Menu Superior Horizontal

  • E
  • D
  • C
  • B
  • A

Acesse aqui!

Entre em contato pelo Facebook ou Twitter.

Assista aqui!!!

Assista a filmes históricos clicando aqui!!

Fichas monstro!!!

Faça o download das Fichas Monstro clicando na barra de menu!!

Fale com o Prof. Salviano Feitoza

Clique aqui e saiba informações importantes sobre o Prof. Salviano Feitoza

ARTIGOS

sábado, 23 de novembro de 2013

RESUMO ORIENTE MÉDIO




PRIMEIRA ATITUDE: IDENTIFICAR no mapa onde fica o ORIENTE MÉDIO
 







SEGUNDA ATITUDE: IDENTIFICAR termos que frequentemente são associados à região:


ORIENTE MÉDIO
Expressão que define a região que compreende o nordeste da África, a parte ocidental da Ásia e a Turquia europeia. Foi usada pela primeira vez em 1902, o que marca a ação dos interesses petrolíferos das grandes potências na região.

ÁRABES
Nascidos da península arábica e/ou norte da África.

PALESTINOS
Os que estavam na Palestina depois da saída dos hebreus e antes da criação do Estado de Israel e afirmam serem os legítimos “donos” da região.

ISRAELENSES
Nascem no Estado de Israel; descendem dos hebreus/judeus.

MUÇULMANOS
Os que são adeptos do Islamismo – religião criada por Maomé

SUNITAS
Muçulmanos que defendem a utilização do Corão e da Suuna como livros sagrados do Islamismo. Não defendem uma aproximação Estado e religião.

XIITAS
Adeptos do Islamismo que defendem que o califado deve ser liderado por um descendente de Ali. Defende também que a política e a religião devem estar juntas.

FUNDAMENTALISMO
Pode ser entendido em uma perspectiva política, caracterizada por buscar resgatar o Estado teocrático com o sagrado sobrepondo-se ao laico. Toda a existência social deve ser subordinada às regras religiosas. Em sua perspectiva religiosa, o fundamentalismo defende a revalorização da tradição, ou seja, fidelidade ao credo em suas origens, “levar ao pé da letra”, por exemplo, escrituras sagradas da fé a que se dedica.

TERRORISMO
Palavra bastante em voga desde o início do século XXI. A imagem das torres gêmeas ainda aparece nos noticiários fazendo muita gente se assombrar e sentir insegura diante de pessoas que sacrificam a própria vida em prol de um deus entendido como malvado e cruel. Essa visão propagada pelos meios de comunicação traz a tona o discurso da luta do bem contra o mal, sendo o bem o mundo judaico-cristão e seu oposto os povos do oriente médio, geralmente percebidos como fanáticos, bárbaros, exóticos etc.
Terrorismo não tem uma definição precisa. Podemos levar em consideração, porém, que existem características semelhantes nos atos terroristas: morte e destruição são causadas com objetivos políticos. Desde o assassinato de um estadista até a destruição de símbolos nacionais, as motivações políticas estão presentes. Lutas por independência, por liberdade contra a opressões são parte dos ingredientes do terrorismo.
Em 11 de setembro de 2011, o World Trade Center, nos EUA, foi atacado e as torres gêmeas foram derrubadas por terroristas que sequestraram dois aviões. Outro alvo dos terroristas era o Pentágono, que quase foi atingido pela ação.
O uso de tecnologias de destruição em massa e a presença de líderes carismáticos garantem, também, a letalidade e a participação de muitas pessoas, respectivamente. A necessidade, entretanto, não deve ser supervalorizada como fator que contribua para a adesão a ideias terroristas: muitos países pobres ou não sofrem ou sofrem pouco terrorismo. Considere também que muitos líderes e soldados terroristas são oriundos de famílias de classe média ou muito rica, caso da família Bin Laden.

NO SÉCULO 20
APÓS a segunda guerra mundial (1939-45), com a derrota das forças militares do Eixo (Alemanha, Itália, Japão), fortaleceu-se o sionismo, um movimento que defendia a criação de um Estado judeu. Esse movimento teve em Theodor Herzl seu incentivador. Com a ocorrência do Holocausto ficou mais presente essa possibilidade como uma espécie de “compensação” para os judeus pelo acontecido. Muitas reuniões foram realizadas e o Estado de Israel foi criado em 1948. A festa tomou conta da comunidade judaica internacional, afinal, depois de séculos de peregrinação o sonho de muitos finalmente se realizava. Todavia, das fronteiras do recém criado Estado partiu uma ofensiva militar que foi o primeiro do que se convencionou chamar de conflitos árabe-israelenses.


a) guerra de independência do Estado de Israel (1948-9). Iniciada logo após a fundação do Estado, esse conflito contou com uma vantagem inicial árabe configurada nos exércitos do Egito, Síria, Líbano, Transjordânia e Iraque. Apesar da vantagem inicial, a força árabe era descoordenada. Junte a isso a resistência e o apoio financeiro da comunidade judaica internacional, o que garantiu a vitória israelense. Ao final deste conflito surgia a questão palestina.

b) guerra do canal de Suez (1956). Foi iniciada a partir da ação de Gamal Abdel Nasser, do Egito, de nacionalizar o canal de Suez, que fora construído em conjunto com a França. Inicialmente teria sido apenas um problema entre egípcios e franceses, mas Nasser ostentou o discurso árabe anti-israelense. Uma força militar conjunta de franceses, ingleses e israelenses atacou e venceu as tropas egípcias. Para o Egito ficou o prestígio entre as nações árabes.

c. guerra dos seis dias (junho de 1967). O nome deste conflito relaciona-se ao ataque fulminante israelense que derrotou as forças da Síria e do Iraque em apenas seis dias de ação. Relaciona-se a crescente tensão entre árabes e israelenses e a eclosão de movimentos terroristas árabes.

d. guerra do Yom Kippur ou dia do perdão (1970). No início dos anos 1970, o Estado de Israel sofria pressão internacional pois não tinha devolvido os territórios tomados e também pela política de colonização estabelecida em relação aos palestinos. Aproveitando o feriado do dia do perdão, Síria e Egito atacaram Israel e tomaram as Colinas de Golan e quase toda a faixa de Gaza, respectivamente. Ao final do conflito foi estabelecido que o Sinai seria devolvido ao Egito, o que aconteceu apenas em 1982 e as colinas de Golan foram anexadas definitivamente a Israel. As principais repercussões desse conflito foram regionais – Egito e Israel negociaram diretamente – e mundiais – os países árabes cortaram o fornecimento de petróleo aos aliados de Israel.

OUTROS ACONTECIMENTOS

a) Irã X Iraque (1980-8). Conflito pela região do Chatt al-Arab mas que também é revelador do jogo de interesses das potências internacionais. O Irã passou por um processo revolucionário que restaurou o governo tradicionalista religioso sob o comando do aiatolá Ruhollah Khomeini e este passou a denunciar tanto a URSS quanto os EUA. Aproveitando o processo revolucionário iraniano, o Iraque, sob o comando de Sadam Hussein, invadiu o Irã. Países ocidentais venderam armas para o Iraque pois temiam que a revolução iraniana se espalhasse. Só em 1988 é que a guerra foi encerrada quando o Irã, sofrendo várias derrotas, passou por negociações com o rival.


b) guerra do Golfo (1990). Em agosto de 1990 o Iraque invadiu o Kuwait justificando tal ato com a retificação de fronteira que aumentaria sua saída para o golfo pérsico. Além disso o Iraque queria o cancelamento da dívida contraída com o país árabe na época do conflito contra o Irã. Protagonizando uma reviravolta, Sadam anunciou-se defensor do Islã e reatou com o Irã em troca do apoio dos aiatolás. A ONU autorizou a ação militar contra o Iraque que ficou conhecida como tempestade no deserto. Cinco semanas de intenso bombardeio levaram ao fim do conflito em fevereiro de 1991.

c) Intifada. (1987 e 2000). Foram movimentos de reação aos desmandos do Estado de Israel, que oprimia os palestinos. Sendo que, em 1987, a reação foi contra os militares israelenses e, em 2000, ligou-se a negação de Yasser Arafat de assinar um acordo de paz e a caminhada de Ariel Sharon (primeiro ministro israelense) entre templos e mesquitas muçulmanas.

d) Questão Curda. De origem indo-européia, os curdos vivem numa região muito rica em petróleo espremida entre as fronteiras da Síria, Turquia, Iraque, Armênia e Irã que forma o Curdistão. Lutando por sua independência, desde o século XVI, tiveram todas as suas tentativas de emancipação reprimida com bastante violência. Em 1991, por exemplo, após,a 2º Guerra do Golfo, houve uma tentativa que foi abafada prontamente pelas forças iraquianas. A violência só terminou com a interferência da ONU, que criou uma zona de segurança na região, protegida por cera de 20 mil soldados. Eles formaram um grupo de orientação socialista chamado de Partido Trabalhista Curdo (PKK).

Pense FORA DA CAIXA.
Tenha HISTÓRIA NA CABEÇA.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

RESUMO CULTURA GREGA - TEATRO, HISTÓRIA, POESIA, RELIGIÃO


TEATRO

A) comédia. Sátira dos costumes, do comportamento humano e da sociedade. Objetivava, através do riso, criticar e levar a reflexões.

B) Tragédia. Discussão dos problemas eternos do ser humano: o destino, as paixões, etc.

As encenações eram feitas ao ar livre, os atores usavam máscaras para demonstrar as emoções e representar tipos universais. Apenas homens atuavam. Contavam com coros, que cantavam e dançavam nos espetáculos.

Destaque para o teatro de Epidauro.

Destaques
A) Ésquilo.
- Os persas: baseada no fato histórico das Guerras Médicas, mostra o lado persa após a derrota para os gregos;

- Sete contra Tebas: tragédia que trata da expedição movida contra Eteocles, rei de Tebas, que deveria alternar o trono com seu irmão, Polinice;

- Prometeu acorrentado: narra a tragédia de Prometeu, que roubara o fogo dos deuses
 e o deu para os mortais. Foi punido sendo acorrentado no monte Cáucaso com uma ave dilacerando-o o fígado.


B) Sófocles.
- Édipo Rei: trata da temática do destino e como deste não pode escapar Édipo, que, previsto fora, mataria o pai e desposaria a mãe;

- Antígona: narra a tragédia da personagem-título ao tentar sepultar seu irmão, Polinice;

- Electra: trata da vingança arquitetada pela personagem-título contra os assassinos de seu pai, Agamenon.


C) Aristófanes. Considerado o maior comediógrafo daquele momento
- Lisístrata: narra a greve de sexo liderada pela personagem-título para forçar atenienses e espartanos a estabelecerem a paz (era o momento da guerra do Peloponeso)

- As Vespas: trata da importância da verdade, mostrando uma espécie de juiz que é enganado e só ao final descobre a enganação;

- As Nuvens: crítica o filósofo Sócrates, equiparando-o aos sofistas

- As rãs: mostra a disputa entre Eurípedes e Ésquilo pelo título de maior tragediógrafo do Mundo Inferior, assistida a disputa pelo deus Hades e por Dioniso.


D) Eurípedes.
- Medéia: a personagem-título mata os filhos que teve com Jasão após ter sido trocada pela filha do rei de Corinto;

- As Troianas: narra o que aconteceu com as prisioneiras troianas após o fim da guerra de Troia e a tentativa de reconciliação de Helena com Menelau;

- As Bacantes: narra a vingança do deus Dioniso contra a família de Sêmele, sua mãe, que havia sido morta por Zeus quando este apareceu em forma de raio (sua forma divina), que não acreditou que ela estivesse grávida e por não ter rendido culto a ele.


HISTÓRIA

A) Heródoto de Halicarnasso. Considerado o pai da História, registrou as Guerras Médicas; para ele, os acontecimentos históricos eram fruto da vontade dos deuses; descreveu os povos que conheceu em detalhes;

B) Tucídides. Escreveu a História da Guerra do Peloponeso; é considerado o pai da História objetiva pois defendia que eram os acontecimentos políticos e não a vontade dos deuses que decidiam o que os acontecimentos; defendeu que toda forma de poder tende a se expandir e gerar conflitos;

C) Xenofonte: é considerado menos importante que Heródoto e Tucídides; escreveu Anabase, tratando da campanha do rei Ciro, o jovem , contra o rei Artaxexes II, da Pérsia e também seu irmão.

POESIA
A) Homero. Ilíada e Odisséia;

B) Safo de Lesbos: foi considerada por Platão como a décima musa; destacou-se pelos seus poemas líricos; há polêmicas acerca de sua vida pessoal, principalmente sobre seu relacionamento com mulheres;

C) Píndaro: escreveu odes honrando atletas que participaram dos jogos olímpicos.

RELIGIÃO

- não tinha dogmas;

- os gregos pediam ajuda para situações cotidianas e não para a salvação da alma;

- politeísta antropomórfica;


- era organizada em cultos públicos, cultos familiares e jogos (estes, na cidade de Olímpia, daí o termo Olimpiada);


Pense FORA DA CAIXA.
Tenha HISTÓRIA NA CABEÇA.

domingo, 27 de outubro de 2013

ENEM 2013 - COMENTÁRIOS



 A prova de Ciências Humanas e suas tecnologias trouxe uma abordagem interdisciplinar interessante.

Das 45 questões, 19 poderiam ser resolvidas com conhecimentos de Sociologia, o que considero importante por valorizar mais as aulas dessa disciplina.

A citação de obras de pensadores clássicos, mais uma vez, levou @ estudante a se aproximar da Filosofia. Maquiavel (comemorando 500 anos de publicação d’O príncipe) esteve presente, Montesquieu, Kant, Descartes, Marx e, interessante surpresa, Bentham.

A questão 37 (rosa) merece destaque por abordar a questão da terra no Brasil a partir de duas visões de representantes de grupos que estão em lados distintos: o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra e os representantes do agronegócio. Mais uma vez o ENEM traz o elemento problematizador da realidade social, uma vez que, ao expor dois posicionamentos, leva @ estudante a superar as visões dicotômicas e muitas vezes equivocadas acerca da questão da terra no Brasil e se ater ao entendimento mais profundo, histórico, sociológico e mesmo filosófico da questão.

As questões abordaram temáticas contemporâneas, como movimentos sociais, especificamente os movimentos feminista e LGBTT - e sua relação com a cidadania. As questões de gênero também estiveram presentes, o que mostra um olhar sobre a situação social brasileira que corresponde ao objetivo do ENEM.

Algumas questões suscitaram maior atenção dx fera, como por exemplo a questão tratando da Morte na idade média e como a vida contemporânea se relaciona com o fim da vida.

O conteúdo acerca da história cultural dos povos africanos foi contemplado e uma questão merece ressalva positiva: a que aborda a memória acerca do continente. Nela foram usadas referências a  filmes que tem como ambiente África ou personagens oriundos desse continente. Essa questão reivindicava que @ estudante identificasse a representação equivocada que muitas produções veiculam como a de que não há modernidade ou sequer humanos, caso da produção Rei Leão. Ponto para o INEP.

Ainda em relação  a história cultural dos povos africanos e sua relação com o Brasil, a questão 42 (rosa), coloca no enunciado que o candomblé é de origem africana. O candomblé não é de origem africana, mas de matriz cultural africana: não existe candomblé em África. A diversidade cultural dos africanos trazidos para o Brasil e a necessidade de cultuar suas divindades levou ao que foi definido como sincretismo religioso e a criação dessa religião. Mas a questão trouxe a relação África – Brasil no âmbito cultural, o que é muito positivo.

O uso de imagens nas questões também esteve presente no ENEM 2013, com charges e reprodução de fotografias além de infográficos. Para a área de História, tivemos as questões (rosa) 19 e 33. A primeira tratando da aquisição do direito de voto pelas mulheres e como foi a recepção nos lares brasileiros e a segunda com as representações em pintura e fotografia dos ex-imperadores do Brasil, D. Pedro I e D. Pedro II, respectivamente.

A república brasileira marcou presença em várias questões, sendo uma que chama a atenção por, talvez, a possibilidade de gerar dificuldades por exigir a lembrança de datas específicas para resolvê-la: a número 28, acerca do bipartidarismo estabelecido pelo presidente Castelo Branco, após o golpe civil-militar.

A prova, de maneira geral, traçou um caminho entre o médio e o difícil. Requerendo d@s estudantes atenção para a leitura, a comparação de pontos de vista e a leitura e análise de imagens.

Agora é só esperar a divulgação do gabarito oficial e as provas da 2ª fase da UFPE e a prova da UPE.

PENSE FORA DA CAIXA.
Tenha HISTÓRIA NA CABEÇA.


terça-feira, 9 de julho de 2013

EDSON GOMES - O Clássico dos Protestos

CLÁSSICO!


sábado, 6 de julho de 2013

MARX, ELE TEVE O OLHO DE THUNDERA

A VISÃO ALÉM DO ALCANCE...


CALL MARX - 1

CALL MARX


HOBSBAWM IRÔNICO - 1

AGORA VAI


ALTHUSSER IRÔNICO - 1


sábado, 22 de junho de 2013

DAS MANIFESTAÇÕES OU sentei na mesa de um bar/comecei a meditar procurando a solução/pro futuro da nação e do imposto predial...

 
Escrevo esse texto com um aperreio no coração, brotado de minha participação na passeata, manifestação/protesto/passeio carnavalesco acontecido ontem pelas ruas de Recife/Hellciff/Recífilis. Sei das dificuldades de ler um texto longo, então enumerarei minhas impressões/depressões/repressões acerca do que vi:

1. QUE P@#$% É ESSA?!
Foi o que senti ao chegar à praça do Derby. Sentimento que pipocou ao ver tanta gente junta e tanta gente visualmente chamativa. Minha memória de protestos é de gente vestida para a guerra, clima tenso e o que vi foram sorrisos acetinados, aparelhos resplandecentes, pais levando filhos como se fosse um domingo no parque (lembrei de Gil agora, eita, que sintomático).

2. MÁSCARA DE GUY FAWKES?? F@#$%! CADÊ A CAMISA NA CABEÇA, CADÊ??
Segundo sentimento. Centenas de pessoas com as máscaras do filme “V de Vingança” me fizeram indignação. Minha formação de movimentos sociais de outras épocas apertou logo o botão vermelho (vermelho bem antigo) e pensei que estava tomado por uma espécie de desfile carnavalesco grotesco por ter as mesmas fantasias;

3. CARTAZES IMPRESSOS EM PAPEL COUCHÉ? E AS BANDEIRAS E FAIXAS PRESAS EM PEDAÇOS DE MADEIRA?
Terceiro sentimento. Um monte de cartazes plasticamente bem produzidos dividiam espaço com cartolinas e até um mini ônibus feito de madeira (não tenho certeza) marcou presença em todo o trajeto.  O partidarismo repetido noutros lugares do Brasil foi banido também do evento aqui em Recife. Um homem foi agredido por trajar a camisa de um partido numa prova da ojeriza que grassa nas movimentações. Senti falta das bandeiras que tremulavam em outros carnav... protestos; apenas uma bandeira eu vi: a do movimentos dos trabalhadores rurais sem terra;

4. CADÊ O CHOQUE? E AS BOMBAS? E OS TIROS? NENHUM ESTUDANTE FOI ARRASTADO NUMA GRAVATA POLICIAL?
Quarto e talvez mais intenso. Policiais com faixas brancas deram o “tom da paz” que é muito defendido nas passeatas Brasil afora. Fiquei com aquela sensação de “tá faltando alguma coisa, tá ligado?”. Violência mesmo só de algumas pessoas que roubaram ou furtaram durante a passeata ou que quiseram aproveitar para fazer vingança. Apenas um policial sofreu cortes de faca peixeira ao separar a briga;
                Dois grupos fecharam trecho da avenida Agamenon Magalhães e encontramos um deles impedindo a passagem de veículos motorizados (senti quase um lampejo de emoção: agora vai ter tiro!)

Encontrei amigos e amiga que estavam com a mesma impressão que eu. Sentimos uma espécie de sentimento de obsolescência, de superação de tudo que nos formou e nos conferiu identidade. De descrença na possibilidade de mudança sem luta armada, sem destruir o que garante a manutenção do responsável por todas as mazelas: o capital.

Embalado por Falcão, não o d’O Rappa, mas o do Ceará:

sentei na mesa de um bar/comecei a meditar procurando a solução/pro futuro da nação e do imposto predial...

Não cheguei ao ponto final, mas algumas POSSIBILIDADES apareceram:

1. É UMA FORMA DIFERENTE DE ORGANIZAÇÃO.
Os modelos de protesto nos quais a maior parte da população foi formada divergem de tudo o que foi visto no dia 20. Eles são melhores? Não me sinto confortável em responder. Eles irão obter o que pretendem? (mas o que pretendem? Perguntaram alguns) Não podemos responder sem uma nesga de dúvida. Mais do que tentar prever, considero importante participar e pensar sobre o que pode ser feito hoje.

2. A VIOLÊNCIA É MESMO DESNECESSÁRIA?
NÃO DEFENDO A VIOLÊNCIA, mas é importante considerar que ela esteve presente em todos os atos revolucionários da História. Mesmo que mencionem Gandhi, lembrem o que aconteceu e quantas pessoas morreram até que a Índia conseguisse a independência.
                Nenhuma revolução ocorreu sem a participação dos “radicais”, aqueles que enfrentaram, na linha de frente, a força destrutiva do Estado. Considere também que sendo uma forma diferente de organização, meios diversos serão elaborados.
                Essa violência, esse estouro é também resposta aos diversos tipos de violência e não apenas a física que a maior parte da população vem sofrendo há um bom tempo e é uma forma também legítima de protestar quando não atinge inocentes.
                Se estamos falando de uma suposta revolução, então deve-se considerar que nenhuma revolução (nem as que se autodenominavam equivocadamente) aconteceu sem mortes ou depredação de “patrimônio”. Seria essa a primeira? Já se provou que não.
                Vale notar que em uma das muitas transmissões dos protestos, foi veiculada a informação que um grupo de vândalos (denominação frequentes nestes dias) invadiu um mercado e não quis levar o dinheiro, apenas as mercadorias (alimentação).
...
...
...
...

                Pausa tensa com o objetivo de representar a inexistência de comentário acerca desse detalhe.
                Outro elemento que deve ser observado com maior acuidade é o fato de se atacar sedes do governo, bancos (representantes do status quo capitalista). Por que as sedes e os bancos? Seria aquela reação contra a representação do poder instituído, e o que o legitima, sintomática de uma percepção de quem é o “inimigo” comum? O chamado vandalismo é apenas motivado por destruir  por destruir? Penso que não...

3. AS MÁSCARAS DE GUY FAWKES SÃO UMA APROPRIAÇÃO INTERESSANTE.
Tive, até o momento de conclusão desse texto, duas possibilidades de entendimento:

(I) minha geração esteve próxima – de certa forma – de seus referenciais de rebeldia, de contestação; tinha Chico Buarque, Caetano, Gil, Che Guevara, professores que instigavam os estudantes a agir e eram eles próprios atuantes (vi muitos de meus mestres irem para a rua em prol de suas causas), hoje esses referencias são, em comparação, inexistentes; artistas raramente engajados de verdade e raros mestres fazendo o que pregam em sala de aula, logo, a ação, para esses estudantes, estava mais difícil de acontecer por não terem em quem se espelhar;
(II) o referencial que essa geração tem de rebeldia e ação contra o sistema opressor é Guy Fawkes do filme V de Vingança e, indo além na análise ainda sob o calor dos acontecimentos, nem seria desse filme e sim do grupo Anonymous, que se apropriou da máscara e difundiu essa representação para o planeta como sinônimo de luta contra injustiças e em favor do povo.

Assim, penso que se formos tentar analisar esses acontecimentos, deveríamos trazer do limbo a imaginação sociológica, de C. W. Mills e procurar ampliar o olhar. Estamos diante de algo bem diferente do que historicamente aconteceu no país.

4. PARTIDOS POLÍTICOS.
Uma das situações constrangedoras que presenciei foi a ojeriza em relação aos partidos políticos e escrevi noutra postagem que não defendo partidos e entendo que alguns deles serão e estão sendo oportunistas, mas é preciso considerar que, por exemplo, muitas das legendas políticas que estão sendo rechaçadas, foram para a rua reivindicar redução da passagem (para usar a pauta deflagradora dos movimentos) e o fizeram quando a maior parte sequer aderiu à movimentação.
                Mas pensei (mais uma vez lembrando: NO CALOR DOS ACONTECIMENTOS E SEM CARÁTER DEFINITIVO) que a organização “desorganizada”, sem liderança é uma importante mudança, considerando que muitas lideranças políticas não cumpriram o que delas se esperava e ainda decepcionaram quem nelas acreditou.
                Porém, também penso ser quase injusto que aos partidos que tinham/tem em suas agendas muitas das reivindicações orgulhosamente defendidas seja vetada a participação e ocorra o rechaçamento de quem, porventura, busque participar e levantar a bandeira de seu partido.
                Mais uma vez chamo atenção para o que afirmei acima: não sou contra ou a favor deste ou daquele partido, mas busco pensar as possibilidades a partir do conhecimento teórico e prático que tenho.

5. EM TEMPO: ATUALIZAÇÃO NECESSÁRIA – “A VIOLÊNCIA VOLTOOOOU!”
As manifestações seguintes ao dia 20.6 (e no final deste também)foram marcadas pela violência contra os manifestantes e fez muitos entusiastas ficarem felizes pelo retorno das passeatas “clássicas”, mas consideremos o seguinte: será que fazendo as portas do comércio fecharem em dias de manifestação não estaríamos  (e estamos) prejudicando “a burguesia” (para usar a terminologia também clássica), pois um dia sem vendas é dia sem lucros?

Assim sendo, lembremos que policiais são apenas martelos, o braço que os usa está um pouco mais acima, logo...


6. TÉRMINO DO TEXTO SEM CONCLUÍ-LO.
Termino aqui o texto, mas não a temática. Assumo que, agora, neste instante, meu aparato teórico e prático não me dão certezas sobre o que acontece ou acontecerá. No que isso vai terminar (se vai), não sabemos. Estamos envolvidos emocionalmente e nossa formação, tanto intelectual quanto social e cultural, influenciarão sobre nossos juízos de valor. A partir do conhecimento proporcionado pela História, o que podemos intentar é EXPOR POSSIBILIDADES, mas definir é uso equivocado do saber histórico; mas continuo afirmando como em outra postagem:

Independente dos resultados e do que aconteça, o despertar da população e toda essa quantidade de pessoas já torna o evento histórico e lição para os administradores do país que, parafraseando o clássico renascentista, sabemos que há algo de podre no Brasil e que ESTAMOS DE OLHO E PASSAMOS A REAGIR. SOMOS MILHÕES, VOCÊS, POUCOS...

Pense fora da CAIXA.

Tenha HISTÓRIA NA CABEÇA


               


quarta-feira, 19 de junho de 2013

CONSIDERAÇÕES SOBRE AS MANIFESTAÇÕES RECENTES

Tem muita gente indo para as ruas. Tem sim, senhor. Todas elas sabem exatamente o que reivindicam? Provavelmente não.

Dúvidas aparecem sobre o futuro do movimento. Dúvidas aparecem sobre o que será feito. Enquanto historiador, professor de História e Sociologia e ativista, ainda sob os efeitos do olho do furacão, enumero algumas considerações:


1. NÃO DÁ PARA EXERCER FUTUROLOGIA.
No que isso vai terminar (se vai), não sabemos. Estamos envolvidos emocionalmente e nossa formação, tanto intelectual quanto social e cultural, influenciarão sobre nossos juízos de valor. A partir do conhecimento proporcionado pela História, o que podemos intentar é expor POSSIBILIDADES, mas definir é uso equivocado do saber histórico;

2. É IMPORTANTE ASSUMIR A PERPLEXIDADE DIANTE DO QUE ESTÁ ACONTECENDO.
Muitxs me perguntam o que penso e devem estar perguntando para outrxs professorxs também. “não sei”, é o que digo, mas sei que é um movimento social deflagrado a partir do aumento de vinte centavos e que, em verdade, é a vazão de opressões seculares e desmandos de classe históricos;

3. QUE BOM QUE ESTÁ ACONTECENDO AGORA.
É comum ouvir nestes dias frases como “por que fazer isso agora?”, “eu apoio, mas essa exploração sempre aconteceu, então, por que agora?”. Sem saber, quem se expressa dessa forma alimenta argumentos solidamente embasados em conformismo com o que não é natural e, sim, social. Já dizia velho deitado: “antes tarde do que nunca”. Se começou agora, é pelo fato das contradições terem atingido níveis insustentáveis, por isso a reação em cadeia;

5. A LUTA É APARTIDÁRIA, MAS ALGUNS PARTIDOS REIVINDICAVAM ASPECTOS QUE ESTÃO NA PAUTA RECENTE HÁ ALGUM TEMPO.
Não defendo partidos e entendo que alguns deles serão e estão sendo oportunistas, mas é preciso considerar que, por exemplo, muitas das legendas políticas que estão sendo rechaçadas foram para a rua reivindicar redução da passagem (para usar a pauta deflagradora dos movimentos) e o fizeram quando maior parte sequer aderiu à movimentação.


Independente dos resultados e do que aconteça, o despertar da população e toda essa quantidade de pessoas já torna o evento histórico e lição para os administradores do país que, parafraseando o clássico renascentista, sabemos que há algo de pobre no Brasil e que ESTAMOS DE OLHO E PASSAMOS A REAGIR. SOMOS MILHÕES, VOCÊS, POUCOS...

REAJA.

Tenha HISTÓRIA NA CABEÇA

quinta-feira, 6 de junho de 2013

AOS MEUS ALUNOS E ALUNAS E SEUS PAIS E MÃES: ESCLARECIMENTOS SOBRE A GREVE

Professorxs das escolas particulares estamos em greve. Estamos? É, estamos. Se você é estudante, talvez estranhe essa notícia. Por que algumas de suas professoras e professores darão aula? Por que não pararão as atividades? 

Algumas considerações sobre a greve:

1. É SEMPRE A ÚLTIMA OPÇÃO DOS TRABALHADORES.
Quando todas as tentativas de negociação entre patrões e empregados não atinge a conciliação entre os interesses patronais e reivindicações trabalhistas, a greve é iniciada.

2. É SEMPRE DECIDIDA EM ASSEMBLEIA.
Não são os diretores de sindicatos que decidem fazer greve, são xs professorxs reunidxs em assembleia que o fazem.

3. TODXS PROFESSORXS SÃO OBRIGADXS A FAZER GREVE?
NÃO. A greve é em prol da coletividade, mas a adesão é individual.

4. POR QUE TEM PROFESSORXS QUE NÃO FAZEM GREVE?
Por vários motivos, os mais comuns são:

                               a. MEDO. Contas a pagar, famílias para sustentar são consideradas amarras para muitxs professorxs e, temendo não ter condições de garantir o sustento próprio e dos familiares, não aderem ao movimento;

                                b. CRENÇA QUE O EMPREGO É UM PRESENTE DOS DONOS DA ESCOLA. Alguns professrxs acreditam que a manutenção do emprego é um favor feito pelos patrões, desconsiderando que é enquanto for útil para a instituição que seu emprego é mantido. Entenda útil como: cumpre suas obrigações, não falta (mesmo adoecendo ou tendo alguém da família doente), participa das atividades da instituição...

                               c. CRENÇA QUE NÃO FAZENDO GREVE NÃO SERÃO DEMITIDXS. Muitxs acreditam que não serão demitidxs se não reivindicarem seus direitos, o que se revela um erro, pois muitas demissões ocorreram e ocorrem e ocorrerão mesmo sem adesão ao movimento grevista (como mencionado no tópico acima);

A greve é, com certeza, nossa última opção. Todxs que têm aula comigo sabem que defendo a Discórdia, que é, em nossas aulas, o motivo agregador, instigador do debate. Digo para todxs que A DIFERENÇA É NATURAL MAS, A DESIGUALDADE É SOCIAL, LOGO, CONSTRUÍDA A PARTIR DE DETERMINADOS INTERESSES.

NÃO FAÇO GREVE COM O INTUITO DE PREJUDICAR VOCÊS, ESTUDANTES, mas não posso afirmar em sala de aula que podemos mudar o mundo, torná-lo menos desigual e não fazer parte do movimento que garantirá melhores condições de vida para mim e, por extensão, melhor educação para vocês.

O que reivindicamos:


A gente muda o mundo na mudança da mente
E quando a mente muda a gente anda pra frente
E quando a gente manda ninguém manda na gente!
Na mudança de atitude não há mal que não se mude nem doença sem cura
Na mudança de postura a gente fica mais seguro
Na mudança do presente a gente molda o futuro!


MUDE. AJA.

Tenha HISTÓRIA NA CABEÇA.



                               

domingo, 2 de junho de 2013

CONSIDERAÇÕES SOBRE A MARCHA DAS VADIAS - Recife, 2013

A Marcha das Vadias passou e depois dela vieram os comentários. Comentários que foram desde os maiores elogios até a mais pura negação sem deixar de passar pela ridicularização, intolerância e desrespeito. Enquanto professor, presenciei colegas de profissão afirmarem que um movimento que busca respeito não deveria ter participantes seminuas gritando palavras de ordem pelas ruas e se auto-intitulando vadias.

Decidi escrever algumas considerações sobre a Marcha das Vadias com o objetivo inicial de esclarecer alguns tópicos e, claro, instigar o pensamento fora da caixa através da Discórdia. Comecemos, então:

1. O MOVIMENTO TEM UMA ORIGEM VIOLENTA.
Após a ocorrência de vários estupros na universidade de Toronto, no Canadá, um policial afirmou que, para não serem violentadas sexualmente, as mulheres não deveriam se vestir como vadias. Mais de três mil pessoas protestaram e, a partir dali, espalhou-se pelo mundo.

2. QUANDO ALGUÉM É ASSASSINADO A CULPA É DO ASSASSINO; POR QUE QUANDO UMA MULHER É ESTUPRADA, A CULPA É DELA?
Vamos seguir o raciocínio em etapas: quando alguém é roubado, busca-se o ladrão que cometeu o delito e não se diz: “quem mandou ter celular? Só podia ser roubado, mesmo. Bem feito!”; quando alguém é assassinado, destaca-se o crime, procura-se o criminoso e não se diz: “quem mandou estar vivo? Se está vivo é para ser assassinado! Acho é bom!”
                Quando uma mulher sofre um estupro, há um olhar mórbido, acusador para a vítima e pergunta-se afirmando: “será que ela não provocou?” “você reparou na roupa que ela está usando? Pedindo pra ser estuprada!”
                É UMA LÓGICA PERVERSA que naturaliza o estupro contra mulheres e é um crime brutal, uma vez que o que há de mais pessoal, o próprio corpo, é violado contra vontade de sua dona.

3. VADIA = LIVRE PARA VESTIR O QUE QUISER E FAZER O QUE QUISER COM O PRÓPRIO CORPO.
Ouvi muito a frase: “como querem respeito e se chamam de vadias?” Vamos entender: usa-se o termo para definir quem não tem ocupação, quem não faz nada. No popular, é referência a vagabunda ou, ainda, prostituta. As mulheres que foram violentadas na universidade de Toronto, pense bem, universidade de Toronto, poderiam ser definidas assim? Provavelmente não.
                Se você é uma mulher e está lendo esta postagem, és vadia porque escolhes a roupa que queres usar? E mais ainda: só porque sua roupa tem um decote ou é um short curto você é uma prostituta? Penso que não.
                O uso do termo Vadia tem o objetivo de negar o conteúdo preconceituoso que a palavra tomou. As palavras e o sentido que a elas é dado também são ideológicas.
                Quando o policial usou o termo, reafirmou uma visão machista e sexista que legitima muitos crimes. A mesma sociedade que veicula propagandas afirmando que as mulheres devem se vestir de maneira sensual e agradar namorados, maridos e afins, é a mesma que chama de vadia essa mesma mulher que sofre uma violência por estar usando a roupa que a propaganda vendeu com a característica mágica de torná-la sensual e atraente.
                Temos uma contradição perversa e cruel. Se quisermos adicionar um elemento novo, então perguntemos o que justifica os estupros contra mulheres que usam burcas ou vestimentas “mais comportadas” como o caso recente de estupro coletivo na Índia (é recente a notícia, mas atos dessa natureza ocorrem há muito tempo, tempo demais, até).

Se o corpo feminino é usado como objeto para vender cervejas, roupas e pode ser atraído a partir da compra de determinados produtos, é exatamente isso o que a Marcha pretende negar, outros óculos, outra visão. Quando uma Vadia mostra o seio, a ideia, entenda, é: "O PEITO É MEU, SE USO ROUPA DECOTADA, É PORQUE QUERO USAR, E NÃO PARA VOCÊ, HOMEM, PEGAR!"

Mas o que é exposto em muitos lugares (destaque para a imprensa) são as fotos das mulheres que mostram os peitos, contribuindo para uma imagem equivocada e distorcida do objetivo da Marcha...

Ir para a Marcha ajudaria muito na quebra dessa visão distorcida. A Marcha é contra as violências que as mulheres sofrem, sendo a física, a violência extrema. As simbólicas estão por aí o tempo inteiro, desde a imposição de cores, passando pelos brinquedos, os assovios, as propagandas de cerveja.

Alguém vai afirmar: "MAS AS MULHERES ACEITAM ESSAS SITUAÇÕES DE INFERIORIZAÇÃO, USAM ROUPAS DESSE OU DAQUELE JEITO, PARTICIPAM DOS COMERCIAIS..."

Pensemos: COMO COBRAR UMA REFLEXÃO ACERCA PRÓPRIA CONDIÇÃO QUANDO NÃO SE FOI INSTRUMENTALIZADA PARA ISSO, QUANDO TODO O PROCESSO DE SOCIALIZAÇÃO (lembrando Durkheim e outros) DIRECIONOU A FORMAÇÃO DE MUITAS PARA ESSE FIM?

4. TÁ, CONCORDO COM PARTE DO QUE ELAS REIVINDICAM, MAS TEM QUE SER A  FAVOR DO ABORTO? ISSO, PARA MIM, É CRIME.
Uma das imposições sociais mais recorrentes para as mulheres é a de ser mãe. Afirma-se que toda mulher é uma mãe natural. Parir é natural, ser mãe é social, culturalmente aprendido.
(…)
(…)
(…)

PAUSA ESTRATÉGICA PARA A FÚRIA E INDIGNAÇÃO QUE BROTOU NO CORAÇÃO DE MUITXS LEITORXS.

ATENÇÃO, LEIAM COM O CORAÇÃO ABERTO E A MENTE TAMBÉM:

Tudo que não está atrelado a natureza é cultural. Exemplo: fome é natural, saciar a fome é natural. Saciar a fome comendo aquela feijoada ao invés de feijão tropeiro é cultural. Dormir é natural. Dormir em cama ortopédica, cultural, considerando que o ato de dormir em tal móvel é parte do que se prescreve para determinados males da coluna ou, simplesmente porque se quer dormir em tal cama.

Ficar prenha (ou engravidar) é natural. Completar os nove meses de gestação é parte do que há de natural na gestação humana (alguns fetos não completam esse tempo). Mas SER MÃE, é algo que se aprende. Há o aprendizado da paciência, do tom de voz para garantir o controle, os sistemas de recompensa para comportamentos adequados, as “palmadas pedagógicas” que fazem parte do SER MÃE.

Uma problematização importante é a de que se ser mãe é natural, como explicar as mães que negam filhxs quando nascem? E por favor, não argumente com “estava possuída pelo mal” ou algo do gênero. A questão é que aborto é mal discutido na sociedade e negar a legitimidade de uma Marcha que busca melhores condições para quem, historicamente, esteve sempre sofrendo vituperações é demonstração de pouca sensibilidade.

Quando se discorda de um movimento, deve-se agir em prol do aperfeiçoamento, seja discutindo, seja atuando...mas calar-se e apenas criticar este ou aquele aspecto ou todo o movimento, é contribuir para a perpetuação do mal. Como escreveu o poeta: o problema não é a maldade dos malvados, mas a omissão dos "bons".

Precisa-se também sair do “umbigocentrismo” da própria opinião. A Discórdia é saudável. O que não contribui para a mudança social é a postura do “já opinei e fui ridicularizadX. Não falo mais! Pronto!” o primeiro passo para uma transformação contundente é considerar que suas ideias podem e serão recusadas. Injustiça? Talvez. Motivo para não participar? Não.

Como afirmei no início dessa postagem: não quero convencer pessoas a saírem nas ruas apoiando a Marcha das Vadias, mas esclarecer aspectos que, enquanto professor, é muito inquietante ver e ouvir sendo mal interpretados ou propositadamente mal interpretados.

O lema é: Discórdia hoje, Discórdia amanhã, Discórdia SEMPRE


Pensemos fora da caixa.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

ALANE, CAROL BURGOS, DIANA, DIOGO, JULIA, LAIS, MARCELO, MOEMA, VADIAS, CLARO... um pouco de combustível para me fazer seguir adiante

Após a Marcha das Vadias ter acontecido em Recife, cidade que me serve de posto de trabalho, fiquei animado com as possibilidades de lutas sociais. As coisas mudam, sempre, já afirmara Heráclito. Mas algumas coisas permanecem, afirmou, talvez, Raul. Mas, por pouco tempo, também. 
Marcelo, Alane e Julia


Não dá para continuar violentando, roubando, matando, vilipendiando impunemente. As violências, as mais diversas, pois existem várias (já escrevera o sociólogo francês), podem e devem ser denunciadas e as autoridades, cobradas para garantirem aquilo para o qual existem: segurança e bem-estar para todxs. Noutros momentos, poderia-se xingar, agredir fisicamente e, a violência suprema, matar com grande margem de folga de sair impune. E se tivesse como justificativa a honra, até prêmio era possível receber.

Leis são criações da necessidade de regular o convívio em sociedade. Num entendimento simplificado, seriam fruto da necessidade de limitar algo que está afetando a existência de um grupo ou parte dele (aqueles que compõe a superestrutura, no dizer do judeu vermelho e influente). Pense da seguinte forma: para que o Criador (na tradição judaico-cristã) estabelecesse dez mandamentos, o Decálogo, proibindo roubo, assassinatos, cobiça da mulher alheia, juras do sacro nome em vão, era porque tudo que estava sendo proibido era praticado em tão larga medida que atrapalhava a coesão, a segurança e o bem-estar do grande grupo. Entendido isso, sigamos o raciocínio.

A sanção de leis como a Maria da Penha, a lei seca, o código de trânsito mais rígido são fruto, seguindo o que foi escrito acima, da necessidade de intervenção do Estado em determinado âmbito da vida coletiva, ou seja, se há um código mais rígido de controle do trânsito, este estava “descontrolado”, se há maior fiscalização e, por extensão, punições para quem dirige embriagado, muita gente foi prejudicada – inclusive irreversivelmente – por pilotos embriagados, então, uma lei que pune desde tapas, empurrões e extinção da vida feminina, é fruto do perigo para a segurança e o bem-estar PRINCIPALMENTE DAS MULHERES que a violência masculina gerava (e ainda gera).

A situação mudou. Ainda bem. Quando fui para a Marcha das Vadias, uma certeza tinha em mente: estou fazendo parte da História, sou um sujeito da História. Eu e outras pessoas que lá estavam, Vadias com “V” maiúsculo; Vadias que vi quando tinham 13/14 anos de idade e tiveram aulas de História comigo na 6ª, 7ª, 8ª série; Vadiazinhas, como chamei. Vadios também. Pense numa felicidade, daquelas que só mães e pais devem sentir quando veem que xs filhxs “deram pra gente de bem”, como minha mãe diz, ainda hoje.


Carol, Alane, Diana e Marcelo
Iana, Diogo, Anne, Lais e Tauana 
Outrxs que estão comigo este ano, tratando de Sociologia e que dizem para mim, sem uma palavra proferida: “acredito que posso mudar algo, que sou parte importante na transformação”, marcaram presença e confirmaram a máxima do Velho Deitado que diz: “seja exemplo e outrxs serão também”. Moema,  Alane, Marcelo, Diana, Diogo, Carol Burgos, Lais, essa postagem escrevo inspirado em vocês. Vocês injetaram mais combustível revolucionário em minha mente. Vê-los reivindicando fim da violência contra mulheres foi a certeza que estou no caminho certo, que procurar viver de acordo com o que falo em sala de aula é o caminho, espinhoso demais na maior parte das vezes, mas recompensador. 

Passarei, é verdade, mas a semente da Discórdia que plantei em vocês e noutrxs, seguirá. 

sábado, 11 de maio de 2013

CONTEÚDO SSA - 2013-2015


SSA - 1ª Série

1. História, fontes e historiadores.
1.1 Cultura e História; a diversidade do fazer e do pensar humanos e sua relação com a Natureza.

2. A Pré-História: economia, sociedade e cultura;
2.1 O Brasil pré-cabralino.

3. As relações entre poder e saber na Antiguidade Oriental e Ocidental e a busca pela compreensão e superação das dificuldades históricas.

4. As relações de poder na Idade Média Ocidental e Oriental e a importância da Igreja Católica na construção das suas concepções de mundo;

4.1 O mundo islâmico medieval;
4.2 A produção cultural no medievo.

5. A Modernidade com projeto histórico da sociedade europeia.
5.1 A formação do mundo moderno: O Renascimento, A Reforma e a Conquista e colonização dos povos pré-colombianos e pré-cabralinos da América;
5.2 Violência e dominação cultural nas relações políticas entre colonizados e colonizadores.

SSA - 2ª Série

1. Europa-África-América: A escravidão e sua inserção no mundo moderno.
1.1 A luta contra o seu domínio e sua contribuição para o crescimento do poderio europeu na gestão das riquezas e das concepções culturais de mundo.

2. O capitalismo e as suas relações históricas com a formação da burguesia.
2.1 Novas formas de saber e poder e mudanças na Europa.
2.2 A construção do liberalismo na política e na economia.

3. As resistências contra a colonização dos europeus e lutas políticas nas América.
3.1 As influências das ideias liberais e as crises do antigo regime.

4. O Brasil e a formação do Estado Nacional.
4.1 Autoritarismo e escravidão, hierarquias socais e revoltas políticas no período de Império.

5. A modernização da sociedade ocidental e sua expansão.
5.1 O impacto das invenções modernas e a crítica às injustiças do capitalismo.
5.2 O político-cultural e suas renovações: Romantismo, Socialismo e Anarquismo;
5.3 Produção cultural no Brasil do século XIX.

6. A expansão do mundo capitalista: o neocolonialismo e a opressão cultural: América, África e Ásia.
6.1 Os preconceitos científicos e as contradições do progresso.
6.2 As relações entre saber e poder no século XIX.
7. As relações históricas entre o abolicionismo e

SSA - 3ª Série

1. As primeiras décadas republicanas no Brasil.
1.1 Oligarquias e resistências. Insatisfações e modernismos.
1.2 O movimento operário e suas primeiras organizações e greves.

2. A primeira metade do século XX.
2.1 A I Guerra Mundial.
2.2 A Revolução Soviética.
2.3 O nazifascismo.
2.4 A Crise do capitalismo.

3. A modernização no Brasil e o autoritarismo político na primeira metade do século XX.
3.1 As dificuldades de construção da democracia e lutas dos trabalhadores.

4. A II Guerra Mundial e o fim dos impérios.
4.1 A descolonização da África e da Ásia.
4.2 Guerra Fria.

5. O mundo depois das guerras mundiais: as dificuldades as utopias e as relações internacionais.
5.1 Produção cultural no século XX;
5.2 Resistências culturais e o crescimento tecnológico.
5.3 A globalização e a massificação cultural: o cotidiano e seu controle pelo poder hegemônico.
5.4 Tensões contemporâneas: o Oriente Médio, a América Latina e a África.

6. O regime militar no Brasil: violência, censura e modernização.
6.1 A luta pela democracia e suas dificuldades.
6.2 Produção cultural no Brasil do século XX;
6.3 Organização política e violência social e urbana e a consolidação do capitalismo.
6.4 O Brasil e as suas relações com a América Latina nos tempos atuais.

Passe adiante.

Tenha HISTÓRIA NA CABEÇA