
Sonhar o curso
Do marinheiro
Que viajou o mundo inteiro
Sonhar a lenda
Por cuja fenda
Sabedoria nos assalta
Sonhar o mito
Que em todo o rito
O filho ao parricídio ata
Iê, iô
Ié quá foguê (Bis)
De San Juãããã
ão dá dó de

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

SOBRE SOCIOLOGIA 1: Contexto histórico de seu surgimento



O momento que pode ser considerado o nascimento da Sociologia como ciência é o século XIX. Este século foi marcado por profundas transformações nas estruturas sociais, políticas, econômicas e culturais, tanto da Europa ocidental quanto do Brasil. Para o nosso interesse inicial, o que aconteceu na Europa terá um espaço maior.

Historicamente, o século XIX vivenciou o que foi designado como a Era das Revoluções. Revolução pode ser entendida como uma mudança radical, profunda. Para o que nos interessa, duas áreas foram especialmente afetadas momento: economia e política.

Tratemos de cada uma dessas áreas:

a. economia: a REVOLUÇÃO INDUSTRIAL inglesa transformou radicalmente a maneira de produzir bens e distribuí-los, assim como a prestação de serviços; o modo de produção capitalista consolidou a divisão do trabalho em donos dos meios de produção e força de trabalho, gerando, através do trabalho nas fábricas, uma grande quantidade de operários explorados. Não apenas operários explorados como os que não foram integrados ao novo modelo, passaram a viver em péssimas condições de vida. Essa massa passou a ser vista como perigosa em potencial. É nessa sociedade que revoltas aconteciam e chamavam a atenção e geravam a necessidade de pensar sobre o que acontecia. Até aquele momento nenhuma das ciências humanas havia dado conta do que acontecia.

b. política: a REVOLUÇÃO FRANCESA, em 1789, alterou a política da França e repercutiu em outros locais da Europa ocidental e da América. A Revolução Francesa levou a burguesia para o comando da vida política francesa e com ela as idéias liberais. Foram criticadas a velha ordem política do Antigo Regime, o Estado Moderno, as estruturas feudais que ainda existiam.

Nessa conjuntura de transformações políticas e econômicas, devemos considerar que mesmo tendo origem nestes ramos, expandiram-se alterando praticamente a sociedade inteira. Suas repercussões se estenderam até o século XIX e é nesse contexto que apareceram as primeiras tentativas de reflexão acerca da sociedade, com maior cientificidade.

 Acesse o link e baixe o ESQUEMA MONSTRO - SURGIMENTO DA SOCIOLOGIA


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quinta-feira, 2 de outubro de 2014

LIBERDADE DE EXPRESSÃO / DIREITO À INFORMAÇÃO

 É comum afirmar-se que liberdade de expressão é direito de poder dizer qualquer coisa sobre qualquer pessoa ou instituição. Deve-se levar em consideração que qualquer expressão gera repercussões - que podem ser benéficas ou não.

A partir do momento que há liberdade de expressão deve haver também responsabilização pelo que se expressa, uma vez que o que é expresso pode incitar tanto atitudes de compaixão quanto crimes de ódio, atos de intolerância, que são danosos para o convívio em sociedade e para a própria democracia.

No link abaixo você pode baixar arquivo PDF com pontos básicos, fundamentais acerca da liberdade de expressão e do direito à informação.

Baixe.

Estude.

Compreenda.

Questione.

Compartilhe.

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MATERIAL LIBERDADE DE EXPRESSÃO / DIREITO À INFORMAÇÃO AQUI


quarta-feira, 1 de outubro de 2014

MÍDIA E AGENDAMENTO DO QUE SE FALA E PENSA SOBRE POLÍTICA E POLÍTICAS/OS

Em recentes exibições, o jornal nacional da rede Globo de televisão entrevistou as candidatas e os candidatos ao cargo de presidente da república tupiniquim e o que chamou atenção logo de início foi a virulência do posicionamento de seu apresentador Willian, o Bonner.

Com ataques celebrados por muitas/os telespectadoras/es, pudemos ver constrangimentos de várias ordens. Ele, o Bonner, pontuou desde obras ampliadoras de valor de terras, passando por nepotismo e questionamento da eficiência em escolher "pessoas certas" para cargos de confiança.

Palmas! (ecoaram de vários locais do país) e vaias também (de pessoas que lidam com jornalismo com alguma seriedade).

É fundamental que se procure pensar acerca desse posicionamento aparentemente justiceiro e correto do telejornal - e, por extensão, da emissora.

O que seria mais produtivo politicamente seria o direcionamento da suposta entrevista para a apresentação dos projetos de cada concorrente. Se era para intervir na fala que fosse para pedir a quem fala que parasse de "vender o peixe" falando de si ou do que antecessores abruptamente tirados do pleito fizeram.

A exposição detalhada dos planos de governo ampliaria a percepção acerca da/o candidata/o.

"Esfregar" na cara que houve corrupção, nepotismo, valorização de terras familiares em nada contribui para mudanças efetivas na política, apenas reforça a ideia de que a política nacional é território de pessoas mais interessadas em suplantar o interesse público pela satisfação das necessidades particulares.

Assim, posturas "justiceiras", supostamente defensoras dos interesses da nação podem ser entendidas mais como um posicionamento que objetiva alçar a imprensa como legítima defensora da moralidade na política, afinal, quando necessário ela "colocou o dedo na cara" de corruptas/os.

Programas de TV como o CQC, da rede Bandeirantes, a do Tas, contribuem tanto quanto a postura do William, o Bonner para agendar a sociedade no fortalecimento da postura contrária a qualquer política, inclusive a partidária (principalmente esta).

É uma forma simples de pensar, mas difícil de se levar em conta: se efetivamente todas as pessoas envolvidas em política fossem desonestas, mal teríamos avançado em pontos básicos da vida social.

Tanto o telejornal, o nacional, quanto o pseudo-jornalístico-humorístico CQC contribuiriam muito mais para a sociedade se "remassem contra a maré" e mostrassem para suas audiências que há pessoas honestas para quem a política é o que pode garantir mudanças, para além do interesse particular.

Contribuiria inclusive para a formação de muitas/os colegas de profissão que, por vários motivos, acreditam piamente que telejornais, determinadas revistas ditas de informação são propagadoras de verdades.

E aos estudantes, bem, para estas/es, ainda haveria possibilidades de formação crítica para além da crítica por criticar.

Logo abaixo você pode assistir ao esquete da cia de comédia Os Melhores do Mundo que trata de política e eleições. Pode ser ferramenta interessante para rever alguns raciocínios.

Pense FORA DA CAIXA.




sexta-feira, 19 de setembro de 2014

A PIADA DA ELEIÇÃO DEMOCRÁTICA ou A POLÍTICA DE TODOS OS DIAS E O SEU VOTO


Estamos todos cobertos de política até o pescoço. E não é por causa período eleitoral,  mas porque a política real se constitui a partir de todas as discussões, debates, lutas e decisões que se desenrolam todos os dias, nas quais estamos envolvidos querendo ou não. O momento eleitoral é só mais uma parte do processo e deve relacionar-se de maneira coerente com o restante, do contrário todos os belos discursos são apenas falas vazias construídas por publicitários, comunicadores e especialistas em campanha que sabem exatamente o que fazer para vender uma ideia, seja ela uma proposta infundada ou um novo modelo de celular que faz o mesmo que o anterior, mas promete ser melhor. 
            O grande problema de consagrar a eleição como momento máximo da democracia é estimular o esquecimento do processo restante, como o acompanhamento dos atos dos representantes eleitos ou as possibilidades de ação direta do povo, que existem e são poderosas mesmo na democracia representativa. As chamadas que ressaltam um "vem pra urna" ou um "democracia se faz nas eleições" reduzem  de maneira significativa as possibilidade de mudança, pois o eleitor tem as suas opções limitadas a três ou quatro candidatos que cantam trechos diferentes de uma mesma música.
            Uma boa escolha eleitoral não é feita assistindo ao horário político gratuito ou a entrevistas pseudojornalísticas, pois as regras do horário eleitoral não dão condição de concorrência igualitária e as danosas entrevistas servem mais para alimentar os egos dos apresentadores do que para explicar à população o que significam as políticas pretendidas e como serão realizados os milagres agendados para o primeiro ano de mandato. A escolha também deve considerar quem dá sustentação financeira para cada campanha, não se pode esperar que cada um dos milhõezinhos liberados tenha saído de casa sem data pra voltar.
            Essas incoerências sobre a política brasileira, mas não só brasileira, não querem dizer que não há alternativas e não devem motivar o brado coletivo de que "são todos uns ladrões e corruptos", pelo fato de que este brado é inútil. Acreditar que não tem jeito só é válido pra quem lucra com a situação atual. Há opções, mas elas passam despercebidas, enquanto a maioria da população decide entre o menos pior.
            Antes de alimentar a certeza de que são todos péssimos ou que são todos iguais, cabe perguntar se conhecemos realmente todas elas e todos eles. Se tivemos o trabalho de pesquisar detalhadamente quem são, o que querem, com quem se relacionam e no que acreditam, aí sim podemos dizer que escolhemos, do contrário aquele voto de cabresto estudado nos livros de história só se modificou, se moralizou e arrumou um jeito de nos fazer acreditar que escolhemos livremente.

Simone Pessoa -  é jornalista e odeia ter que contar piadas sem graça, mas como a sociedade pede sátiras para suas contradições e aberrações cotidianas, ela se dedica a este trabalho sujo.



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segunda-feira, 1 de setembro de 2014

MARCAÇÃO DE TEXTOS - UMA POSSIBILIDADE


É fundamental a leitura no caminho de construção, reconstrução, desconstrução do conhecimento e, ao lermos um texto, muitas vezes sublinhamos ou marcamos partes com canetas coloridas, as populares marca-texto.

A marcação deve ser precisa sob risco de marcar tudo e, posteriormente, ter dificuldades de saber exatamente o que pode ser útil, importante, citável, questionável, instigador.

UMA PROPOSTA para a marcação de textos com canetas marcadoras é adotar um padrão que possa ser facilmente identificável.

Eis UMA PROPOSTA que pode ser útil e pode e deve ser adaptada aos interesses e necessidades de quem lê com objetivos "científicos".

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